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EXCLUSIVO: Políticos, fazendeiros e advogados podem estar infiltrados nos negócios milionários das facções no Acre

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A partir da série de reportagens Tribunal do Crime, editada com exclusividade no final de semana passado, a redação do ac24horas recebeu e-mails de acadêmicos interessados em colaborar cientificamente com a linha de investigação sobre as facções criminosas instaladas no estado do Acre. O desfecho da história de Déborah Bessa, de 19 anos, morta com requintes de crueldade e que teve vídeo exposto nas redes sociais, provocou uma verdadeira convulsão social, despertando ainda mais o interesse pelo tema que vem pautando o Acre até a nível internacional: a segurança pública. A série foi o conteúdo mais acessado no final de semana. 200 mil pessoas foram alcançadas nas redes sociais. Foram 166 mil cliques. 500 compartilhamentos e 3 mil curtidas.

EXCLUSIVO:
 >> O julgamento sumário e execuções comandadas pelos Conselho 
da maior facção do Acre, o Bonde dos 13

 >> Facções do Acre agem como empresas frustrando o Palácio Rio
Branco com manutenção de mortes violentas

 

A resposta rápida na captura e apresentação dos culpados pela chacina, com direito a entrevista coletiva com a presença do secretário de segurança pública e pré-candidato a vice-governador pela Frente Popular do Acre, Emylson Farias, para especialistas da área de segurança, reflete o discurso político-governamental de satisfação simbólica que visa esconder as verdadeiras causas da criminalidade urbana, mascarar a incompetência do estado no combate a violência e de revelar os “peixes grandes” que podem estar por trás das organizações.

Além dos trabalhos acadêmicos que foram compartilhados, a reportagem ouviu a doutora em ciências sociais, Eurenice Oliveira, estudiosa sobre o tema: disputas pelas rotas estratégia de mercado/sobrevivência, pela Universidade Federal do Acre. “É uma sociedade sem direção moral e intelectual para promover o bem-estar e a segurança para todos os cidadãos. A classe dirigente não tem competência para dirigir a sociedade, deixando o vazio para ser preenchido por todas as formas de brutalidade, inclusive com as formas de atuação que ameaçam a vida e instalam o terror como forma de gestão social”, analisou Eurenice.

Para a especialista em comportamentos da sociedade humana, a brutalidade é uma tática selecionada para manter a sociedade no terror cotidiano que desmobiliza, desinforma e amedronta, confinando homens e mulheres ao espaço do privado, da domesticidade murada e guarnecida com câmeras digitais e cercas elétricas.

“Não há limites para a brutalidade e o terror é o estado constante, que vai pulsando como as batidas do coração e submetendo a sociedade à desconfiança, medo, incertezas”, acrescentou a doutora.

Colocando uma pimenta a mais no debate, o Delegado aposentado, Walter Prado, que saiu da ativa levando na bagagem a alcunha de Xerife, ignora os conceitos sociológicos. No seu estilo durão, e com a experiência de quem comandou uma Força-Tarefa na Polícia Civil na gestão do ex-governador Jorge Viana, Prado afirma que é preciso discutir o tema com positividade e com quem realmente entende do assunto.

“Eu tenho dito a esses sociólogos comunistas que todo esse conhecimento está longe de ser um saber empenhado em pensar segurança pública de maneira positiva. O que aconteceu foi um vácuo, nesses seis anos sucatearam as polícias. Como cidadão, eu quero saber para onde foi tanto dinheiro enviado para segurança pública pela ex-presidente Dilma e o atual presidente Temer”, opinou o delegado.

Um trabalho liderado pelo estudante do oitavo período de direito, monografia: Organizações Criminosas, Estrutura e Ações Coordenadas, foi a outra frente de pesquisa. O acadêmico, que pediu para não ter seu nome revelado, critica com dados científicos a atuação da Segurança Pública.

“O sistema de segurança despreza ou investe muito pouco, em uma das chaves para combater as organizações criminosas que é o programa de proteção a testemunha. O maior incentivo nesse instrumento legal poderia aproximar as pessoas que sofrem ameaças constantes e, por isso, têm medo de delatar as lideranças e estratégias das facções”, disse o acadêmico de direito.

Essa semana, o secretário de segurança do estado, Emylson Farias, diferente do discurso que manteve até final do ano passado, disse que se nada for feito, “daqui 10, 20 anos estamos pior do que a Colômbia”.

Deixando a conflitualidade dos paradigmas que marcam as discussões do tema à parte, os entrevistados cobram do governo, a revelação e punição dos verdadeiros “peixes grandes” que os estudos apontam que podem estar por trás do comércio milionário levantado pelas facções criminosas.

