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Acre: Covid-19 e indicadores sociais

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Estamos numa guerra para combater um inimigo comum, a Covid-19. A sociedade mundial está atônita frente a esse desafio de saúde pública. No Acre não é diferente, vemos o envolvimento direto de agentes públicos e privados, em suas diferentes arenas de lutas, de diferentes formas e estratégias, querendo combater o mal comum. No artigo de hoje, vamos trazer um outro inimigo comum, além do vírus, claro, que são os dados da nossa realidade social. A realidade expressa na extrema pobreza que atinge um grupo vulnerável da população acreana e com menor capacidade de superar as condições de orientação para a prevenção da doença. Para este propósito, utilizaremos os dados divulgados pelo IBGE, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Normal (PNAD) de 2015 e da PNAD Contínua do 2º trimestre de 2018. 

Duas orientações de prevenção aparentemente simples contra a Covid-19, evitar aglomerações e lavar as mãos com água e sabão, são uma realidade distante para muitos acreanos moradores de diversas cidades, vilas, bairros e/ou lugarejos que vivem em unidades habitacionais em condições inadequadas, principalmente em Rio Branco, cidades onde há mais casos de coronavírus no estado. 

Os dados do IBGE nos dizem que, de um total de 231 mil domicílios existentes no estado, 60,3% não estavam ligados à rede geral de abastecimentos de água, quase 140 mil domicílios.  O número de pessoas por domicílio, em média, é de 3,81, significa, portanto que temos mais de 500 mil pessoas sem acesso a esse importante serviço e fundamental para a prevenção do coronavírus. São pessoas que não possuem este recurso básico para a higienização correta recomendada pelas autoridades médicas. Ainda, mais de 140 mil domicílios, ou seja, mais de 533 mil pessoas vivem em localidades sem acesso à coleta do esgoto, o que significa que estas pessoas estão vulneráveis em relação a outras doenças (diarreia, leptospirose, dengue, malária, esquistossomose e outras), comprometendo o sistema imunológico e, sobretudo, o desenvolvimento de crianças. Temos também, problemas sérios com a coleta de lixo dos domicílios. Ou seja, sendo o saneamento básico um serviço vital para uma boa saúde e a manutenção do meio ambiente, o IBGE nos diz que no estado, temos mais de 650 mil pessoas com restrições ao acesso ao saneamento básico. Ou seja, pessoas residentes em domicílios que não tinham acesso simultâneo a três serviços de saneamento definidos por coleta direta ou indireta de lixo, abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial.

ACRE: ALGUNS INDICADORES SOCIAIS

60,3% dos domicílios não estavam ligados à Rede Geral de abastecimento de Água 139.293 domicílios
62,9% dos domicílios não estavam ligados à rede geral ou a fossa séptica de esgotamento sanitário 145.299 domicílios
32,4 % dos domicílios não possuem coleta de Lixo 74.844 domicílios
73,8% das pessoas com restrição ao acesso simultâneo de saneamento básico 650.868   pessoas

 

Outra realidade dramática é como evitar a aglomeração. O IBGE trabalha com um conceito de restrição ao acesso a condições de moradia, medida por quatro indicadores. Em 2019, mais de 257 mil pessoas estavam com, pelo menos, uma restrição de acesso a condições de moradia no Acre. A primeira inadequação é a ausência, no domicílio, de banheiro de uso exclusivo dos moradores; a segunda inadequação consiste na utilização de materiais não-duráveis nas paredes externas do domicílio. A terceira inadequação domiciliar e a mais preocupante, é o adensamento domiciliar excessivo, definido como uma situação em que o domicílio tem mais de três moradores para cada cômodo utilizado como dormitório. No Acre, mais de 94 mil pessoas estavam em adensamento excessivo. Por fim, a última inadequação examinada é o ônus excessivo com aluguel, situação em que o valor do aluguel iguala ou supera 30% do rendimento domiciliar, temos mais de 20 mil pessoas nessa situação. 

ACRE: ALGUNS INDICADORES SOCIAIS

29,2% das pessoas com pelo menos uma restrição de acesso a condições de moradia 257.525 pessoas
21,1% das pessoas com ausência de banheiro de uso exclusivo do domicílio 186.970 pessoas
1,6% das pessoas com paredes externas construídas predominantemente com materiais não duráveis 14.111 pessoas
10,7% das pessoas com inadequação por adensamento excessivo 94.367 pessoas
2,3% das pessoas com ônus excessivos com aluguel 20.285 pessoas

 

Tratei aqui de apenas algumas vulnerabilidades sentidas pela população mais pobre. Outros temas importantes como acesso à saúde, IDH e outros indicadores de qualidade de vida, poderiam formar um quadro mais completo da nossa realidade social. O receituário das autoridades sanitárias para atenuar um quadro caótico é o distanciamento e a higiene constante como forma de evitar o colapso do sistema de saúde. Tudo leva a crer que a estrutura existente na rede pública e privada não suportará a demanda que está em crescimento e será sentida por todos, ricos e pobres. Mas uma coisa os indicadores sociais parecem nos indicar, com o avançar da crise sanitária, infelizmente, veremos uma repetição do padrão de desigualdade nos efeitos da Covid-19. 


 

Orlando Sabino escreve todas às quintas-feiras no ac24horas. 

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