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Nota de Ulysses supostamente criticando Gladson gera mal estar e governador diz que “providências serão tomadas”

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Uma nota de esclarecimento divulgada neste sábado, 27, pelo Comandante da Polícia Militar do Acre, Coronel Ulysses Araújo, pode desencadear uma série de acontecimentos na estrutura da segurança pública do Acre. Ao comentar sobre o episódio em que policiais militares estariam fechando comércios e camelôs, o chefe da caserna acabou criticando indiretamente o governador Gladson Cameli e a prefeita de Rio Branco, Socorro Neri, responsáveis por expedir decretos de isolamento social em combate a pandemia de covid-19.

Para tirar a responsabilidade da PM sobre o episódio, o comandante afirmou que as ações intentadas contra os trabalhadores não possuem caráter policial,. “Tratam-se de atividades de fiscalização realizadas pela Prefeitura Municipal de Rio Branco, por meio de seus fiscais e vigilância sanitária, cabendo a Polícia Militar o acompanhamento para que as ordens da fiscalização sejam cumpridas, conforme decreto em vigor, bem como assegurar aos dois lados a segurança e mediação de conflitos, a fim de se evitar agressões e vandalismo que não compactuamos”, disse.

De acordo com Ulysses, no início da crise pandêmica o isolamento social foi justificado para evitar que o sistema de saúde entrasse em colapso, caso a medida de interrupção das atividades não fosse adotada. “Passaram-se três meses e o discurso permanece o mesmo. Não sabemos até quando essa situação vai perdurar, todavia essa indefinição está causando instabilidade na sociedade e essa conta não pertence à Polícia Militar, pois nossa corporação não parou um segundo as suas atividades ostensivas e operacionais nas ruas”, argumentou o comandante, sem citar os nomes das autoridades.

“Na condição de Comandante Geral da Polícia Militar do Acre não autorizo o uso da força para constranger ou intimidar trabalhadores e cidadãos de bem, que buscam o seu sustento e da sua família, pois o direito à vida se sobrepõe a qualquer outro direito, lei, decreto ou opinião isolada de qualquer segmento social ou instituição, uma vez que a luta pela sobrevivência é um direito natural e inalienável da pessoa. Para tanto a Polícia Militar deve fazer cumprir as ordens emanadas das autoridades constituídas e eleitas pela população, mas, acima de tudo, está o nosso compromisso de servir, proteger e cuidar da população de bem”, explicou o Coronel,a afirmando que os militares apenas obedecem ordens das autoridades.

Reforçando o discurso que as atitudes não condizem com o que pensa a coorporação, Ulysses afirmou que a Polícia Militar do Acre “tem dono, pertence ao povo acreano, portanto quando você ofende a nossa corporação também está ofendendo a população a qual juramos sacrificar a nossa vida”.

“Nessa esteira, não cessamos de dizer que a PMAC é um patrimônio do povo Acreano. Por essa razão, a Polícia Militar é solidária a este povo nesse momento tão difícil que todos estamos passando e renova o seu compromisso de servir, proteger e cuidar, assegurando sempre a transparência e seriedade de suas ações”. disse o comandante no comunicado.

DESDOBRAMENTOS

A declaração de Ulysses caiu como uma bomba dentro do governo e assessores consideraram o ato como afronta. Ao ac24horas, por meio de sua porta-voz, a jornalista Mirla Miranda, o governador afirmou “que providências serão tomadas”. Não se sabe quais providências seriam essas e a assessoria resumiu a mensagem apenas a isso.

O ac24horas entrou em contato com o Coronel, que afirmou desconhecer qualquer descontentamento por parte do governo e afirmou que tornou sem efeito a primeira nota de esclarecimento emitida e logo em seguida divulgou uma segunda.

“O Comando da Polícia Militar do Estado do Acre vem a público tornar sem efeito a nota anterior sobre a ação da Polícia Militar no camelódromo, uma vez que tomou repercussão com viés político, não sendo esta a sua intenção. Em nenhum momento a nota foi feita com o intuito de criticar as medidas de isolamento adotadas pelo governo do Estado e da Prefeitura de Rio Branco, pois sabemos que são medidas necessárias e com fundamento técnico-científico da área da saúde pública e que não está na esfera de avaliação da Polícia Militar”, aponta trecho do novo comunicado.

Ulysses reforçou que a PM está subordinada ao Governador, conforme Artigo 144, §6º, da Constituição Federal, portanto, “dele recebe ordens que lhes são emanadas, tendo como missão constitucional servir, proteger e cuidar da população acreana, bem como manter a lei, a ordem e a paz social, além de prezar pela harmonia entre as instituições”.

Araújo reforçou que a Polícia Militar sempre se fará presente para assegurar a ordem e incolumidade física de todas as pessoas, até mesmo em manifestações pacíficas garantidas por lei, razão pela qual, em ações futuras, jamais pactuaremos com condutas que visem à desordem e à desestabilização da paz social.

SUPOSTO ATRITO JÁ VEM DE ANTES

Em maio passado, Ulysses já havia criado um desconforto no Palácio Rio Branco quando confirmou que seria candidato em 2022 ao governo. Na época, Cameli cogitou em substituí-lo, mas após o militar recuar de que não seria mais candidato ficou no cargo.

Em abril deste ano, Ulysses completou 30 anos de serviço na PM, já tendo o direito de ir para a reserva. O governador teria inclusive perguntado isso para ele na época e o coronel disse que essa não era a sua intenção “pois estamos fazendo um bom trabalho”.

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