“Já que ninguém sabe, podemos afirmar que muito mais gente se beneficia do tráfico de drogas e/ou é um agente direto desse mercado”, acrescenta Eurenice.

Se por um lado a sociedade cobra ações mais enérgicas e a prisão dos “peixes grandes”, na contramão desse pensamento cientifico, o estado que mais prende é o que menos investiga e tem péssimo índice de elucidação dos crimes. No mês nacional do Júrí, teve dias sem pauta e sem processo para instruir. A impunidade, ver os “batismos” das facções, se tornarem um fenômeno. Janeiro entrou para a história como o mais violento das últimas décadas, com mais de 45 mortes violentas.

“Conselhismo: seria irônico se não fosse trágico”

Ao analisar a formação de conselhos que no mundo do crime decidem quem vive e quem morre, a doutora em comportamento da sociedade humana, Eurenice Oliveira, lembrou dos colegiados escolares, administrativos, onde se toma decisões para democratizar escolhas, responsabilidades e atingir metas.

Para ela, “seria irônico se não fosse trágico (…) o fato de nas facções criminosas, o menor vacilo, paga-se com a vida na organização e na sociedade”.

A doutora segue abordando que na vigência do Estado de direito, é um paradoxo considerar que existe um grupo social ligado à prática de todas as atividades criminosas, as tais gangues de bairros, que têm o poder de praticar qualquer tipo de violências contra os cidadãos e cidadãs, principalmente matar ou morrer. “É um indicativo de que o Estado não cumpre o seu papel para garantir as condições mínimas da existência humana”, argumenta a socióloga.

Eurenice não menciona a prática da violência contra os criminosos, por que segundo ela, não é eficiente. Para a estudiosa sempre houve mãos decepadas, paus-de-arara, choques, arrancados de unhas, ranger de dentes e mortes por torturas. “O que é raro ou nunca existiu são os policiais bem remunerados e com garantias sociais, ou trabalhadores valorizados e salários para uma vida digna”, citou Eurenice.

O que existe por trás das “fragilidades” de nossas fronteiras?

Ao analisar a ligação do tráfico de drogas com a fragilidade das fronteiras, a pesquisadora converge com os demais estudiosos ouvidos pela reportagem sobre o caso, fazendo uma profunda reflexão sobre a atuação de cada cidadão e sua área de atuação. Ela questiona: “A segurança nas fronteiras é frágil? Mas lá estão o Exército nos quartéis e nas várias operações em bases, às margens dos rios. Lá estão, também, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária, a Polícia Civil nas delegacias, e a Polícia Militar! Todas as instituições que garantem o monopólio do uso da força pelo Estado, validadas pelas normas e regras constitucionais, para garantir o território, a propriedade privada, a segurança dos cidadãos, o direito de ir e vir, etc. Devo pensar que são frágeis? ”

A pesquisadora chama atenção para as grandes faixas de terras ocupadas por fazendeiros que vão das margens dos rios até das grandes estradas federais. “Devo pensar que esses fazendeiros não sabem o que se passa nas suas propriedades? Não conseguem montar milícias paramilitares para proteger as terras das rotas de tráfico?“, volta a questionar a estudiosa.

Ainda de acordo Eurenice, a atitude dos fazendeiros com relação ao suposto tráfico que passa nas suas fronteiras é bem diferente de quando ocorre um acampamento de sem-terra. “Eles mobilizariam céus e terras, mas manteriam suas propriedades ‘em segurança’, observa.

Para a estudiosa, assim como fazendeiros, comerciantes das cidades de fronteira, políticos e vereadores, além de outros agentes públicos, convivem diariamente com a tragédia dos cidadãos e seus problemas, “mas ninguém sabe de nada!?”, pergunta. “Já que ninguém sabe, podemos afirmar que muito mais gente se beneficia do tráfico de drogas e/ou é um agente direto desse mercado”, acrescenta Eurenice.

“Se a gente não prestar atenção, daqui 10, 20 anos estamos pior que a Colômbia”, diz Emylson Farias

Depois de negar décadas a existência do Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho atuando no estado do Acre, o secretário de segurança pública, Emylson Farias, parece ter jogado a toalha e após ter seu nome oficializado como pré-candidato a vice-governador, pela Frente Popular do Acre, mudou o discurso, tem afirmado que, nas duas próximas décadas, o Acre pode estar pior do que a Colômbia.

Um trabalho liderado pelo estudante do oitavo período de direito, monografia: Organizações Criminosas, Estrutura e Ações Coordenadas foi a outra frente de pesquisa da editoria.

