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EXCLUSIVO: Facções do Acre agem como empresas frustrando o Palácio Rio Branco com manutenção de mortes violentas

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De acordo com o organograma apresentado na primeira série de reportagem: Tribunal do Crime, o ac24horas mostrou que a gestão das facções no Acre tem atividades dentro e fora dos presídios. Estudos a respeito do sistema penitenciário no país apontam para um abandono por parte do Estado, e uma “adoção” por parte do poder público, que assim estaria “legitimando” as facções criminosas dentro deles. Nesta segunda série, a proposta é mostrar a migração dessa gestão de dentro para fora dos presídios. Longe da calmaria aparente do cárcere privado, os chefões dos grupos criminosos ampliam seus negócios através de “braços” das facções, impactando em mais homicídios na guerra pelo controle do tráfico de drogas nas regionais do Acre e cidades interioranas.

#EXCLUSIVO
O julgamento sumário e execuções comandadas pelos Conselho da maior facção do Acre, o Bonde dos 13

Quem começa relatando essa história de diversificação do crime no Acre é um agente penitenciário que, temendo represálias, pediu para não ter seu nome revelado. Ele confirmou que as facções no Acre passaram a se fortalecer ainda mais, ganhando status de poder e controle interno, a partir do momento em que os líderes dentro dos presídios, dividiram os pavilhões em feudos, opinando até nas transferências dos detentos de um pavilhão para outro. “Ou seja, quem decide se um preso vai para outra unidade é o próprio preso, numa inversão de comandos”, acrescenta o agente.

Estudo do Ministério Público Estadual e relatório da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado, a DECCO, demonstram que esse controle de território ultrapassou os muros penitenciários e se alastra pelos bairros de Rio Branco e até no interior. E o mais grave, o crescimento das organizações criminosas no Acre está diretamente ligado ao aumento da violência.

Os dados analisados mostram que até o ano de 2012, o número de homicídios registrado em todo o estado ficava relativamente em uma média. Após a criação do Bonde dos 13, dentro da Unidade de Recuperação Social Francisco de Oliveira Conde (FOC) no pavilhão J, as taxas de homicídios subiram drasticamente.

Como mostra o gráfico que consta no relatório da DECCO, de setembro a novembro de 2017, o número de homicídios saltou de 203 para 460. O crescimento assustador da violência levou o promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre, Rodrigo Curti, titular da 10ª Promotoria Criminal de Rio Branco, a se manifestar pelas redes sociais, afirmando que, se o Acre fosse um país, estaria entre os quatro mais violentos do mundo. “Novembro: 461 homicídios registrados no Estado do Acre. Taxa de 55,5 homicídios para cada 100.000 habitantes”, escreveu o promotor.

De fato, 2017 foi o ano mais violento da década. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança (Sesp), o estado registrou pouco mais de 300 homicídios em 2016. Ano passado, até novembro, eram mais de 460 mortes.

A frustração do Palácio Rio Branco

Uma fonte do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Acre disse que a cúpula do governo esperava que no início do ano ocorresse uma estabilização nos homicídios “pela tendência de uma das facções ampliar seu domínio sobre as outras”.

O número de homicídios registrado na primeira quinzena de janeiro deste ano – um total de 29 execuções – teria sido, segundo uma fonte da PM, decisivo para o governador do Acre mandar o coronel Júlio César de volta para a reserva e convocar o coronel da ativa Marcos Kimpara para assumir o desafio de comandar a caserna.

A capital do Acre vive o que o setor de inteligência classifica como dinâmica entre as facções. Agindo como empresas do tráfico, as organizações criminosas permitem o crescimento de novos grupos considerados “braços” no domínio e controle do tráfico de drogas nas regionais. Os sinais dessa estratégia estão nas pichações espalhadas em regiões periféricas, mas também em bairros nobres como o Residencial Green Garden, no São Francisco, em Rio Branco.

