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A força do trabalho do Acre: desemprego, desalento e informalidade 

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Acompanhar as flutuações e a evolução da força de trabalho no curto, médio e longo prazos, é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Conhecer a inserção da população no mercado de trabalho é necessário para nortear políticas que busquem uma melhor utilização deste importante fator de produção. Utilizando alguns dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD Contínua Trimestral do IBGE, convidamos os leitores para conhecerem um pouco da realidade atual da força de trabalho do Acre em 2019.

Existem dois indicadores principais que medem o desemprego no Brasil. O CAGED, divulgado mensalmente pelo Ministério da Economia, registra os processos de admissão e demissão de trabalhadores no setor formal (servidores públicos e trabalhadores com CLT). Já a PNAD Contínua, do IBGE, além do mercado formal, consegue também medir os níveis de emprego informal no país. Ela traz estimativas baseadas em amostragens (os pesquisadores questionam, por três meses, um número de lares para, assim, estimar os dados).

Setenta e seis por cento da população acreana (663 mil pessoas), no final de 2019, tinham mais de 14 anos de idade (idade mínima utilizada pelo IBGE para entrada no mercado de trabalho), é a chamada população em idade de trabalhar. Destes, 311 mil estavam fora da força de trabalho (o chamado desemprego voluntário) e o restante, 352 mil, diziam estar na força de trabalho, composta pelos desocupados ou desempregados (pessoas que estavam em busca de uma ocupação, mas não tinham emprego) e os ocupados (pessoas que estavam trabalhando). Os ocupados somavam 304 mil e os desocupados 48 mil. O número de desocupados em relação à força de trabalho compõe a taxa de desemprego que, no caso, subiu de 13,1% em 2018 para 13,6% no ano passado. Em termos regionais, a taxa média de desocupação em 2019 teve queda em 16 estados do país, acompanhando a média nacional, que caiu de 12,3% em 2018 para 11,9%. As maiores taxas ficaram no Amapá (17,4%) e na Bahia (17,2%), enquanto as menores foram registradas em Santa Catarina (6,1%) e nos estados de Rondônia, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com 8% na média anual.

Uma outra informação importante é o da ocupação da força de trabalho ocupada. Existe uma certa “verdade” no Acre que a maioria da população empregada está alocada no setor público. Os dados do IBGE mostram que somente 68 mil pessoas estavam trabalhando no setor, representando somente 22,5% do total das pessoas empregadas. O maior contingente de trabalhadores ocupados estava alocado como empregados no setor privado e os alocados como autônomos, que somavam 98 mil cada um (32,3%). O restante da força de trabalho ocupada estava assim alocado: trabalhador doméstico: 19 mil (6,3%), empregador: 9 mil (3,0%), Conta própria: 98 mil (32,3%) e o trabalhador familiar auxiliar: 11 mil (3,6%).

Em 2019, no Acre, a taxa de informalidade – soma dos trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar – foi menor que a de 2018, ficando em 48,7%. A taxa média nacional de informalidade, que foi de 41,1% foi superada em 18 estados, variando de 41,2%, em Goiás, até 62,4% no Pará.

O desemprego de longa duração é definido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como pessoas que procuraram emprego continuamente por pelo menos 1 ano. No último trimestre de 2019, 22 mil acreanos tinham desemprego de longa duração, 45,8% dos desempregados. 

O número de desalentados (pessoas que desistiram de procurar emprego) aumentou de 40 para 42 mil pessoas de dezembro de 2018 para dezembro de 2019. Já a taxa combinada de desocupação e de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas (pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou subaproveitadas pelo mercado) ficou em 19,6% (69 mil pessoas) em dezembro de 2019, maior que a do mesmo período de 2018 (17,8%). Finalizando, podemos citar algumas questões que reforçam uma baixa confiança no mercado de trabalho do Acre. Em primeiro lugar, a informalidade: 148 mil pessoas no estado nessa situação no último trimestre de 2019, representando 48,7% da população ocupada. Em segundo lugar, o desemprego: 48 mil pessoas no quarto trimestre de 2019, uma taxa de 13,6% sobre a força de trabalho. Ao nosso ver, a confiança no mercado de trabalho só vai voltar quando as empresas retomarem com mais força os seus investimentos, ampliando o emprego formal e dando mais sustentabilidade à expansão do consumo. Reafirmo que os investimentos públicos são fundamentais nesse contexto.


 

 

Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas.

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