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Notáveis que vão ser conselheiros de Gladson Cameli são raposas velhas da política do Acre

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Nomeados com o papel de resolver as “caneladas” dadas pelo governador na articulação política, figuras são velhas conhecidas do cenário por participarem de supostos esquemas de compra de votos, ameaças a produtores rurais, lobby e fracasso eleitoral. Quem aconselha o governador Gladson Cameli?

No episódio da “Lei de Diretrizes Orçamentária” processo que segue judicializado e que protagonizou uma derrota histórica ao governo de Gladson Cameli, ficou claro que a gestão política do Palácio Rio Branco seguia dando “caneladas”. A tática de combate à votação dada pelos deputados da base foi ainda pior: exoneração coletiva, um ato com DNA raivoso em favor da “velha política”, coalizão na base do toma lá, da cá.

Essa aliás tem sido a tônica da atual gestão. A diferença das anteriores é que Cameli nomeia e exonera com uma facilidade tão grande, que o líder da oposição, deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB), chegou a dizer que o seu maior adversário se chama: “Diário Oficial”. E tem razão, na tentativa de estabelecer a coalizão, essa semana chega na Assembleia Legislativa mais uma reforma – a quarta proposta – que destitui as pastas de administração e planejamento. A SEPLAG deixa de ser uma super secretaria. A decisão de Cameli tem gerado uma correria nos bastidores políticos para indicações ao cargo estratégico de governo que já foi do Democratas, passou pelo MDB e tem “feudo” incerto. Até a indicação de uma petista de carteirinha já foi anunciada.

Quem aconselha o governador?

Diferente do início da gestão onde todos faziam questão de aparecer ao lado do governador, fazer uma selfie e postar nas redes sociais como um colaborador, depois que caiu na aceitação popular, o estadista tem dificuldades para dividir a responsabilidade por tantas “caneladas” e instabilidade administrativa. A grande pergunta feita pela sociedade é quem o aconselha politicamente? Quem, na atual estrutura tem sido capaz de gerar um poder disperso e de ingovernabilidade, atribuindo ao governador uma extrema dificuldade da tomada de decisões.

Até o vice-governador Major Rocha que jurou andar lado a lado com Cameli, na alegria e na tristeza, tem feito uma agenda paralela e totalmente distante do núcleo de decisões estadistas. O tucano aparece quando é para colher os bônus políticos, como fez esse final de semana, cumprindo agenda no Colégio Militar em Cruzeiro do Sul.

E como ninguém assumiu esse ônus – o núcleo duro do TCE foi praticamente extinto – coube ao Palácio Rio Branco instituir semana passada, o chamado Conselho Político. Assim, além do chefe da Casa Civil, Ribamar Trindade, nomes como Osmir Lima, Normando Sales, Paulo Ximenes, Nelson Sales, Elson Santiago e Marieldo Alves, vão atuar como coadjuvantes, consultores do chefe de estado.

Os desafios são enormes. O ex-senador Jorge Viana disse que a atual gestão de Cameli está desorganizada. Há quem afirme que existe uma combinação entre extrema fragmentação política e fraca disciplina que vem permitindo o estabelecimento de vários “feudos” na máquina pública. O maior questionamento, porém, é com relação ao funcionamento de fato e de direito do Conselho que ficou subordinado à Casa Civil, coisa que não acontece em nenhuma administração.

Submeter as atividades consultivas à Casa Civil se foi uma estratégia de mostrar o “novo”, esse, aliás foi o jargão que conseguiu eleger Gladson Cameli, a escolha dos nomes demonstra que de “novo” essa gestão não tem nada. O Palácio Rio Branco buscou o que existe de mais longevo para auxiliar na condução política do estado.

O mais centenário deles é o deputado constituinte Osmir Lima. Formado em Tecnologo em Gestão Pública, iniciou sua carreira política em 1962, filiando-se no PSD. Durante o regime militar integrou a ARENA, tendo firmado por muito tempo no MDB. Eleito deputado federal, integrou a Assembleia Constituinte. Sua aproximação do atual governador se deu pela amizade com Orleir Cameli, de quem foi chefe da Casa Civil.