O acadêmico concorda com o secretário Emylson Farias quando este afirma que a explosão das facções no Acre, embora o Bonde dos 13 tenha sido criado em 2013, foi a partir da execução de Jorge Rafaat Toumani, em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016, na cidade de Pedro Juan Caballero, fronteira com o Mato Grosso do Sul. Ele era considerado pelos Estados Unidos como um dos barões do tráfico internacional de drogas e armas na fronteira e informes obtidos pela polícia apontariam atuação do PCC no ataque.

Mas, discorda do modus operandi como a secretaria atuou no combate as facções criminosas no estado. Para ele, foi um erro de estratégia as autoridades esconderem a presença das facções até estas se alastrarem na zona urbana de Rio Branco e cidades interioranas. “Tudo leva a crer que eles sabiam de tudo e pouco fizeram para combater o crescimento dessas organizações”, comenta.

Ainda de acordo o acadêmico, o estado continua pecando quando despreza elementos de investigação legais, como o Programa de Proteção à Testemunha. “O sistema de segurança despreza ou investe muito pouco, em uma das chaves para combater as organizações criminosas que é o programa de proteção a testemunha. O maior incentivo nesse instrumento legal poderia aproximar as pessoas que sofrem ameaças constantes e, por isso, têm medo de delatar as lideranças e estratégias das facções”, acrescentou.

O pesquisador não cita nomes, mas é um dos que engrossa o discurso da presença de membros das facções em todos os segmentos sociais. A rota do Norte pela fronteira com Peru, Colômbia e Venezuela, como porta de entrada marítima de drogas e armas, segundo sua tese, é o ponto de maior interesse na guerra entre PCC [Bonde dos 13] e Comando Vermelho [FDN].

O estudo aponta que esse rompimento bilateral das facções após apoio do CV a grupos rivais do PCC em vários estados é responsável pela matança dentro dos presídios e nas zonas urbanas de várias cidades brasileiras, inclusive, o Acre.

Nesse contexto, o pesquisador da universidade federal do Acre afirma fazer sentido as declarações de Emylson Farias e sua preocupação com as próximas décadas. Seu foco é, principalmente, a evolução do Bonde dos 13 e a parceria com o Primeiro Comando da Capital.

O grupo notabiliza-se de plano por ser a organização criminosa mais próxima da fronteira com a Bolívia, conhecida por ser uma das maiores produtoras de cocaína do mundo, e devido ao seu “sucesso” no desenvolvimento de diversas empreitadas criminosas em âmbito local, o conjunto de fatores de ser uma excelente rota para traficância internacional de entorpecentes, junto com o domínio imposto em diversas localidades acreanas, fizeram que o grupo não passasse despercebido no cenário obscuro da criminalidade”, analisa o acadêmico.

Para ele, tais fatos chamaram atenção do PCC, onde os acreanos celebraram uma parceria carreada por uma maior sofisticação estrutural em sua base interna e uma ascensão em seu poderio ofensivo, “o que faria da facção acreana uma grande potência na criminalidade da região norte brasileira, e proporcionando ainda a possibilidade de faturamento e divisão nesta aliança para ambas as organizações, em virtude da vulnerabilidade fronteiriça existente na rota Acre/Bolívia”, concluiu.

“Pobres matando pobres; quem se ocupa em debater segurança pública?”, questiona Xerife

O delegado aposentado de Polícia Civil Walter Prado afirma que no Acre o que aconteceu foi um imenso vácuo no sistema de segurança pública que permitiu, nos últimos anos, o sucateamento do sistema, permitindo a guerra urbana travada, segundo o especialista, por bandidos perversos, “pobres, matando pobres”.

O Xerife afirma que não existe nenhum nome entre os que estão sendo investigados pelo Departamento Especializado no Combate ao Crime Organizado (DECCO), que seja de fora. Esse fator leva o delegado não reconhecer as organizações criminosas como facções.

“Conversei com o juiz da Vara de Execuções Penais e todas essas pessoas que estão ai praticando crime, são acreanos. Não tem ninguém de fora”, acrescentou Prado.

Ao salientar que as polícias do Acre são as melhores do país, o especialista cobra mais estrutura e resultados. Ele afirma que de 94% de crimes que eram elucidados, esse percentual caiu para menos de 50%.

“De 2017 que tivemos 450 homicídios, só temos 57 ações penais em curso. Então tudo é conversa fiada. Ao praticarem crimes com requintes de barbárie e fazer vídeos, esses bandidos estão dizendo que nossa segurança é besta”, desabafa o delegado.

Ele critica o sistema que na sua opinião dá aos executores status de pop-star. “Um absurdo isso”, acrescenta o Xerife. O delegado disse que está levantando dados que vão demonstrar para sociedade acreana, um montante expressivo de recursos que foram destinados para a segurança pública no Acre.

