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Artigo: 500 dias de Gladson Cameli e Major Rocha no Governo

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Por Cesário Campelo Braga

Em meio a maior crise sanitária e de saúde deste século, hoje, chegamos a 500 dias de Gladson Cameli à frente do governo do estado do Acre. Infelizmente, pela situação que vivemos, na qual muitas famílias lamentam a perda de entes queridos e pela ausência de resultados positivos obtidos ao longo desses quinhentos dias, o povo não tem nada a comemorar.

As principais promessas feitas por Cameli e sua aliança (MDB, PP, PSD, PSDB, DEM e cia), durante a campanha de 2018, não foram colocadas em prática. Mesmo que os atentos leitores lembrem o difícil e delicado momento que estamos vivendo há 59 dias, desde o decreto de emergência publicado no dia 17 de março, os mais de 440 dias que o antecederam e ainda durante o período de sua vigência, tivemos um governo marcado pela inércia, ineficiência, incompetência e diversos questionamentos sobre sua idoneidade, tendo em vista que o governo já acumula inúmeros escândalos, em processo investigatório, de possível corrupção.

Pautas como: desenvolvimento econômico na área da produção, obras de infraestrutura, segurança pública, educação e saúde não avançaram em praticamente nada. Pelo contrário, sistemas que já funcionavam, e os leitores podem acrescentar, mesmo que de forma deficitária, pararam e prejudicam o dia a dia de nossas cidades.

Inúmeras foram e são as reclamações nesses 500 dias de, falta de água, ausência de acompanhamento técnico na área da produção, ausência de estratégias para geração de emprego e renda, deterioração de estradas e ramais, falta de médicos e medicamentos, continuidade da sensação de insegurança, fechamento de unidades do governo que atendiam a população nos municípios, assédio moral a funcionários públicos, perseguição política, supressão de direitos básicos como a aposentadoria dos servidores, ausência de negociações salariais, falta de diálogo com a população, entre outras.

Sem falar nas pautas diretamente ligadas à administração, como ausência de processos licitatórios, falta de transparência com os gastos públicos, uso desregulado de caronas, dispensas de licitação, contrações desnecessárias como a do jatinho, favorecimento de amigos e parentes de aliados no fornecimento de serviços para o governo. Além disso, tem também os escândalos que estão sob investigação, com destaque para os problemas nas secretarias de Saúde e Educação e no Departamento de Pavimentação e Saneamento (DEPASA), onde se identificou possíveis superfaturamento nas compras públicas, pagamento por serviços não realizados e pagamento de empresas de parentes dos secretários ou de deputados da base do governo.

Para além da incapacidade gerencial do governador Gladson Cameli e vice-governador Major Rocha e a ineficiência e inexperiência da equipe que está, permanente, sendo trocada, colabora para esse resultado a falta de compromisso com a administração pública dos aliados. Ao final das eleições de 2018, estes já iniciaram uma disputa interna com vistas às eleições de governo em 2022, fato materializado nas eleições municipais de 2020 em todos os municípios, com destaque para Rio Branco. Na Capital, quase uma dezena de partidos que formaram a aliança que conduziu Gladson/Rocha ao governo está lançando candidatos a prefeito.

Vale frisar que durante esses 59 dias em que o governo vem enfrentando a pandemia efetivamente, algumas decisões têm sido acertadas: a escolha de manter o decreto de isolamento social; a organização de hospitais de campanha; instalação de mais leitos de UTI e a posição de não fazer desse momento uma disputa eleitoral. Tudo isso deve ser visto com bons olhos, um acerto.

Acredito que devem ser pensadas, emergencialmente, outras atitudes mais incisivas, bem planejadas e com muita transparência, como o pagamento de um auxílio emergencial estadual para a população mais carente e profissionais que estão sem renda, preparação dos hospitais do interior para possíveis agravamentos da contaminação fora de Rio Branco, acompanhamento sistemático de pacientes que não estão com sintomas mais críticos da doença para diminuir a possibilidade deles necessitarem de UTI, contratação de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem em caráter emergencial e, inclusive, avaliar mais rapidamente a possibilidade de decretar Lockdown em Rio Branco. Lembrando sempre que o Acre é um dos menores estados do Brasil, porém figura entre os com maior número de infecções e mortes proporcionalmente.

São 500 dias e ainda haverá tempo para Gladson e Rocha mostrarem que as promessas de campanha não foram apenas promessas, porém, quando sairmos desta crise de saúde/sanitária – tenho fé em Deus que sairemos logo – viveremos um período bem mais difícil do que os dias que antecederam a crise. Caso não hajam mudanças na atitude do governador e sua equipe, serão dias mais tristes para o povo que continuará sem se ter o que comemorar.

Cesário é presidente do PT no Acre

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