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Coronavírus e H1N1 são diferentes: “É como dizer que lombriga e ameba são a mesma coisa porque estão no intestino”, diz Thor Dantas

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Cresceu muito nos últimos dias, principalmente após a fala em rede nacional do presidente Jair Bolsonaro, uma comparação do novo coronavírus como o vírus da H1N1, também conhecido como gripe suína, que assustou o mundo com uma pandemia em 2009.

Muitas publicações e opiniões sem base científica comparam os dois vírus, dizendo que em 2009 não foi preciso a população ficar de quarentena e mesmo assim não aconteceram milhares de mortes, o comércio não parou e a população conseguiu “conviver” com o vírus dentro uma rotina normal.

O ac24horas foi atrás de respostas e conversou com o infectologista Thor Dantas, uma das maiores autoridades do assunto no Acre, com doutorado em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília.

Leia abaixo o que existe de semelhanças e diferenças entre os dois vírus, segundo o profissional médico:

Semelhança

“A única semelhança é que os dois são vírus respiratórios e como tais são usadas as mesmas formas de prevenção como limpar as mãos frequentemente com álcool gel ou água e sabão, cobrir o nariz e a boca com um lenço ao tossir e espirrar, evitar aglomerações e evitar ficar muito perto de pessoas com sintomas semelhantes a um resfriado ou gripe. Mas são muito diferentes, é como dizer que lombriga e ameba são a mesma coisa porque estão no intestino”.

Diferenças

Diferença principal – “A principal é que o coronavírus um vírus novo, que não existia há quatro meses atrás. Por isso, ninguém tem imunidade contra ele. Diferente do vírus da gripe que já circulou várias vezes entre a gente. Como o covid-19 é novo e ninguém nunca havia entrado em contato, tem muita coisa que a gente não sabe sobre ele”.

Transmissão – “O coronavírus é transmitido muito mais fácil que o H1N1, dura mais tempo nas superfícies, em cima da mesa, na roupa, na nossa pele, pega muito fácil se tocar nas coisas e nas pessoas.

Outra grande diferença é que ele leva as pessoas para o hospital muito mais que o vírus da gripe. Ele adoece mais e além de levar mais gente com mais sintomas, faz quadro graves com 10 vezes mais frequência. Quando falo em gravidade, são pacientes que vão ser entubados na UTI, passar geralmente 12 dias na UTI em um respirador. É muito tempo de hospital, já que o paciente com coronavírus demora mais para melhorar e ataca mais os pulmões do que o vírus da H1N1”.

Importância da quarentena – “Muita gente dizendo que não precisa de quarentena. Por ser um vírus diferente da H1N1, precisamos fazer coisas diferentes. A quarentena é a única ferramenta que temos e não podemos abrir mão dela no começo da transmissão. Não temos vacina, não temos remédio comprovadamente eficaz. O que as pessoas precisam entender é que cada estado está em momento diferente. O vírus chegou no Acre tem 10 dias. Em Rio e São Paulo e outros estados chegou há mais tempo. Então cada estado tem que agir de acordo com o momento”

Quanto mais tempo necessário de quarentena – “Óbvio que ninguém vai obrigar as pessoas a ficar mais 4 meses de quarentena, ninguém aguenta. Mas acho que devemos permanecer menos pelos mais uns 10 dias para ver como a doença vai se comportar na semana que vem. Todo mundo que pegou o vírus na semana passada vai começar a perceber se vai apresentar sintomas e se transmitiu para mais alguém. É um momento muito importante, não pode pular a quarentena no momento errado. Quando tiver um monte de casos como aconteceu na Itália, em Rio e São Paulo aí já não vai ter tanta eficácia. O momento é agora e não dá pra dizer que não é nada demais. Olhem o que está acontecendo no mundo com a quantidade de pessoas que estão morrendo”.

Quando voltar da quarentena – Existe uma coisa muito importante. Quando a gente voltar da quarentena e retomar as atividades na escola e no trabalho, isso precisa ser feito de forma programada. Vamos ter que mudar de hábitos e comportamentos. Não podemos voltar ao normal, como se nada tivesse acontecendo, dando beijinho em todo mundo, se abraçando e beijando, fazendo churrasco e festa. Esse não o momento, já que não é o momento. É importante voltar com novos hábitos e se adaptar à mudança de comportamento em tempos de epidemia”.

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