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Governo desiste de leitos de UTI do Santa Juliana e alega concentração de Covid-19 em um só lugar

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FOTO: JUNIOR AGUIAR - SECOM

Há mais um de mês, o governo do Acre anunciou com estardalhaço a parceria com o Hospital Santa Juliana para o uso de 20 UTIs da unidade de saúde que seriam cedidas sem nenhum custo ao governo do estado.

Na formalização da parceria, com a presença do governador Gladson Cameli e do Bispo da Diocese de Rio Branco, Dom Joaquín Pertiñez, o secretário estadual de saúde, Alysson Bestene, foi assinado o termo de cessão prevendo que o Hospital cederia o espaço físico e os equipamentos. O Estado forneceria os insumos e as equipes de profissionais.

Passados 35 dias, nada aconteceu. No dia 2 de abril, data em que o governo anunciou a parceria, eram apenas 45 os casos confirmados de coronavírus no Acre e não havia nenhuma morte provocada pela doença. Atualmente, são quase mil casos da doença, com 35 mortes e as unidades de saúde lotadas de pacientes, inclusive os 10 leitos de UTI do Pronto-Socorro, que são os únicos disponíveis até o momento.

O Santa Juliana informou que nada mudou desde que a parceria foi anunciada, mas que soube, mesmo de forma não oficial, que o governo acreano decidiu não usar mais as UTIs da unidade e concentrar o tratamento de terapia intensiva apenas no PS e no INTO.

Mas qual teria sido o motivo para que a Sesacre recusasse leitos que estavam bem mais prontos dos que os do INTO para serem usados, inclusive com equipamentos?

O que o ac24horas apurou foi que desde o início, a proposta de “parceria” não aconteceu de forma tranquila. Resquício ainda da relação entre governo e Diocese de Rio Branco, responsável pela administração, que ficou trincada há um ano atrás quando em março de 2019 o próprio Bispo Joaquim Pertiñez afirmou que o hospital deixaria de atender pacientes do SUS porque o governo não estava realizando o pagamento dos repasses e a dívida estaria em cerca de R$ 4 milhões de reais.

Mesmo com o entendimento entre as duas partes, o governo nunca engoliu a atitude da Diocese, vista como uma pressão desnecessária.

Ocorre ainda que a cessão de leitos de UTI para o governo não era um desejo da direção da unidade. Fato que só ocorreu por causa de um possível desgaste que o Santa Juliana teria se começasse a morrer pessoas por falta de leitos de tratamento intensivo, tanto que a proposta inicial era cobrar uma diária de cerca de R$ 4,5 mil por cada leito.

O ac24horas ouviu o secretário estadual de saúde, Alysson Bestene, sobre as mudanças de plano em relação ao uso das UTIs do Santa Juliana.

FOTO: JUNIOR AGUIAR – SECOM

“A ideia inicial era ampliarmos o número de UTIs. A proposta que nos deram em um primeiro momento foi de R$ 4,5 mil reais a diária covid. Depois, tivemos uma conversa onde eles ofereceram a cessão dos leitos. Quando verificamos, havia apenas equipamentos para 10 leitos e os outros 10 eram apenas o espaço físico. Com o ajustamento dos planos de contingência, o Ministério da Saúde orientou que criássemos ambientes exclusivos para atendimento covid para que não haja pacientes espalhados em várias unidades. Por isso, decidimos concentrar no INTO”, diz Alysson.

Para concentrar os pacientes em um só lugar, o governo contratou mais 10 leitos de UTI para pacientes com outras doenças, sem ser covid, por meio de um convênio com o próprio Santa Juliana. A Sesacre está transferindo esses pacientes do PS.

“A intenção é levarmos todos os pacientes graves de covid para o INTO que passa a ser nossa referência. Usamos o PS até agora porque era a unidade que tínhamos disponível. Vamos fazer do INTO a referência e o PS a retaguarda”, destaca Alysson.

O INTO deve começar a a receber os primeiros pacientes até o final desta semana.

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