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Idosa com Covid-19 morre por falta de assistência médica em Tarauacá, acusa família

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Revolta e tristeza na família da dona Marieta da Conceição, de 83 anos. A idosa morreu nessa última quarta-feira, 27, no município de Tarauacá. A indignação dos familiares é de que, segundo eles, Marieta só não sobreviveu por falta de assistência. Apesar de estar contaminada com a Covid-19, a família garante que a idosa faleceu em casa por falta de uma ambulância para levá-la ao hospital e não apenas pela doença propriamente dita.

Segundo Gerlivone Oliveira, neta de dona Marieta, a avó começou a passar mal e com falta de ar. O primeiro contato como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi feito às 9 horas da manhã. A ambulância chegou com uma médica, disponibilizada pelo Hospital Sansão Gomes. É então que começam diferentes versões.

Ao chegar na residência de Mariete, a médica disse que era preciso levar a idosa para internação. A família conta que como não havia um acompanhante, já que todos da casa foram diagnosticados com Covid-19, a equipe do Samu se negou a levar a paciente para a unidade hospitalar.

“Eles falarem que foi a família que não deixou, é mentira. A gente tava desesperado porque a minha avó estava com falta de ar, passando mal e estava até ficando com os pés roxos. Eles se negaram a levar porque não tinha um acompanhante. São um bando de desumano”, relata Gerlivone Oliveira, aos prantos.

A idosa permaneceu em casa. Com o passar das horas, o estado de saúde de dona Marieta foi piorando. Preocupada, a família pediu ajuda de uma vizinha para acompanhar Mariete até o hospital. Ao ligar pedindo ambulância, a surpresa. Foram informados de que não havia ambulância, já que a mesma havia ido levar um paciente grave para Cruzeiro do Sul.

“Quando foi meio dia, a gente pediu para uma vizinha que não tava contaminada acompanhar minha avó até o hospital. Quando ligamos, disseram que não tinha Samu porque tinha ido para Cruzeiro do Sul. Eu denunciei ao Ministério Público e falei com a diretora, que não fez nada e ainda disse que a família tinha se recusado, o que é mentira. Eu ainda liguei mais cinco vezes desesperada para o Ministério Público. Isso, fora as vezes que ligamos para o Corpo de Bombeiro, taxista, polícia e não conseguimos levar minha avó para o hospital. Quando a ambulância foi chegar, já era seis horas da tarde e minha avó já tinha morrido. Nunca imaginei sentir uma dor dessa. Presenciar a minha avó morrendo sem puder ajudar”, diz a neta, sem conseguir segurar o choro mais uma vez.

A diretora do Hospital Sansão Gomes, em Tarauacá, Laura Pontes, confirmou que uma das ambulâncias que serve ao hospital levou um paciente em estado grave para Cruzeiro do Sul. Ocorre que o município tem outra ambulância em perfeitas condições, mas que não atende os casos de urgência, deixando de salvar vidas por falta de equipe.

“No primeiro atendimento, eu pedi uma médica para acompanhar. Infelizmente, a família não permitiu que ela fosse trazida para o hospital por falta de acompanhante. Entendendo da gravidade da situação novamente, buscamos a outra ambulância do Samu com outro técnico plantonista do hospital e também um motorista do município, pois não havia nenhum motorista para socorrer neste momento. Quando foi à noite, o município me disponibilizou um motorista, mas, infelizmente, quando a equipe chegou ao local a senhora havia falecido”, explica Laura Pontes.

A família informou que o resultado do exame realizado após a morte da idosa deu positivo para Covid-19.

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