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Líder de facção apontado como “braço direito” do Tenente Farias afirma que abandonou o crime

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“Estou me desligando do Comando Vermelho”. Foi com esta afirmação que Agilberto Soares de Lima, conhecido no mundo do crime pelo apelido de “Jiquitaia”, anunciou esta semana seu desligamento da organização criminosa. Ele foi um dos mais de 20 presos da Operação Sicário, desencadeada pela Polícia Civil em dezembro de 2018. Segundo as interceptações telefônicas, Jiquitaia era um dos líderes de facção extremamente próximos do Tenente Josemar Barbosa de Farias, do Batalhão de Operações Especiais (BOPE).

“Sou o ex-Jiquitaia. Estou devolvendo minha blusa do Comando Vermelho e entregando minha vida a Cristo”, disse ele num vídeo ao lado de uma pastora. Na gravação, ele pede que “a população entenda que todos nós merecemos uma chance”. Ele estava preso na Unidade Penitenciária de Senador Guiomard e saiu no último dia 28 de janeiro. Segundo ele, está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica e atinge o benefício de regime aberto no próximo mês de abril.

No vídeo em que anuncia sua saída do mundo do crime, Agilberto não cita o caso Tenente Farias. “Só quero pedir perdão para a sociedade, para as organizações criminosas, para a Polícia Militar e Polícia Civil. Não quero condenar, nem falar mal de ninguém. As coisas passadas não interessam mais”, afirma.

À época do andamento da Operação Sicário, o Ministério Público entendeu que Tenente Farias auxiliava Agilberto Soares, então “responsável pelo bairro Rosalinda”, a manter e expandir seus territórios, realizando a prisão de integrantes de facções rivais, ou realizando a apreensão de integrantes do próprio Comando Vermelho, possibilitando desta forma o aumento do território sob influência de “Jiquitaia”, além de atuar como escudo para o Comando Vermelho, protegendo a facção até mesmo contra a atuação policial.

A relação entre o militar e o membro do CV foi constatada pelo MP através de conversas telefônicas. De acordo com o MP, Agilberto Soares, o “Jiquitaia”, com o auxílio de Farias, passou da condição de mero integrante da facção para responsável por todo o bairro Rosalinda, gerenciando as “bocas de fumo” daquele território.

Assim, Farias também obteve benefícios, sejam financeiros, como demonstrado pelas solicitações e entrega de dinheiro realizadas e também pela imagem de policial “operacional” e “bem informado”, visto que, com o auxílio de “Jiquitaia” e outro integrante, na tomada de territórios, realizava diversas prisões e apreensões de drogas focada apenas nas facções rivais como o Bonde dos 13.

Farias foi apontado pelas investigações como o principal responsável por favorecer o crescimento da facção na capital do Acre. O militar foi denunciado por Promoção de Organização Criminosa, Peculato, Corrupção Passiva e Prevaricação. Agilberto garantiu: “não vou dar mais dor de cabeça para a polícia, quero viver minha vida com minha família e com Cristo”.

Veja o vídeo:

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