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Mãe contesta Sesacre e diz que filho que morreu com Covid-19 era do grupo de risco: “se internou só para cuidar da pressão baixa”

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Ao informar três novos óbitos decorrentes da Covid-19 neste domingo, 17, a secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) acabou gerando um conflito com amigos e familiares de uma das vítimas, o adolescente Lucas Evangelista Freitas, de 16 anos. O último boletim divulgado afirma que o rapaz não possuía comorbidade, ou seja, nenhum outro problema de saúde. Porém, a família contesta essa afirmação. Ao ac24horas, a mãe do jovem garante que ele já tratava de doença renal crônica há 4 anos e se internou há cerca de 2 meses por conta de uma pressão baixa que o impedia de fazer hemodiálise. “Fiquei sabendo hoje (17) que o teste dele deu positivo pra Covid-19”, afirma Claudineia Barbosa Freitas.

Além de insuficiência renal, o jovem também sofria com problemas no fígado e na medula óssea. Segundo a mãe, Lucas estava internado há três semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Juliana, em Rio Branco. Mas, que antes disso, já havia passado pela Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre) e pelo pronto-socorro. Tudo isso em pouco mais de 2 meses. A mãe acredita que o filho pode ter se contaminado em alguma unidade hospitalar.

“Ele era um paciente delicado. Foi internado primeiro na Fundhacre por causa do problema na pressão, ele não estava conseguindo fazer hemodiálise por conta disso. Foi aí que internaram ele na UTI do pronto-socorro. Depois foi de novo para a Fundação, ficou em um leito, voltou para a UTI do PS e no outro dia encaminharam para o Santa Juliana”, esclarece a mãe.

Claudineia não se conforma com um exame tardio para covid-19 e a morte repentina do filho. “Não entendi nada porque meu filho até teve febre antes, mas no sábado (16) estava sem febre, bem melhor, conversei com ele, estava se alimentando bem, animado, e hoje recebo uma notícia dessa. Para mim, foi um abalo muito grande no meu coração”, desabafa.

Por último, a equipe médica do Santa Juliana identificou uma mancha no pulmão do adolescente e suspeitava de pneumonia, contou a mãe. No sábado, 16, durante a visita, Claudineia soube que o teste feito no filho para identificar infecção por coronavírus havia dado negativo. Mas pela manhã desse domingo ela recebeu recado da contraprova com resultado positivo para a doença.

Nas últimas visitas que fez ao filho, ela ressalta que começou a usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIS). “Os médicos já tinham me falado que se ele pegasse [Covid-19], poderia morrer porque ele não era saudável, era doente”.

O corpo do rapaz será sepultado por volta das 8 da manhã desta segunda-feira, no cemitério Morada da Paz. A família recebeu auxílio da Assistência Social para custeio do enterro.

A reportagem procurou a Sesacre para comentar um possível equívoco ao divulgar que o jovem não possuía comorbidades. O órgão disse: “não é questão de erro. A informação que tivemos é que não tinha comorbidades. Mas amanhã (18) podemos buscar mais informações”.

Sobre a vítima

Moradores do bairro Praia do Amapá, a mãe do adolescente saiu da zona rural há 4 anos para a capital acreana justamente para cuidar da saúde do filho. Além de Lucas, filho mais velho, Claudineia tem outros três, de 10 e 3 anos e um bebê de 1 anos e 4 meses. A família sobrevive com auxílio do Bolsa Família e mantinha as despesas do tratamento do jovem de 16 anos com um benefício do governo. Lucas fez um transplante renal no Rio Grande do Sul e fazia hemodiálises na Clínica do Rim e na Fundhacre, em Rio Branco.

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