Foi na gestão de Cameli que Osmir se envolveu em um escândalo que, conforme a Folha de São Paulo, em matéria divulgada em 1997, tinha como pano de fundo a votação de reeleição de Fernando Henrique Cardoso. A negociação, segundo o jornal, foi de R$ 120 milhões em verbas federais, com repasses de R$ 30 milhões por ano, para o governo de Orleir.

Ainda da velha guarda da política acreana, o Palácio Rio Branco chamou Normando Sales. Ex-prefeito de Sena Madureira, deputado estadual, por três vezes tentou se eleger deputado federal e fracassou. Depois, Sales surgiu como o principal articulador político das candidaturas do amigo, Tião Bocalom ao governo e prefeitura do Acre. Todas elas seguidas de derrotas.

Após 2012, o articulador saiu do cenário político e se dedicou a negócios particulares ligados ao crédito de carbono. O Projeto Purus, idealizado pelo ex-prefeito de Sena Madureira, Normando Sales, e pelo advogado Wanderley Rosa, foi apresentado ao Instituto de Mudanças Climáticas (IMC) do Estado em junho de 2012. Abrange cerca de 34,7 mil hectares dos seringais Porto Central e Itatinga, localizados às margens do rio Purus entre os municípios de Sena Madureira e Manoel Urbano, e onde vivem 18 comunidades de seringueiros, posseiros e pescadores.

Como para onde vai leva polêmica, Sales é acusado de criminalizar o manejo de pequenos agricultores impondo-lhes restrições que justifiquem a venda de carbono. O caso vem sendo acompanhado pela Relatoria do Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma DHESCA (Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais).

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Elson Santiago, completa o time da velha guarda. Nascido em 62, na zona rural de Cruzeiro do Sul, Santiago iniciou a carreira pública concorrendo a uma vaga de deputado pelo Partido dos Trabalhadores em 1982. Perdeu. Depois, conheceu uma sucessiva história de vitórias eleitorais, tendo assumido por sete mandatos consecutivos, o cargo de deputado, chegando a presidir o poder legislativo no Acre. Ele saiu da vida pública em 2014 também prometendo se dedicar aos negócios. Chegou a ser nomeado pela primeira vez como Chefe de Departamento no dia 2 de abril do ano passado. 48 horas depois, o governador tornou sua nomeação sem efeito. Cameli não deu nenhuma explicação para o caso.

O lobista Paulo Ximenes, secretário geral dos Democratas é outro velho articulador nomeado pelo Palácio Rio Branco para conduzir a política de Gladson Cameli. Tendo atuado em Brasília em assessoria a Ronivon Santiago, Ximenes fixou em Rio Branco articulando a eleição do deputado federal Alan Rick. Foi ele, que ano passado, foi um dos que mais criticou o chefe da Casa Civil Ribamar Trindade e o chamado Nucleo Duro do Tribunal de Contas do Estado. Ximenes bateu de frente com Cameli após a exoneração de Raphael Bastos, primeira baixa na gestão. Bastos era secretário de planejamento.

“Já havíamos comunicado ao governo sobre nosso posicionamento sobre o GPPE e estávamos buscando, por meio dessa minirreforma, que as decisões fossem descentralizadas. O GPPE é comandado pelo Tribunal de Contas, e é o TCE que comanda o governo Gladson Cameli”, disparou Ximenes na época dos fatos. GPPE era o Grupo Permanente de Planejamento Estratégico, extinto na segunda reforma enviada à Assembleia Legislativa do Acre.

Formam ainda o Conselho, o ex-vereador Marieldo Alves que não conseguiu se reeleger vereador na cidade do Bujari e Nelson Sales, irmão de Normando Sales. Nelson não conseguiu se eleger deputado federal pelo Progressistas, partido do governador. Ele vinha tramitando nas várias nomenclaturas dadas ao Conselho Político. A primeira delas, de assessoria especial; depois Secretaria de Articulação Política e, agora, Conselho Político.

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