Segundo o especialista em segurança pública, as pichações são para demarcar que o território do bairro tem “dono”. Moradores entrevistados pela reportagem comentaram que as siglas foram pintadas por “soldados do tráfico”, sendo a maioria durante a madrugada.

O militar que não permitiu a divulgação de seu nome, nega a existência de um acordo entre a cúpula da Segurança Pública do Estado e os Conselhos das Facções, para o fim das rebeliões dentro dos presídios de Rio Branco ou diminuição dos homicídios. Para ele, a ruptura é visível na demonstração de forças entre as partes e no aumento dos crimes violentos. “As marcas estão até nos corpos das vítimas”, revelou.

O ac24horas teve acesso a uma imagem forte, que mostra perfeitamente a crueldade com que as facções vêm agindo em Rio Branco. As inicias “CV” que significa Comando Vermelho, foram marcadas no corpo de uma das vítimas do grupo, conforme laudo do Instituto Médico Legal.

Sufocado pelo crescimento do Bonde dos 13, considerado, de acordo relatório do Ministério Público como maior facção do estado, o Comando Vermelho teria dado autonomia às suas lideranças para agir da forma como quiserem em seus territórios, uma queda de braço que ao mesmo tempo estende os sustentáculos das facções, fazendo vítimas entre as “famílias” e centenas de inocentes, pessoas que muitas vezes estão no lugar errado, na hora errada.

Para o delegado Messias Ribeiro, a perda de controle dentro dos presídios – com os presos organizando as ações – impactou fora dos muros. A análise semelhante tem o Ministério Público Estadual que ao declarar o Bonde dos 13 como um produto de estado ausente, afirma que apesar de não se tratar de fenômeno recente, “o crescimento dessas organizações criminosas representa uma grave ameaça não apenas à sociedade, mas também ao próprio estado democrático de direito”.

De fato, a influência que os grupos criminosos exercem, principalmente pelo grau de lesividade penais praticados, vem mudando a rotina da sociedade, mexendo até na prática daquilo que é mais sagrado.

“Com o poder público impotente, a sociedade civil procura se adaptar a essa realidade, mesmo com sentimento ilusório de segurança. As Igrejas Evangélicas, principalmente nos finais de semana, alteraram o horário dos cultos para que os fieis cheguem mais cedo na volta pra casa. Vivemos um estado de calamidade pública”, disse o presidente da Associação dos Ministros Evangélicos (Ameacre), pastor e teólogo Paulo Machado.

É do setor de inteligência e análise criminal da Policia Militar outro documento que a reportagem teve acesso exclusivo que mostra o crescimento da violência nas regionais e no interior do estado. A Baixada da Sobral, em Rio Branco, é a considerado o lugar mais violento, nos bairros da regional, os crimes violentos letais cresceram 330%.

O crescimento das facções também exerceu forte influência nas cidades do interior. Em Porto Acre, foram 11 mortes até a metade do ano de 2017. O aumento de homicídios foi de 1.000%. Depois vem Sena Madureira, com 650% no registro de mortes violentas.

Nova filosofia de trabalho

Em entrevista exclusiva ao jornalista Luciano Tavares, o coronel Marcos Kinpara, que atuou nas Forças de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), comandou tropas em missões no Sudão do Sul, na África, há três anos e há 20 anos pertence a Polícia Militar do Acre, prometeu uma nova filosofia de trabalho. “Eu gosto de estar na rua”, disse o oficial.

O novo comandante da PM prometeu a volta de um dos grupamentos mais elogiados da corporação, o policiamento das bicicletas. Kinpara está ouvindo a tropa e fazer um diagnóstico que será apresentado ao governador Sebastião Viana.

“Eu sei que um policial só trabalha se ele tiver condições. Eu tenho que dar essas condições pra eles. Tenho que ouvir eles primeiro. Uma das minhas primeiras atitudes é visitar as unidades e conversar com os policiais para entender e fazer um diagnóstico de como que está a nossa Polícia Militar.” Concluiu o coronel.