“Eu como cidadão vou cobrar onde foi aplicado tanto dinheiro que veio para a segurança na época da Dilma e do Temer e, a partir daí, fazer uma discussão com a sociedade. Ao contrário de aplicação o que se viu foi um vácuo no sistema”, argumenta o especialista.

Se confirmado a ausência correta de investimentos no setor, o Xerife afirma que estará convicto de que o estado é, afinal, o maior produtor de violência. “Ai sim vamos colocar na conta dos gestores esse verdadeiro massacre que vivemos”, falou.

O delegado critica o fato do secretário de segurança pública ser pré-candidato a vice-governador, exercendo a função mais alta da cúpula investigativa da federação. “Quem é que se ocupa em debater segurança pública com positividade?”, concluiu Walter Prado.

O estado que mais prende é o que menos investiga e elucida crimes ligados em tese as facções

Não há dados científicos, mas especialistas na área jurídica e segurança pública costumam dizer que a sensação de impunidade é um dos motores da criminalidade. Quando um criminoso acha que dificilmente será punido, ele se arrisca.

No Acre esse efeito pode estar acontecendo nos chamados “batismos”, que segundo o estudo acadêmico Organizações Criminosas, Estrutura e Ações Coordenadas, é a exigência para entrada de um indivíduo em uma facção. A monografia afirma que nessa especialidade, “o B13 se consolidou como um fenômeno local, tendo se espalhado e propalado uma preocupação que gerou ações de combate por parte do Governo do Acre, sobretudo após as mensagens realçadas nas músicas autorais da facção acreana, onde estes ameaçaram diretamente a vida de policiais atuantes no combate ao grupo”, diz o documento.

Em fase de conclusão para ser apresentado ainda este ano para uma banca de examinadores da Universidade Federal do Acre, a pesquisa afirma que essa ação, pelas facções, disseminou uma forma de “crescimento às avessas” do modo que grandes organizações criminosas nacionais se consolidaram, fazendo dos crimes contra o patrimônio e contra a vida, sua principal fonte de faturamento e consolidação no cenário empresarial obscuro que carregam estas facções contrárias à lei.

De fato, nossas policias são as que proporcionalmente mais prendem e mais colocam cidadãos atrás das grades. A ideia é que a repressão, com provas contundentes, diminui a probabilidade do livramento do cárcere, mas na prática não isso que vem acontecendo.

Em recente entrevista concedida à imprensa, o juiz do Tribunal do Jurí do Tribunal de Justiça do Estado, Leandro Gross, afirmou que o número de inquéritos de homicídios que chegam até a Justiça é insignificante levando em consideração o alto índice de casos registrados no estado em 2017.

Os dados já foram realçados pelo delegado Walter Prado. Dos 450 casos de homicídios e chegaram até a Justiça somente 57 inquéritos. O Ministério Público do Acre apresentou pouco mais de 100 denúncias nas duas varas criminais do Fórum de Justiça de Rio Branco. “É visivelmente um número muito insignificante para o estado atual”, disse o juiz Leandro Gross.

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Destaque 7

Para tentar baixar preço do arroz e óleo, venda no varejo e atacado pode ser limitada no Acre

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O arroz e o óleo de soja terão de ser vendidos com limitações no comércio do Acre, numa tentativa de conter a alta dos preços dos produto. Nesta quarta-feira (23) uma recomendação do Ministério Público Estadual, Procon, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil exige, na prática, que o varejo do Acre venda 10 quilos de arroz e 5 unidades de óleo de soja por cliente. Os atacadistas e varejistas, a quem é dirigida a recomendação, não podem comercializar mais que 10 fardos de arroz e cinco caixas de óleo de soja (no atacado) ou 10kg de arroz e cinco unidades de óleo (quando no varejo) por comprador.

Nos melhores preços ao consumidor, o arroz chega a ser comercializado a R$ 24 o pacote de cinco quilos, algo jamais visto no mercado de Rio Branco. Já o vasilhame de 900 ml do óleo de soja custa R$6 quando o consumidor encontra um bom preço.

Além de possíveis práticas abusivas, os órgãos recomendantes alegam que a pandemia da Covid-19 mexeu com as relações de consumo de modo a contribuir para o aumento no preço de alimentos como arroz, óleo, leite e derivados.

A caixa de leite UHT custa R$ 5,20, em média, para o comprador do varejo. Em julho esse mesmo produto custava cerca R$ 3,50 na praça de Rio Branco. A recomendação é dirigida especificamente para a Associação dos Distribuidores Atacadistas do Acre (Adacre) e Associação dos Supermercados do Acre (Asas).

A expectativa é que ao estabelecer limite de aquisição, os produtos não faltem nas prateleiras e os preços caiam um pouco.

