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No claustro, sem fobias

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Minha saúde não é de ferro, mas meus nervos são de aço. Prá pedir silêncio, eu grito. Prá fazer barulho, eu mesmo faço.

Rita Lee Jones


A meta agora é achatar a curva. Vivemos numa discussão matemática sobre o gráfico que mostra a distribuição estatística das ocorrências da virose que assola o planeta.

No primeiro momento, a doença provocada pela nova variação de coronavírus, que se manifestou numa região industrial da China, não era mais que uma gripe de inverno. Ao debilitar o sistema respiratório, é particularmente perigosa para idosos e pessoas com imunidade baixa, porém isso não é uma exclusividade do Covid-19.

A falta de imunidade da população ao novo vírus facilitou sua transmissão rapidamente e a disseminação pelo mundo. Atônitos, os governos não souberam inicialmente interpretar o que, na China, já era uma calamidade. Muitos apostaram que a contaminação maciça resultaria uma imunização rápida da população. A preocupação era maior com os impactos sobre a economia dos países, das empresas e das pessoas também.

Em pouco tempo se demonstrou a falta de capacidade dos sistemas de saúde para suportar os casos mais graves. Fora isso, a farta informação sobre o crescimento da quantidade de infectados e, agora, de mortos decorrentes da doença, provocou uma corrida às clínicas e hospitais. Aí entrou a matemática da crise: é grande a probabilidade de que a população quase toda seja contaminada. Como o contágio está relacionado com o contato entre pessoas, se isso for evitado haverá uma demora maior para essa contaminação e menos gente estará doente ao mesmo tempo, permitindo o tratamento de todos os casos graves.

Com isso, resolvemos uma parte do problema que é a redução de doentes simultâneos. O outro lado é a ampliação da capacidade de tratamento. Temos os leitos necessários? Como está o estoque de medicamentos, insumos de tratamento e de proteção dos profissionais de saúde? A distribuição dos equipamentos e profissionais é adequada e suficiente?

Mesmo com toda a propaganda do governo anterior e a boa vontade do atual, estamos longe da tal ‘saúde de primeiro mundo’ aqui pelo Acre. Ainda há denúncias graves sobre desvio de medicamentos e cumprimento de horário e plantões na Saúde. Tentativas de sanar esses problemas costumam dar em nada, como foi com a implantação, no início de 2017, do sistema de gerenciamento das unidades de saúde e distribuição de profissionais – GEP, do Governo do Estado.

O APP ainda está disponível para instalação em qualquer smartphone no sistema Android (link), porém não fornece informações confiáveis até hoje. Foi questionado judicialmente pelos profissionais da Saúde que não admitiam a publicação das escalas de plantão.

Recentemente o governador Gladson determinou novamente seu funcionamento. Essa ferramenta em operação seria um diferencial importante para a otimização dos atendimentos e ampliação da capacidade do sistema público local.

Não será fácil manter o isolamento. Estima-se que o pico das infecções acontecerá em meados de maio e o declínio a partir de setembro. Até lá tudo será imprevistos: teremos seca e fumaça para contribuir nas doenças respiratórias? haverá uma vacina confiável e disponível? como estará a economia das pessoas?

Ficar sem escolas, tudo bem, mas muitas crianças dependem da merenda. Fechar bares, academias, clínicas de estética, tudo bem, mas do que viverão esses profissionais? Quinze dias são facilmente suportáveis. Noventa dias também serão? Este ano o inverno será longo e não nos preparamos para ele.


 

Roberto Feres escreve às terças-feiras no ac24horas.

 

 


 

GEP – Gerenciamento de Escalas e Plantões da Secretaria de Saúde do Estado do Acre.

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.sesacre.gep

Leia também:

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