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Mulher que teve diagnóstico de coronavírus descartado diz que Acre não está preparado para epidemia

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Uma acreana que é casada com um europeu e vive na Itália há seis anos chegou ao Estado no dia 5 de fevereiro sentindo falta de ar e imediatamente procurou a Vigilância Epidemiológica Estadual e o Pronto Socorro de Rio Branco mesmo não tendo sintomas do novo Coronavírus. A região onde a mulher mora é considerada de alto risco para a infestação do vírus. Após 20 dias tentando combater o novo coronavírus, o país começa a enfrentar problemas além da superlotação de hospitais e da falta de médicos e enfermeiros, na gestão dos corpos das vítimas.

Em conversa com o ac24horas, a mulher acreana conta que não foi examinada ou checada na saída da Itália, em Veneza, e nem no desembarque no Aeroporto internacional em Guarulhos (São Paulo) e nem no Aeroporto de Rio Branco. Ela revelou que veio usando máscara durante toda a viagem.

Ao chegar no Pronto Socorro de Rio Branco, ela relatou que passou a ser considerada suspeita de ter Coronavírus e os profissionais de saúde lhe puseram máscaras. Acredita-se que se trata dela e da tia (que a acompanhou ao Pronto Socorro), os áudios que se espalharam pelos grupo de WhatsApp sobre a presença de estrangeiros na unidade de saúde com máscaras.

No Pronto-Socorro, a acreana foi atendida por uma médica da triagem que receitou uma nebulização para falta de ar e pediu um Raio-X do pulmão. Ela e sua tia ficaram das 21h até 1h30 da madrugada dentro da Unidade Hospitalar com falta de ar, sem tomar a medicação receitada (nebulização) pela médica da triagem e sem a visita de infectologista.

“A cada 30 minutos a moça da Vigilância Epidemiológica ia na fresta da porta e dizia ‘o médico infectologista vem lhe ver, o enfermeiro vem te buscar pro Raio-X’, mas o tempo passou e veio só o rapaz para coletar sangue e amostra para o exame de Coronavírus. Cansei e fui embora para casa com a mesma falta de ar que estava quando cheguei. Eu podia ter morrido de Coronavírus ou de falta de ar dentro do Pronto Socorro à míngua naquela sala gelada onde só tinha uma cadeira e uma lixeira”, relatou a mulher.

O teste negativo para o Coronavírus saiu no dia 7, mas ela já sabia que não tinha a doença por não ter sintomas, apenas uma falta de ar. Agora a gastrite nervosa que tem se agravou e a mulher se sente abalada psicologicamente. Ela contou que foi a uma clínica particular para poder mostrar a especialistas os resultados dos exames que fez no PS.

Em seu relato, a acreana enfatizou a discriminação sofrida dentro da unidade de saúde. No pedido de exame está escrito “moça com Coronavírus”, antes mesmo de resultados atestando a contaminação. Segundo ela, as pessoas passavam “se esgueirando” pela porta com medo da infeção do Coronavírus enquanto os boatos eram espalhados por alguns profissionais de saúde da unidade.

“O que ficou claro é que no Hospital e Pronto-Socorro os profissionais não estão preparados para lidar com uma situação assim e alguns ficaram vazando áudio e disseminando o pânico. Fui embora sem ver o infectologista que a moça da Vigilância anunciou e depois procurei atendimento na rede privada. O rapaz da Vigilância me ligou e disse que deu negativo o exame de coronavírus”, enfatizou.

ACREANA NÃO PODE VOLTAR PARA A ITÁLIA

As passagens de vinda e ida da da mulher já estavam compradas antes da expansão do Coronavírus na Europa. O retorno para casa marcado para o dia 1° de abril está descartado porque a Itália está fechada inicialmente até o dia 3.

O marido dela, que atua na indústria farmacêutica, bem como os demais moradores precisam de uma autorização para circular pela região. Ele contou que desde esta quarta feira, 11, as medidas do governo italiano para conter o vírus foram intensificadas. Fecharam lojas, bares, shopping e restaurantes em todo o país.

“Não posso voltar e a tensão só aumenta. Meu marido está muito preocupado comigo e eu com ele. Não sei como será daqui para frente”, disse ela temerosa.

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