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Manoel Moraes diz que existe “grupo criminoso” por trás de denúncias contra filho e cunhado

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O deputado estadual Manoel Moraes (PSB) se manifestou na manhã desta quarta-feira, 15, sobre o desenrolar da operação Mitocôndrias, desencadeada pela Polícia Civil do Acre, por meio da Delegacia de Combate à Corrupção (Decor) e Departamento de Inteligência (DI), que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de merenda escolar pelo governo do estado do Acre. Entre os investigados, estão o filho mais novo, Cristian Sales, e um cunhado do parlamentar acreano, o empresário Manoel de Jesus Leite Silva.

Cristian e Manoel tiveram suas prisões temporárias decretadas pela justiça, junto com mais 5 investigados, na última quinta-feira, dia 9 de março. Como não foram encontrados no dia do cumprimento dos mandados judiciais, chegaram a ser considerados foragidos pela polícia, mas a família argumentou que ambos estavam ausentes por conta de uma pescaria previamente agendada em razão da Semana Santa. Eles se apresentaram à polícia dois dias depois, prestaram depoimento, e foram liberados nesta terça-feira, 15, assim como ocorreu com os outros 5 envolvidos.

A respeito das acusações, Manoel Moraes afirmou que irá até as últimas consequências para provar a inocência dos familiares. Ele diz que por trás das denúncias há a atuação de um grupo de empresários e alguns membros do atual governo que seriam responsáveis por um esquema de vendas superfaturadas que chegariam ao dobro ou triplo dos valores normais dos itens comercializados, além do pagamento de propinas, inclusive para setores da imprensa. Um dos nomes citados pelo deputado é o do secretário-adjunto da Educação, Márcio Matos Mourão, exonerado nesta quarta-feira, 15, pelo governador Gladson Cameli.

Moraes cita como exemplo do esquema uma dispensa emergencial de licitação datada de 7 de abril deste ano, assinada por Mourão, no valor de R$ 766 mil, que tem como contratante a empresa Distribuidora Cristal Ltda, de Antônio Tomé de Melo Júnior. O contrato com a duração de 90 dias ou até enquanto durar o Estado de Calamidade Pública no Acre tem como objeto a compra de cestas básicas para atender aos alunos na rede pública estadual de ensino na regional do Juruá.

O deputado garante que outras existem outras duas dispensas similares cujos contratantes também fazem parte do grupo ao qual ele se refere como “criminoso” e que seria responsável por um plano para incriminar os seus familiares que, sendo concorrentes desses empresários e membros da atual gestão, não concordariam com as práticas ilegais adotadas por eles. O motivo das denúncias infundadas, segundo ele, é a possibilidade de se vender de R$ 30 a R$ 80 milhões para o governo durante a calamidade pública com “lucros absurdos”.

“Temos todas as informações de como isso foi planejado por um grupo de empresários que tem orientado o que está acontecendo e que vende mercadorias com 10 a 200 por cento, coisa que os meninos não aceitam e, por isso, tentaram eliminar eles. Irei até as últimas consequências para provar em pouco tempo a nossa inocência sobre tudo isso o que aconteceu. Isso vai terminar em muita gente se dando mal e o estado tendo que pagar uma indenização milionária”, afirmou.

Manoel Moraes disse ainda que as pessoas que compõem o grupo a que ele se refere sem nominar a todos recebeu muito dinheiro do governo no fim do ano passado e que elas também estão sendo investigadas. De acordo com ele, os produtos vendidos provavelmente não foram entregues. “Não caberia dentro do armazém e nem foi para as escolas. Aos poucos vão fazer a festa com várias empresas”, concluiu.

O ac24horas entrou em contato o ex-adjunto da Educação, Márcio Mourão, citado na reportagem pelo deputado Manoel Moraes. Saindo nesta quarta-feira do cargo na pasta por decisão do governador Gladson Cameli, ele nos atendeu enquanto fazia o processo de transição para o seu substituto, Francisco Márcio Alves do Amor Divino. A exoneração de Mourão saiu na edição de hoje (15/4) do Diário Oficial do Estado.

Sobre o que afirma o deputado, Márcio Mourão diz que desconhece a razão pela qual o parlamentar o envolve na questão. Diz que não tem nenhuma responsabilidade sobre as denúncias que recaem contra os familiares de Manoel Moraes e que a única coisa que fez no exercício do cargo de adjunto foi pedir uma auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE) na área pela qual era responsável – contratos e licitações – sem “jamais ter apontado nomes ou feito acusações contra ninguém”.

O ex-secretário adjunto da Educação Estadual também rebateu que tenha qualquer ligação com o suposto grupo de empresários ao qual o deputado se refere. “Desconheço quem sejam esses empresários e nego qualquer participação ou ligação com esse tipo de coisa. Isso deve ser coisa da imaginação dele”, afirmou.

A respeito da dispensa de licitação citada por Moraes, ele respondeu que se trata de uma medida tomada pela comissão criada pelo governo para o enfrentamento à Covid-19, cujo processo passou pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) e que foi entregue pelo próprio governador em Cruzeiro do Sul. Ele diz ainda que apenas assina o contrato por conta da ausência, naquela data, do secretário titular Mauro Sérgio da Cruz.

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