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Os segredos do General

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O que Mourão conversa na ausência de jornalistas? As faces do General “premiado” por bom comportamento para missões estratégicas como o Conselho da Amazônia

O protocolo rigoroso e até deselegante imposto pelo cerimonial do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, marcou sua passagem por Rio Branco durante esta quarta-feira (11) muito mais do que os assuntos tratados por ele, em sigilo total, sobre a Amazônia, no Palácio Rio Branco.

E isso não foi um “privilégio” de assessores e da imprensa do Acre. Como a reportagem do ac24horas apurou, em Mato Grosso, o vice-governador Pivetta foi barrado pelo forte esquema de segurança montado para proteger Mourão, após se recusar a deixar o aparelho celular para participar da reunião com o general.

Repórteres cinematográficos e fotógrafos tiveram apenas 3 minutos para gravar (sem áudio) o encontro do general Mourão com o governador Gladson Cameli, chefes de poderes e alguns secretários no Palácio Rio Branco. O fato, levantou ainda mais questionamentos sobre os segredos que o vice-presidente conversa na ausência de jornalistas sobre a Amazônia?

Muitas dúvidas ainda estão por trás do que vem sendo debatido com os governadores e o projeto ambiental do governo federal para a Amazônia. O presidente Jair Bolsonaro foi duramente criticado e acusado de retroceder a política ambiental do Brasil após décadas de evolução e consolidação, além de afrouxar leis e sucatear órgãos de preservação do meio ambiente com atos e discursos incentivadores para exploração das florestas e riquezas minerais protegidas.

Ativistas ambientais afirmam que as estratégias ensaiadas pelo general podem gerar uma devastação nos próximos anos, daí o rigor na segurança e na divulgação do que é discutido nos encontros do general com governadores. A visita a Rio Branco foi a um governador que também, assim como o governo federal, já foi acusado de incentivar o desmatamento. O Acre registrou, segundo o Imazon, a maior taxa de devastação do primeiro semestre do ano passado.

Somente na divulgação do plano estratégico do Conselho da Amazônia, dia 25, é que será revelado o plano de Jair Bolsonaro para as florestas e riquezas naturais do país. Por enquanto, Mourão vem chamando mais atenção por onde passa pelo aparato criado para lhe proteger, do que o que ele realmente pensa para o futuro da Amazônia.

As faces do general

A imprensa nacional vem destacando as faces do vice-presidente. O general foi um dos últimos nomes cogitados por Bolsonaro para o cargo. O histórico militar e alguns posicionamentos que alinhavam com o pensamento do hoje presidente da República, pesaram na decisão final. Antes de assumir o cargo, Mourão dizia que não queria ser um “vice decorativo”. No início do governo Bolsonaro, virou um foco de conflitos para o presidente ao dar entrevistas com posições que muitas vezes destoavam da orientação de Bolsonaro.

Dizem que tudo foi estratégico. As aparições do general em conflito com o presidente, na época, era para tirar a grande mídia do calcanhar de Aquiles de Jair Bolsonaro. Depois, Mourão saiu dos holofotes e ficou por um tempo quase que despercebido.

A presidência do Conselho da Amazônia foi um “prêmio” por bom comportamento, ele também foi designado para representar o governo em missões de destaque – como na posse do novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, em dezembro, e na reinauguração da base brasileira na Antártida em janeiro deste ano.

O general sempre foi uma fonte de declarações controversas, bate de frente com o ministro Sérgio Moro. O humor não controlado de Mourão é um dos motivos que levam sua assessoria praticamente blindá-lo durante as reuniões. Os assessores mais próximos afirmam que o general passa por uma grande transformação, para sair da visão linha-dura para um vice boa-praça.

 

 

 

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