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Destaque 3

Nova companhia aérea desiste de operar em Cruzeiro do Sul e adia voos em Rio Branco

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A VoePass, a antiga Passaredo, jogou pelos ares o sonho dos consumidores de Cruzeiro do Sul opções de voos baratos. A companhia enviou comunicado à Infraero informando que desistiu de operar na cidade. Os motivos não foram informados.

O governador Gladson Cameli (Progressistas) chegou a divulgar para a imprensa que a VoePass prometia passagens aéreas baratas nos voos de Cruzeiro do Sul para Rio Branco, Porto Velho e Manaus. A VoePass chegou até a pedir orçamento a Infraero sobre os custos de locação dos espaços no Aeroporto de Cruzeiro do Sul.

Um dos motivos que levou a VoePass de operar em Cruzeiro do Sul foi a concorrência com a Gol. Em alguns estados do Brasil as duas companhias têm um acordo. A VoePass realiza o voo, mas as passagens são vendidas só pela Gol, como por exemplo. de Dourados (MS) para Guarulhos e de Salvador para Porto Seguro.

Outro motivo é que de Cruzeiro do Sul para Rio Branco a Gol usa o Boeing 737-700 com 138 assentos. Já a VoePass faria a rota entre as duas cidades com o ATR-72, modelo turboélice com 70 assentos. Companhia com aeronave maior consegue oferecer voos mais baratos por transportar mais pessoas em uma só vez.

A VoePass informou que os voos em Rio Branco não serão iniciados em setembro deste ano, mas no comunicado não informou os motivos do adiamento e nem a nova data.

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Destaque 6

Carne a 30, gás a R$ 100, arroz a R$ 22 e óleo a R$ 9: cesta básica chega a consumir 77% do salário mínimo dos acreanos

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Rio Branco teve a 4ª maior taxa de inflação entre as capitais no mês de agosto, com 0,54%

Algo que vem sendo unanimidade na capital acreana é a certeza de que a cada dia que passa os preços de gêneros alimentícios nas prateleiras dos supermercados só aumentam. Cada vez mais, os consumidores veem sua renda sendo consumida com aquisição comida. Não é só o consumidor que tem sentido a diferença nos preços. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no mês de agosto o acréscimo na inflação em Rio Branco foi de 0,54%, valor que é o 4º maior entre as capitais de todo o país.

Os grandes vilões da inflação na capital acreana foram os preços do tomate (12,98%), do leite longa vida (4,84%), das frutas (3,37%) e das carnes (3,33%). A carne, inclusive, para os consumidores, teve elevação de apenas 3,33% na pesquisa, bem abaixo do que é sentido na prática. A reportagem do ac24horas foi ao supermercado fazer um levantamento de preços de itens que compõem a cesta básica, chamados de gêneros de primeira necessidade. Alguns produtos chamam a atenção pela variação de preço dos últimos dias.

O óleo de cozinha, que pouco tempo atrás custava menos de R$ 4 o litro, hoje não sai por menos de R$ 6. Não era difícil encontrar a caixa de leite longa vida em promoção também por menos de R$ 4 reais. Atualmente, nas prateleiras, todas as marcas estão acima de R$ 5. A carne, pelo jeito, vai se tornar artigo raro na mesa das famílias que ganham menos. Um quilo de uma carne intermediária para bife como coxão mole está custando quase R$ 30. Esse era o preço do filé mignon praticado até pouco tempo nos açougues de Rio Branco. O jeito, de acordo com Pablo Aquino, é optar por outras alternativas. “O que tenho feito na minha casa é optar por mais frango e outros tipos de carne, como as com osso, que apesar de terem aumentado, ainda estão mais em conta”.

Dois outros itens apontados como dos que mais subiram de preço nas últimas semanas foi o arroz e óleo de cozinha. O ac24horas fez uma simulação de compra de itens básicos de alimentação. De fruta, foi incluída apenas banana e tomate. A cesta não tem nenhum tipo de verdura ou legume, apenas batata. Outro fator que contribui para mostrar o quanto a alimentação tem ficado com a maior parte do orçamento das famílias é que não foram incluídos artigos de limpeza doméstica, como sabão em pó e detergente, e de higiene pessoal, como sabonete e creme dental. Outro vilão do orçamento familiar também ficou fora da pesquisa que é o gás de cozinha. Depois dos últimos aumentos, uma botija de 13 quilos está custando quase R$ 100 reais em Rio Branco.

