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Estudo aponta que isolamento social decretado pelo governo caiu pela metade enquanto casos de Covid-19 se multiplicam no Acre

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Contaminação comunitária registra crescimento a partir da data em que o estudo aponta menor índice de isolamento social. Pesquisa mostra que acreanos levam uma vida quase que “normal”. População fica em casa somente aos domingos.

Um estudo feito pelo professor Teoria Geral do Estado e Ciência Política; Pesquisador das relações étnico-raciais do Neabi/Ufac e coordenador do projeto #fakecovid19, mostra que nos últimos dias, o isolamento social decretado pelo governador Gladson Cameli deixou de ser cumprido pela população. O pico positivo foi de 69% na primeira semana de casos positivos. Nos últimos dias esse percentual caiu para 39,7%.

Os dados projetados a partir de uma parceria com a empresa In loco com análise do banco de dados a partir da geolocalização coloca em xeque as novas regras do decreto publicado pelo governador nesta sexta-feira (17).

“O isolamento social decretado pelo Governo do Estado não está possuindo eficácia para conter a Covid-19, o que pode fazer aumentar o número de contaminação e o número de mortos nas próximas semanas”, alerta o professor.

O estudo foi realizado dentro do lapso temporal de primeiro de fevereiro até o dia 13 de abril do corrente ano. E constatou que entre fevereiro e até o fim da primeira quinzena de março o índice de isolamento social, sem nenhum caso confirmado de contaminação no estado, ficava entre 20% e 35%.

Com a confirmação dos três primeiros casos pelo covid-19 no Acre, dia 17 de março, o impacto da notícia levou os acreanos a se trancarem em suas casas. O isolamento social saiu dos 40% e chegou aos 69%, aproximadamente, no dia 22 de março (domingo).

“Chegamos muito próximo do percentual ideal orientado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ou seja, 70% de isolamento. Mais essa meta foi relaxada” acrescenta o professor.

De acordo com os pesquisadores, entre 22 de março e 12 de abril, o índice de isolamento social no Acre oscilou entre 40% e 60%, sendo que os maiores percentuais ocorreram aos domingos. A partir do dia 13 de abril, na última semana, esse percentual despencou, chegando a 39,7%.

Na primeira semana em que o percentual de isolamento chegou próximo do ideal, o crescimento de infectados foi lento, saindo de 3 casos confirmados dia 17 de março, para 11 casos dia 22. Um aumento de 8 infectados.

No período em que o isolamento oscilou entre 40% e 60% de 22 de março até 12 de abril, os casos começaram a se multiplicar, saltando de 11 para 72 infectados positivamente. No dia 13 de abril, eram 77 infectados. No boletim desta sexta-feira, um recorde de casos positivos: um total de 20 em um único dia.

Para o professor Charles Brasil e acadêmicos que participam da pesquisa, a hipótese sugestiva que os indicadores apontam é que os acreanos estão levando uma vida quase que “normal”, consequentemente, a atividade econômica continua funcionando em locais não essenciais, embora tenha sido reduzida. “E, portanto, o isolamento social com os baixos índices apresentados não será capaz de conter a Covid-19”, analisa Brasil.

Nos dias da semana, em que se registra sem muitas dificuldades aglomerações, principalmente nas filas dos bancos, na receita federal e nos supermercados, o estudo mostra que mais da metade da população do Acre se encontra em risco eminente de contrair a doença e contaminar involuntariamente as pessoas por covid-19.

“Precisa-se, urgentemente, elevar o índice de isolamento social, sob pena de aumentar ainda mais os números de contaminados e mortos no Estado” alerta o pesquisador.

Os casos se multiplicam em Rio Branco, Plácido de Castro e Acrelândia. Cruzeiro do Sul, Bujari e Porto Acre, desde que registraram seu primeiro teste positivo, não registraram acréscimo nos infectados. 22 exames estão em análise de suspeitos em Cruzeiro do Sul. Outros 183 seguem em laboratório na capital.

A pesquisa vai analisar dados em outros municípios com pessoas positivadas pela Covid-19 para cruzar informações com os dados coletados na capital. Ao autorizar sua geolocalização, informa o professor, “o cidadão não corre nenhum risco de vazamento de dados sigilosos”, concluiu Brasil.

O governador Gladson Cameli prorrogou o decreto de isolamento e obriga uso de máscaras em locais públicos.

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