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Isolamento recua e novos casos de covid-19 avançam no Alto Acre

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Com mais de 430 casos positivos do novo coronavírus até esta terça-feira (9), os quatro municípios da regional do Alto Acre concentram cerca de 5% do total do estado, que já ultrapassou a marca dos 8,4 mil casos confirmados com 223 mortes. De acordo com a última atualização do Boletim da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), o total de mortes registradas nos municípios de Brasiléia, Assis Brasil, Epitaciolândia e Xapuri somavam 13 e 162 pessoas haviam sido curadas.

O avanço abrupto da doença na regional se deu em cerca de 45 dias, com marco inicial em 27 de abril a partir de Xapuri. Com o impacto da chegada da doença e das consequentes medidas restritivas tomadas pelo governo do estado e pelos municípios, o comportamento inicial da população foi de se isolar e manter o distanciamento social. Isso pôde ser comprovado pelas imagens de ruas desertas divulgadas na internet.

No entanto, depois das primeiras semanas, o isolamento social, chamado por muitos de quarentena, foi sendo espontaneamente relaxado e logo as ruas estavam de novo cheias em vários municípios acreanos, não sendo diferente no Alto Acre. Cerca de duas semanas depois, os casos nas quatro cidades localizadas nos últimos 200 quilômetros da BR-317 saíram da casa das poucas dezenas para as mais de quatro centenas.

Em Xapuri, a Secretaria Municipal de Saúde continua recebendo constantes denúncias de que pessoas com diagnóstico positivo ou que tiveram contato direto com pacientes confirmados de covid-19 não estão respeitando as determinações de quarentena e continuam a circular pelas ruas e ir a supermercados. Nas vias públicas, a movimentação tem sido sempre dentro da normalidade rotineira, com exceção da adesão ao uso de máscaras.

Outra situação que tem sido comum no município e que aparenta estar tendo efeito considerável sobre o aumento do número de casos da doença causada pelo novo coronavírus é a realização dos famosos “piseiros”, que consistem em animadas festas, organizadas em residências, com aglomeração de pessoas em desobediência aos decretos municipal e estadual que determinam o isolamento social.

Na divulgação do Boletim Municipal da Covid-19 da última segunda-feira (8), quando foram inseridos mais 14 casos positivos à estatística local, o secretário municipal de saúde de Xapuri, Wagner Soares de Menezes, confirmou as denúncias que chegam à sua secretaria e fez um apelo à população pela obediência às normas de prevenção adotadas desde o início da pandemia e reforçadas recentemente com a edição de um novo decreto.

“Nós temos visto que em muitos lugares onde houve aglomerações surgiram casos entre as pessoas que estavam nesses locais. Da mesma forma, queremos alertar que temos muitos casos positivos entre pessoas jovens, mas já começam a surgir confirmações entre pessoas idosas e do grupo de risco, com problemas de saúde. Certamente, esses jovens vão levar a doença para casa e afetar as pessoas de risco”, disse o secretário.

Nas redes sociais, muitos moradores criticam a falta de medidas mais duras por parte das autoridades municipais para se fazer cumprir as determinações. O servidor público José Gonçalves de Oliveira diz em uma postagem que apenas volantes (serviço de som automotivo) orientando o uso de máscaras e álcool gel não vai resolver nada.

“Se existe o decreto proibindo aglomerações, festinhas e outras atividades, é fazer funcionar na prática. Teoria, já está claro que as pessoas não irão respeitar. No (bairro) Laranjal, toda tarde tem um racha no campinho de futebol. Nos fins de semana é piseiro para todo lado, e quem fiscaliza? Ninguém”, reclamou o funcionário.

Na atualização dos dados desta terça-feira (9), o secretário Wagner Menezes voltou a tocar no assunto e disse que a Secretaria Municipal de Saúde não tem poder para impedir que as pessoas façam festas e promovam aglomerações em espaços privados. Ele voltou pedir a consciência e a colaboração da população para impedir que a propagação do vírus continue a crescer no município.

Nesta terça-feira, Xapuri chegou aos 106 casos positivos de covid-19 e se tornou o terceiro município da regional a superar os 100 casos confirmados da doença. O município de Brasiléia já tem mais de 152 casos registrados, Epitaciolândia 102 e Assis Brasil 78, conforme os últimos dados divulgados pelas secretarias municipais.

No município da tríplice fronteira, um morador com quem o ac24horas conversou classificou o isolamento social como “frouxo”. Segundo ele, o índice de contaminação em Assis Brasil é altíssimo e que se fossem feitos testes rápidos na população o resultado seria um número dez vezes maior. A reportagem tentou manter contato com o prefeito Antônio Barbosa, o Zum, mas não obteve êxito até o fechamento desta matéria.

Reportagem do jornal O Alto Acre publicada na última segunda-feira relata que a situação de desrespeito ao isolamento social também é averiguada nos municípios vizinhos de Brasiléia e Epitaciolândia. Segundo o jornalista Alexandre Lima, as filas em casas lotéricas e bancos ainda são comuns nesses dias de aumento do número de contágios, assim como a resistência ao uso de máscaras, que é medida obrigatória nos espaços públicos.

A Secretaria de Saúde Brasiléia afirma que “tem coordenado as ações desde o início dos primeiros casos de covid-19 no estado por meio da distribuição de máscaras, montagem de barreiras sanitárias, orientando a população nas filas de bancos e lotérica, dialogando, conscientizando e levando informações importantes para que todos saibam que além do poder público fazer suas ações a população precisa se ajudar, tomando todos os cuidados na rua e também em casa”.

Com cerca de 65 mil habitantes, a regional do Alto Acre possui apenas um hospital de referência para os quatro municípios, o Raimundo Chaar, em Brasiléia, que não possui nenhum leito de UTI – Unidade de Terapia Intensiva. No que diz respeito à estrutura destinada a pacientes de covid-19, a unidade conta com 13 leitos disponíveis, sendo 7 para casos mais críticos, com oxigenoterapia e monitor cardíaco, e 6 leitos para pacientes menos críticos.

De acordo com o enfermeiro Janildo Moraes Bezerra, diretor do Hospital Regional do Alto Acre, não existe previsão da Secretaria de Estado de Saúde para a implantação de leitos de UTI na unidade hospitalar. Segundo ele, havia, nesta terça-feira (9), apenas um paciente hospitalizado com covid-19 no Raimundo Chaar. A lotação máxima dos leitos disponibilizados, registrada até agora, foi de 70% de ocupação, o que ocorreu há cerca de 15 dias.

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