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Cotidiano

Trio é preso acusado de tráfico de drogas no município de Cruzeiro do Sul

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Durante abordagem realizada no final da tarde dessa quinta-feira, 14, policiais militares do 6º Batalhão do município de Cruzeiro do Sul conseguiram detectar em um carro, (modelo Siena) três homens suspeitos de praticar tráfico de entorpecentes na cidade.

De acordo com a guarnição policial, a prisão aconteceu no momento em que avistaram os suspeitos em atitude suspeita ao notarem a presença da polícia. Os policias informaram que eles tentaram fugir da PM.

No entanto, a equipe policial conseguiu interceptar os acusados. Durante vistoria no veiculo, a guarnição ainda encontrou droga e mais R$1.090,00 reais.

Após a ordem de prisão, ocorrida em flagrante, os três acusados foram encaminhados para delegacia geral de Cruzeiro do Sul.

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Cotidiano

Laboratório de Rio Branco deve indenizar paciente por demora na entrega de exame

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O 1º Juizado Especial Cível da Comarca de Rio Branco condenou laboratório a pagar R$ 4 mil de indenização para a autora do Processo n°0006190-32.2018.8.01.0070, em função de a empresa ter demorado para entregar resultados à consumidora.

A reclamante, que enfrentava um câncer de mama, contou que fez um exame em novembro de 2017 e até o dia 15 de janeiro de 2018 não tinha recebido os resultados, e precisaria dos exames para levar a uma consulta médica. O laboratório reclamado, por sua vez, argumentou que o material recebido estava incompleto.

Na sentença, publicada na edição n°6.290 do Diário da Justiça Eletrônico, a juíza de Direito Lilian Deise, titular da unidade judiciária, ressaltou que “apesar do material ter sido entregue ao laboratório de forma incompleta, observa-se que houve a demora na sua execução.

Portanto, a magistrada julgou procedente o pedido da consumidora, registrando que “o laboratório contratado incorreu na demora na execução de sua prestação de serviço, e a situação suportada foi grave o suficiente para atingir os direitos de personalidade da parte reclamante, em face da gravidade do caso, em que esta se submeteu à realização de exame na rede privada para obter um resultado mais rápido e eficaz”.

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Acre 01

Ilderlei aponta soluções para famílias que residem em áreas de risco em Cruzeiro do Sul

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Em visita ao abrigo público, instalado no Ginásio Alailton Negreiros, o prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro, destacou medidas que devem ser adotadas para mitigar os danos causados pela enchente do Rio Juruá, que ocorre anualmente.

Segundo o líder do poder executivo em Cruzeiro do Sul, é de extrema urgência que o Governo Federal inicie ainda este ano a construção de unidades habitacionais, transferindo em definitivo as famílias das áreas de riscos para locais adequados.

Se antecipando aos investimentos necessários em habitação, a Prefeitura já localizou dois terrenos para a construção das casas populares. No local, está sendo construída a rodoviária e toda infraestrutura necessária.

“No ano passado, entreguei, acompanhado do governador Gladson Cameli, o requerimento solicitando, à Defesa Civil Nacional, a construção de 1.008 casa populares no nosso município. Caso o Governo Federal não construa essas unidades, já me comprometi com as famílias em preparar a área e realizar a transferência das residências, pois isso é uma questão de humanidade e zelo com a vida do cidadão”, frisou o prefeito.

Enquanto não tem o decreto de Situação de Emergência acatado pela Presidência da República, a gestão municipal tem aplicado recursos próprios para atender a população vitimada com as águas. No abrigo público, as famílias recebem atendimento de saúde, social e alimentar.

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Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Keiliane Cordeiro, as famílias estão sendo atendidas com todos os programas e serviços. “Quando a Defesa Civil faz a retira das famílias, a Secretaria de Desenvolvimento Social atua conjuntamente. Nós estamos com as equipes do CRAS, CREAS, Serviço de Convivência e demais programas municipais aqui no abrigo. Atendemos adultos e crianças a fim de minimizar os danos causados pela catástrofe e facilitar a convivência entre as famílias”, salientou a primeira-dama de Cruzeiro do Sul.

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