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Moradora de Capixaba não consegue fazer exame na UPA; médico diz que não há teste

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Revoltada. Este é o sentimento de Jaiany de Lima. Moradora do município de Capixaba, ela é uma das pessoas que esteve presente em uma reunião política que resultou em pelo menos 4 pessoas infectadas com o coronavírus. Entre elas, o deputado estadual Daniel Zen, o presidente estadual do PT, Cesário Braga e o ex-senador Jorge Viana.

A revolta de Jaiany é que nos últimos dias, começou a sentir os sintomas do coronavírus. Na tarde desta terça-feira, 25, foi levada de Capixaba para UPA do 2º Distrito, unidade referência da doença em Rio Branco. Ela conta que durante a viagem chegou a passar mal com falta de ar, mas não foi atendida em Senador Guiomar. “Eu vinha na viagem muito ruim e pedi pra parar em Senador Guiomard. Quando a gente chegou, perguntaram pra mim o que eu tava sentindo, quando o motorista falou, disseram para seguir em frente que lá não tinham condições de me atender”, afirma.

Jaiany faz o relato de como teria sido o atendimento na UPA. “Eu cheguei ruim, me levaram na cadeira de rodas. Quando eu cheguei lá, me perguntaram se eu tinha viajado ultimamente, eu falei que não, me perguntaram se eu estava presente na reunião, eu disse que sim”.

Segundo a paciente, mesmo assim, o médico que a atendeu disse que não era necessário a realização do exame. “O que o doutor disse foi que não era preciso fazer o exame, porque não tem teste suficiente e só estão fazendo dos casos mais greves. Me mandaram pra casa, que não precisavam fazer o teste e que era pra eu continuar em isolamento. Eles dizem que lá é lugar pra fazer o exame, eu participei da reunião, estou sentindo todos os sintomas e mesmo assim não fizeram ”, diz indignada.

A também moradora de Capixaba Ricely esteve junto em busca de atendimento. Ela conta que já é a segunda fez que vai à UPA e não consegue fazer o exame. “Eu estive lá na UPA no sábado e não consegui fazer o exame. O que o médico disse é que está fazendo de quem tá passando mal, de casos mais graves. O que mais me revoltou foi a fala de um outro homem que tava na sala que teve coragem de dizer que “aquele velho foi pra Capixaba só para acabar com a população de lá”, diz Ricely Gomes.

A reportagem do ac24horas também conversou com o secretário de saúde de Capixaba, Ary Mendes. O gestor da saúde do município afirma que as duas pacientes foram reguladas por médicos da Unidade Básica de Saúde.

“O que disseram é que estão seguindo o protocolo, que é o mesmo do Ministério da Saúde. Eu também tenho esse protocolo aqui que diz que no caso delas, com os sintomas que elas estão sentindo era pra serem atendidas e feito o exame. Agora se não há exame para todo mundo, que digam e não fiquem com essa história de que exame só é pra fazer em quem tá em estado grave. O governo tem que resolver esse problema da falta de teste. Simplesmente volta para casa e manda isolar. O isolamento eu entendo, mas há crianças nessa casa e precisa fazer o exame”, diz Ary.

FOTO: ODAIR LEAL – SECOM/AC

O que diz a direção da UPA

O ac24horas conversou com a direção da UPA do 2º Distrito sobre o caso envolvendo as pacientes do município de Capixaba.

Segundo o médico Eliatian Nogueira, gerente de assistência da Upa via Verde, o profissional que atendeu as pacientes seguiu o protocolo determinado pela Secretaria Estadual de Saúde. “Seguimos a nota técnica, nós temos duas situações para fazer a coleta. Uma é que o paciente esteja com síndrome respiratória aguda grave. A outra situação é de profissionais de saúde ou familiares que apresentem sintomas como febre e dificuldade para respirar”, afirma.

Nogueira afirma ainda que as duas pacientes de Capixaba não se enquadravam no que diz a nota técnica. “Eu peguei a ficha delas e todos os sinais vitais estavam normais. O que as pessoas precisam entender que o tratamento para quem faz exame e quem não faz é o mesmo: a quarentena. Agora se alguma delas tiver falta de ar, orientamos que volte até a unidade para que seja internada”, diz.

Por fim, o médico confirma que o Acre não tem condições de fazer exames em todas as pessoas que procuram a UPA. “Se a gente for para realidade do país que vivemos, se for fazer exame em todo mundo suspeito ou que teve contato direto ou indireto, não teríamos exames suficientes para nenhum estado”, diz Eliatian Nogueira.

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