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Governo Cameli não consegue tocar obras e já tem elefante branco como símbolo da inoperância

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Proteger o CPF do governador Gladson Cameli parece se sobrepor a capacidade do estado concluir obras inacabadas e investir recursos de financiamentos internacionais.

Uma luz vermelha foi acesa essa semana no Palácio Rio Branco. O governador Gladson Cameli quer identificar quem vem travando obras importantes para o desenvolvimento do estado, a maioria delas de financiamento internacional. Com mais de R$ 150 milhões nos cofres públicos, a gestão sofre com burocracia, tudo em nome de proteger o CPF do governador.

“É uma questão de transparência, afinal de contas é o meu CPF”, disse o governador Gladson Cameli durante a visita de uma força-tarefa do Ministério Público nas obras do Hospital de Campanha em Rio Branco.

O tom dado pelo gestor parece ser o maior desafio de sua equipe econômica. Como tocar obras sem corrupção, desenvolver ações estratégicas para o estado e fazer com que as pessoas tenham compromisso com o resultado.

E olha que o fantasma da burocracia ronda a Casa Civil desde os primeiros dias de governo e foi responsável pela queda de nomes importantes, o primeiro deles, o ex-secretário Raphael Bastos, do planejamento, depois o controlador geral Rui Oscar, e por último, mexidas no coração da gestão com a saída de Maria Alice e Semírames Plácido, ex-secretárias de planejamento e fazenda, respectivamente.

GPPE foi extinto com exonerações do chamado Núcleo Duro, mas a gestão patina na aplicação dos recursos internacionais

Raphael Bastos era o único com coragem de bater de frente com os integrantes do chamado Grupo Permanente de Planejamento Estratégico (GPPE) composto no início do governo por Ribamar Trindade, o controlador Rui Oscar, a secretária de fazenda Semírames Plácido e o Procurador Chefe João Paulo Setti Aguiar. O ex-secretário acusava essa equipe de travar a economia do Estado impedindo investimentos através das operações de crédito com bancos internacionais.

Ligado ao deputado federal Alan Rick, Bastos parecia ter razão quando implodiu o GPPE, tanto que, com menos de 60 dias de sua exoneração, o ex-secretário assistiu à destituição do GPPE e a criação do Grupo Técnico Gestor do Núcleo Especial de Gestão dos Programas apoiados pelo BNDES – o NEGEP.

Os objetivos concedidos por decreto a Maria Alice, considerada supersecretária, era tudo reivindicado por Raphael Bastos. Ou seja, o gerenciamento, acompanhamento e avaliação dos projetos, subprojetos e atividades físico e financeiras de programas apoiados pelo BNDES.

O decreto que criou o NEGEP tirou do controle do GPPE milhares de dólares que poderiam financiar obras estratégicas pensadas pelo novo governo, entre elas, as pontes da Sibéria em Xapuri, a ponte do Segundo Distrito em Sena Madureira e obras estruturantes planejadas para capital, como os viadutos anunciados pelo governador.

Gladson continuou mudando a equipe, descentralizou as licitações que estavam travadas na Secretaria de Fazenda e, por último, em mais uma reforma enviada a Assembleia Legislativa, deu a Maria Alice super poderes. A ideia era organizar as finanças, negociando débitos, amortização de algumas dívidas, a redução de juros em outras operações envolvendo bancos internacionais.

Por meio da Seplag, o governo pensava em coordenar políticas de desenvolvimento socioeconômico sustentável, alinhada com a gestão ambiental e territorial, o que é uma das principais metas do novo governo: o estímulo a novos investimentos no agronegócio com responsabilidade ambiental.

Cai Maria Alice e Semírames Plácido; governo parece dar voltas em torno de si sem resultados positivos em obras estratégicas

Todos os bons objetivos pensados a partir das reformas e mudanças feitas por Cameli, parecem ter ido pelos ares com a queda da supersecretária Maria Alice em fevereiro deste ano. E ela deu o tom quando afirmou que não poderia “ficar num governo sem rumo”, disse.

Praticamente um mês depois, foi a vez da Secretaria da Fazenda, Semírames Plácido pedir exoneração do governo pela segunda vez e sem volta. As duas principais pastas da gestão entraram à deriva.

Com a pandemia que atinge o setor econômico do Estado, o anuncio de R$ 200 milhões em obras feitos na primeira quinzena de maio, surgiu como um alivio para a equipe de planejamento, com o anuncio de obras importantes para a infraestrutura viária como o Anel Viário entre as cidades de Epitaciolândia e Brasileia, a recuperação de rodovias estaduais como a AC-90 que liga Rio Branco a Plácido de Castro, a AC-10 que liga a capital ao município de Porto Acre e rodovias estratégicas na área de produção como a Estrada Transacreana.

Para o governador, o anuncio do pacote de obras foi resultado do trabalho conjunto de secretarias estratégicas, entre elas, as secretarias de infraestrutura, planejamento, de Desenvolvimento Regional (SEDUR), a secretaria adjunta de Licitações, Depasa e Deracre. Um Comitê chamado Mais Obras foi criado para organizar os investimentos.

O que esse comitê bate cabeça agora é como investir mais de R$ 150 milhões de recursos com bancos internacionais faltando pouco mais de 2 anos e meio para o fim da gestão.

Uma das obras que no início do governo de Gladson Cameli sinalizava como uma política de resultados e menos burocracia, a obra do antigo META na beira do rio Acre, se apresenta como um cenário de inoperância, inacabada e sem nenhuma destinação.

Entregue pelo governo passado com 80% dos investimentos concluídos, por várias vezes Cameli anunciou a entrega da obra inacabada. Mas, parece que a ideia do Museu se transformou em um Elefante Branco.

Com a saída de Maria Alice da pasta de planejamento, não se sabe ao certo, até ontem (31), como ficaram as negociações de juros com os bancos internacionais. Pela obra inacabada nas margens do Rio Acre, parece que tudo não passou de boa vontade.

Em meio a crise econômica provocada pela pandemia, proteger o CPF do governador se sobrepõe a capacidade do Estado realizar investimentos estratégicos para saúde financeira. Poucas obras financiadas em andamento sofrem com atraso nos pagamentos. Burocracia impera e emperra o desenvolvimento.

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