Os produtos pesquisados pelo ac24horas foram arroz, feijão, macarrão, açúcar, carne bovina, frango, manteiga, pão, farinha de mandioca, óleo de cozinha, café, pão, batata, tomate, banana e leite de caixinha. O custo foi mensurado para uma família de 4 pessoas e chegou a praticamente R$ 800 reais. Ou seja, se uma família almoçar e jantar todos os dias, apenas do básico, o valor com alimentação consome 77% de um salário mínimo, cujo valor atual é de R$ 1.045.

O resultado é uma verdadeira bola de neve que compromete a economia. Com mais gastos na alimentação, não sobra dinheiro para outros gastos como lazer, educação e saúde, o que pode comprometer a economia. Dona Maria das Graças Araújo, vem ao supermercado pelo menos três vezes na semana porque diz gostar de tudo bem fresquinho. Ela conta que a cada nova vinda os preços estão diferentes. “Eu não entendo de economia, mas tenho certeza que a inflação tá muito alta. Toda vez que venho os preços mudam. Pouco tempo atrás com 100 reais a gente saia daqui com um monte de sacolas, agora se duvidar, cabe tudo dentro de uma”, afirma.

Aumento da cesta básica em Cruzeiro do Sul: óleo chega a R$ 9

Em Cruzeiro do Sul , a exemplo do restante do Brasil, arroz e óleo de soja foram os itens mais majorados da cesta básica. O saco de 5 quilos de arroz custa R$ 22 e o óleo de soja alcança R$ 9. O empresário cruzeirense Junior Melo justifica os aumentos dizendo que os supermercados só repassam os reajustes que a indústria vem impondo ao mercado desde o início da pandemia de Covid-19 e acredita que este ano os preços seguirão sendo reajustados. Ele explica que não há óleo de soja para a venda.

“As indústrias suspenderam vendas do óleo de soja. Fecharam pra novas vendas por um prazo de cerca de 15 dias e na reabertura pode haver novidades. O Brasil exportou muita soja e o mercado deve normalizar na safra a partir de fevereiro do próximo ano”, diz Melo. No ultimo dia 31 de agosto o, Procon vistoriou 20 supermercados de Cruzeiro. Os donos dos estabelecimentos foram notificados a enviar nota fiscal dos últimos 03 meses e planilha de preço atualizado dos produtos da cesta básica e outros essenciais. O órgão aguarda a documentação pras enviar ao Ministério Público do Estado do Acre, onde são feitas as análises.

Não haverá tabelação

Apesar das constantes altas, o presidente Jair Bolsonaro declarou que não vai tabelar preços de produtos e apontou nova safra de arroz, que começa a ser colhida em dezembro e janeiro, com o inicio da normalização da situação de pandemia em todo Brasil. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), a pandemia do coronavírus fez os brasileiros comprarem mais alimentos, o que forçou preços para cima. Alegam ainda a disparada do dólar em relação ao real , o que encareceu os insumos da agropecuária.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), em nota, informou que nos últimos 25 dias observou uma alta de mais de 30% no custo da matéria-prima, além do reajuste já ocorrido em decorrência do aumento da demanda no início da pandemia. “Os preços praticados ultrapassaram em 290% o valor do preço mínimo estabelecido pelo governo federal. Importa destacar que a matéria-prima representa parte expressiva do preço de venda do arroz, o que reflete sobremaneira no preço final ao consumidor”.

Aumento da cesta básica em Xapuri:

A alta de preços nos supermercados começa a afetar custo de vida em Xapuri. Os aumentos expressivos dos preços de produtos básicos como arroz, feijão, carne, leite e óleo de soja, ocorridos nas últimas semanas, causam preocupação também em Xapuri, no interior do Acre, onde sempre se teve a ideia formada de um lugar com custo de vida significativamente menor que a capital, Rio Branco, além de outros municípios do estado.

Com as informações da imprensa nacional indicando que os aumentos seguirão pelos próximos meses, já que os preços no atacado ainda estão em alta, muita gente está adotando critérios rigorosos na hora de ir às compras. Uma das alternativas está sendo a de se ater cada vez mais aos itens extremamente essenciais, deixando fora da lista outros também fundamentais.

É o caso da dona de casa Antônia de Souza, de 48 anos, que afirma estar abrindo mão de alguns “luxos” para conseguir colocar a mesma quantidade de comida na mesa sem comprometer o pagamento de outras despesas, como as contas de água tratada e energia elétrica. Outra tática que ela usa é a de procurar atentamente os preços mais baixos.

“Temos que priorizar aquilo que é mais importante, além de diminuir as quantidades, na medida do possível, além de procurar o preço mais baixo. Por menor que seja a diferença do preço de um produto para outro similar, isso resulta numa economia no valor final das compras. Então temos que pesquisar, pois não sabemos até onde isso vai dar”, explica.

