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O vírus não admite demagogia

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Incorporei à rotina, nesses últimos três meses, elucubrar meia horinha por dia sobre as tendências da pandemia. Leio os boletins do fim de tarde, as notícias mais frescas, o que há de dados novos sobre a proliferação da doença, quantidade de infectados, de recuperados, de hospitalizados, disponibilidade hospitalar. Preencho minhas planilhas, atualizo gráficos e tento digerir os resultados.

Há fartura de informações, a começar dos registros diários do próprio sistema de saúde, indicadores do isolamento, óbitos anotados nos cartórios, amostragem e pesquisas de todo tipo. O que poderia ser um enunciado da Teoria do Caos é que não há modelo que resista por muito tempo a dados demais que interfiram ou determinem seu resultado. E, no desenvolvimento da pandemia, é necessário respeitar o ciclo de contágio e desenvolvimento da própria doença. O retrato de hoje é sempre resultado do que aconteceu vários dias atrás. Isso vale para os infectados e vale para a capacidade que o Estado tem para atender as demandas, desde os diagnósticos, a disponibilidade de profissionais, equipamentos e leitos essenciais ao tratamento.

A grande discussão é sempre por conta do isolamento. Quando começa, qual a intensidade, abrangência e como, quando, terminará. Foi até desenvolvido um índice para medir o quanto as pessoas estão respeitando o isolamento, baseado na movimentação dos telefones celulares. O Acre tem até se comportado bem nesse quesito frente aos outros Estados, porém os números mostram um crescente relaxamento, que é visível no trânsito e nas ruas de comércio.

Também temos um percentual bem pequeno de subnotificação dos óbitos. Um trabalho publicado na semana passada indica que, ao contrário daqui, em outros locais do país muitos casos são registrados como sendo de síndrome respiratória indeterminada e não a Covid-19. Há cidades onde, para cada caso da virose há mais uma dezena de outros SRAG.

Mais um estudo recente mostrou que há, ao menos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, uma considerável parcela da população que já desenvolveu anticorpos. Ainda estamos longe dos 70% que dizem serem necessários para chegarmos à tal “imunidade de rebanho”, mas os números, da ordem de 10 a 15%, são muito expressivos.

Por final, o governo estadual e as prefeituras têm sido relativamente eficientes para estabelecer medidas de proteção que levam em consideração as características de cada cidade e para ampliar a capacidade de tratamento. Há aqui um foco no problema, a despeito das trapalhadas e sabotagem praticadas pelo Governo Federal.

Enquanto não existe vacina ou antídoto, o negócio é a gente se proteger ao máximo e, principalmente, proteger os que estão nos grupos de maior risco para não congestionar os hospitais. Aquela já batida história de achatar a curva.
Estamos num momento que os casos começam a diminuir nas grandes cidades e aumentar nas menores, com menos recursos hospitalares para tratamento dos mais graves. No interior, na zona rural, nas comunidades indígenas e ribeirinhas o estrago tende a ser de proporções gigantescas.

Por enquanto os números dizem que o Acre tem se saído bem no cômputo geral. Certamente poderíamos ainda melhorar em atitudes individuais de distanciamento e higiene, mas que dependem menos do Poder Público. A pressão crescente pela retomada das diversas atividades paralisadas impõe esse desafio à população.

Com mais conhecimento sobre a doença, mais informações sobre sua distribuição nos bairros, cidades e regiões e tratando o problema sem demagogia, com transparência e credibilidade, ainda imagino que conseguiremos sair dessa pandemia somando o mínimo de perdas.


Roberto Feres escreve às terças-feiras no ac24horas

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