A reportagem do ac24horas no município elaborou uma lista baseada nos 13 itens e na quantidade de produtos da cesta básica pesquisada pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – em várias capitais brasileiras, demonstrando como estão os preços em alguns dos estabelecimentos comerciais de gêneros alimentícios da cidade.

O valor da cesta pesquisada em Xapuri (veja na tabela abaixo) é composto por uma média dos menores preços dos produtos listados em três dos principais mercados da cidade. Os números mostram que os itens que mais pesam no bolso na hora da feira são a carne bovina, o leite longa vida, o pão francês e a manteiga. Esses produtos representam mais de 50% do total da cesta.

No entanto, a exemplo da maioria das cidades brasileiras, os preços que mais estão causando sustos aos consumidores na atualidade são os do arroz agulhinha e do óleo de soja. O feijão também nunca esteve tão caro. Quanto à carne bovina, apesar dos aumentos recentes, em Xapuri o preço ainda está bem abaixo dos praticados em Rio Branco, por exemplo.

De acordo com um comerciante do setor de alimentos, que prefere não se identificar, os aumentos de preço “vêm de cima” e é inevitável que deixem de ser repassados ao consumidor. Segundo ele, grande parte dos produtos expostos nas gôndolas são vendidos com uma margem muito baixa de lucro ou até mesmo com lucro zero, em algumas situações.

“Tem havido uma onda de críticas nas redes sociais contra os supermercados, que quase sempre são acusados de ser os responsáveis pelos aumentos que têm ocorrido. Na maioria das vezes, isso não passa de falta de conhecimento. As altas de preços nas notas fiscais não podem deixar de ser repassadas ao consumidor sob pena de inviabilizar o negócio”, afirmou.

De acordo com o IBGE, os principais percentuais de aumento nos preços de produtos da cesta básica neste ano são os seguintes: arroz (19,2%), feijão carioca (12,1%), óleo de soja (12,2%), batata inglesa (9,7%) e tomate (12,3%). São os itens do chamado prato feito, tradicional mistura de arroz, feijão, salada e carne, que aumentou 20% em 2020 com relação a 2019.

Rango minguado

O Decreto-Lei nº 399, de 30 de abril de 1938 (ainda em vigor), que instituiu as Comissões do Salário Mínimo, estabelece o conjunto mínimo de alimentos necessários para as refeições de uma pessoa adulta durante um mês. Também chamada de rango minguado, a cesta básica brasileira não possui vitaminas e minerais suficientes para garantir uma alimentação satisfatória.

Tendência de alta

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, 9, a alta de 0,24% na inflação oficial do país em agosto. O Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA) subiu 2,44% em 12 meses, enquanto a inflação dos alimentos subiu 8,83%. Os que chamam mais a atenção são exatamente o arroz, com alta de 19,2%, e o óleo de soja, que subiu 18,6% no período.

Calculado pelo IBGE desde 1980, o IPCA se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC), São Luís (MA), Aracaju (SE) e de Brasília (DF).

Entre as muitas explicações que os especialistas têm dado para a alta de preços, destacam-se o dólar alto, que tem incentivado as exportações, diminuindo a oferta interna, o estímulo ao consumo promovido pelo auxílio emergencial do governo durante a pandemia, e o período de entressafra. Expectativa é de que os preços permaneçam altos até o fim do ano.


POR LEÔNIDAS BADARÓ – SANDRA ASSUNÇÃO E RAIMARI CARDOSO 

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Cotidiano

Fábrica de Preservativos de Xapuri recebe certificação do Inmetro e retoma produção em 2020

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Empreendimento mantém viva a expectativa de geração permanente de emprego e renda no município

A Indústria de Produtos de Látex da Amazônia, que gerencia a fábrica de preservativos masculinos de Xapuri, agora conhecida como Iplasa, anunciou nesta semana a retomada da produção no ano de 2020 após uma parada de oito meses em razão da falta da certificação do Inmetro, concedida no último dia 7 de julho pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT.

O INT é o primeiro órgão público federal acreditado pela Cgcre – Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro – como organismo de certificação de produtos. A auditoria realizada para a certificação inicial do preservativo produzido pela indústria acreana aconteceu no período de 18 a 21 de maio deste ano, tendo todo o processo sido feito de maneira remota, em razão da pandemia do novo coronavírus.

Os produtos certificados pelo INT ostentam no Selo de Identificação da Conformidade a marca do Inmetro ao lado da marca do órgão certificador. A certificação representa mais uma conquista para o empreendimento público-privado que mesmo com a crise causada pela covid-19 mantém os seus cerca de 100 colaboradores registrados e aptos a retornarem ao trabalho.

De acordo com o presidente da empresa, Emerson Feitoza, por falta da certificação as atividades desenvolvidas pela fábrica nos últimos oito meses ficaram restritas a processos relacionados à produção anterior e a fabricação de um lote piloto para a avaliação da certificadora. Segundo ele, não houve paralisação em razão da pandemia, mas unicamente pela ausência do certificado.

“A paralisação da produção se deu apenas pela falta da certificação. Com a chegada da pandemia, amparada pelos decretos estadual e municipal, a fábrica seguiu em funcionamento nas atividades de seus diversos setores, com exceção da parte fabril, que foi reativada na última quinta-feira. Esse ano não produzimos nada, não faturamos nada, mas mantivemos os emprego de todos”, afirmou.

Segundo o empresário, para este ano a Iplasa ainda tem um montante de 24 milhões de camisinhas para serem despachados ao Ministério da Saúde (MS). Para a continuidade da missão de manter a produção e os empregos, a indústria acaba de receber um incentivo considerável do município de Xapuri por meio da redução de 50% do valor do ISS – Imposto sobre Serviços – por um prazo de 12 meses.

“Foi muito bem-vinda a medida do município, pois com isso a indústria pode se capitalizar, com base no incentivo que reduz de 5% para 2,5% a alíquota do ISS, e honrar com mais tranquilidade os seus compromissos, no que diz respeito à folha de pagamento e aquisição de insumos, enquanto durar o período complicado que estamos enfrentando”, explicou o administrador.

Emerson Feitoza esclareceu também que o retorno dos funcionários ao trabalho vai ocorrer gradativamente, na medida em que os setores que foram paralisados forem retomando as atividades, como os responsáveis pelos processos de teste, embalagem e expedição. Inicialmente, retornarão aos seus postos cerca de 45 colaboradores.

As primeiras remessas de preservativos referentes ao reinício da produção – cerca de 4,7 milhões de unidades – terão como destino os estados da Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso, além do Acre. O prazo previsto para essa expedição é de 45 dias. A certificação do Inmetro tem a validade inicial de três anos para a fabricação de preservativos masculinos de látex de borracha natural.

Da falência a uma esperança de futuro

Inaugurada em 2008 pelo governo do estado em parceria com o governo federal, a fábrica de preservativos masculinos de Xapuri foi anunciada como redenção do extrativismo e saída sustentável para a combalida economia do município, que viveu um momento de sonho quando aportou na cidade o empreendimento de US$ 10,6 milhões, financiado pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Durante 10 anos sob gestões estaduais passadas, a fábrica chegou a gerar cerca de 170 empregos diretos no município, absorvendo látex nativo de 200 seringueiros, em média, apesar de o número de famílias extrativistas cadastradas chegar a 700. Foi um período de euforia em que as boas notícias que ganhavam o mundo pelas páginas dos jornais escondiam o fato de que o empreendimento possuía um futuro incerto.

Em 2018, a fábrica foi à falência em razão do alto custo do preservativo produzido em Xapuri. O valor de R$ 0,14 pela unidade da camisinha acreana pago pelo Ministério da Saúde inviabilizou a produção depois que o governo do estado não conseguiu mais arcar com o custo excedente.

A saída encontrada pelo governo para não ver o projeto morrer, foi repassar o empreendimento à iniciativa particular, em 2018, por meio de uma parceria público-privada (PPP). Com isso, a nova gestora da fábrica passou a ser a empresa CLPO, ligada ao grupo Lima Pontes S/A, que para administrar o negócio criou a firma chamada Indústria de Produtos de Látex da Amazônia S/A.

Nos últimos dois anos, a nova gestão fez pesados investimentos na recuperação dos maquinários e no reposicionamento da indústria para um sistema voltado à obtenção do lucro financeiro. Assim, o empreendimento passou por uma verdadeira reforma nos seus processos de gerenciamento, tendo como resultado uma impressionante redução nos custos operacionais com relação ao que era praticado na gestão estatal.

A mudança de controle da fábrica também enfrentou sérios problemas de ordem burocrática, principalmente no que se refere ao contrato de fornecimento de preservativos com o Ministério da Saúde, cujo gestor é o governo do estado por meio da Funtac. A grande dificuldade consistia em um entrave jurídico que restou do processo de privatização da antiga Natex que impedia que a nova gestão recebesse os pagamentos efetuados pelo MS.

A questão foi resolvida por meio de um novo contrato firmado entre a fundação estatal e a Iplasa para a fabricação das camisinhas. Dessa maneira, a falência da Natex se converteu em esperança da manutenção dos empregos e do sonho de muita gente para que o empreendimento se mantenha de pé. Com os duros efeitos da pandemia de covid-19 que o mundo e o Brasil enfrentam, mais do que nunca Xapuri e o Acre vão precisar.

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