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As 48 horas de angústia de Gladson depois do “não” de Ribamar

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Foram 48 horas de angústia e muitas negociações. Como fazer para convencer José Ribamar Trindade a permanecer no governo, ocupando a chefia da Casa Civil do governador e ainda como mais poderes?

A principal causa a resolver foram as cinco exigências que Trindade fez para voltar atrás da decisão de abandonar o governo e voltar para o TCE (Tribunal de Contas do Estado), onde desempenhava a função de assessor jurídico do conselheiro Antônio Malheiro. Depois, as outras: dizer para os deputados da base e demais aliados políticos que Ribamar é o esteio do governo e que por isso não está em discussão, se ele é simpático ou não.

Os mais próximos contam que entre a segunda-feira, 6, dia do anúncio de saída de Ribamar e quarta-feira, 8, quando tudo desmoronou, o governador do Acre, Gladson Cameli pouco dormiu até que Trindade voltasse a atrás da decisão e dissesse “sim” aos apelos desesperados do governador.

Para entender o caso é preciso voltar no tempo. Em meados de dezembro do ano passado, Ribamar Trindade demonstrou incômodo com as reclamações constantes de alguns deputados da forma como encaminha as demandas solicitadas ao governo. Outro alerta feito foi quanto a ingerência na gestão de grupos aliados, que constantemente usam as redes sociais para demonstrar insatisfações com as decisões palacianas. Ele reclamou para o governador, mas ficou decepcionado com a atitude de Gladson, que simplesmente ignorou as reclamações do seu principal secretário. Diante dos fatos, há 4 dias para o Natal, José Ribamar Trindade protocolou uma carta no gabinete do governador com o seu pedido de demissão.

Ao tomar conhecimento, Cameli, mais uma vez, apenas tentou colocar panos quente, achando que Ribamar estava “blefando” e chegou a rasgar o documento. E antes de viajar para passar o Natal no interior, o governador pediu para que o seu chefe da casa civil “pelo menos esperasse deixar passar as festas de final de ano para tomar a decisão final”, o que foi atendido.

Mas o que pouca gente sabe é o que Ribamar escreveu na carta. Acredite: é uma carta simples, de poucas linhas e com apenas uma justificativa. Nela, Ribamar diz que contribuiu de forma honesta, leal e sincera com as promessas feitas pelo governador Gladson Cameli, mas que a tarefa árdua que prometeu cumprir estava inviabilizada e citou alguns exemplos. Sem muitos detalhes agradeceu a oportunidade e “peço a compreensão para me afastar das funções a mim confiadas…” e, concluiu: “Que Deus continue lhe abençoando. Não farei mais parte do seu governo, mas continuo seu amigo e torcendo pelo seu sucesso, do Acre e dos acreanos que acreditaram nas suas propostas de mudanças”.

PAGOU PARA VER – Ao perceber que Ribamar estava decidido a manter a palavra de renúncia [ele deixou de atender até os telefonemas de Gladson fora do horário de expediente], Gladson foi se confessar com o pai [o empreiteiro Eládio Cameli, um dos homens mais ricos da região norte] em uma folga de 4 dias em Miami, nos Estados Unidos. O pai, que já sabia do teor da carta e da decisão de Ribamar. Eládio ouviu o filho atentamente. No primeiro momento apenas disse: “veja onde você está errando e como pode evitar um problema maior. O Ribamar é homem sério, de grande conhecimento, leal e comprometido com as causas que você defende”.

Depois dessa conversa as comemorações do ano novo prosseguiram em família e somente na hora de se despedir, na volta para o Acre, Eládio voltou a alertar o filho: “pense bem na sua decisão final sobre o que o Ribamar lhe disse”.

Outro conselho que pesou no convencimento para Ribamar voltar ao governo foi o de Antônio Malheiro, o conselheiro do TCE que no início da gestão de Cameli era considerado o “homem mais influente”, mas que foi perdendo espaço com o passar do tempo. Gladson e Eládio falaram diversas vezes com Malheiro no intuito de obter apoio na situação.

Enquanto Ribamar estava na região Nordeste do Brasil em férias com a família, foram inúmeras as ligações feitas e poucas atendidas. Até que no Natal e na virada do ano, duas foram atendidas pelo ainda chefe da Casa Civil. “Meu amigo, eu preciso de você”. Com a voz embargada, Ribamar continuou firme e não voltar atrás em sua decisão, pelo menos até esta quinta-feira, 9, quando decidiu “ficar, de fato”.

Um dia antes do “fico”, Gladson revelou ao ac24horas que ainda não contava com Ribamar fora do governo e disse que tudo seria uma “questão de conversa” e de “esfriar a cabeça”. A declaração do chefe do executivo veio após o anúncio da saída de Ribamar, que apesar de dizer que estava fora, sua exoneração jamais foi publicada no Diário Oficial do Estado. Cameli chegou a cogitar que para não perder Ribamar o recolocaria em outra pasta estratégica do governo se o problema fosse a Casa Civil.

Na noite da quarta-feira, 8, logo após se reunir com deputados da base aliada do governo, Gladson sentou-se com Ribamar em seu escritório de trabalho. Foram horas de conversa até o “sim, eu fico”. Foram ligações do pai do governador e de Malheiro, reforçando a importância do gestor no governo e enfatizando que ele “é a coluna e sem coluna uma casa não fica em pé”.

ENCONTRO ANTES DO SIM

Voltando um pouco antes, no dia 6 de janeiro deste ano, existia uma agenda oficial de Gladson, nenhum compromisso público marcado, apenas uma referência de um encontro com o chefe da casa civil, que acabou acontecendo entre as 15:30 e 16:00 horas. Foi vapt-vupt, como diria o professor Raimundo – aquele da escolinha – para demonstrar a rapidez da conversa. Gladson perguntou se ele estava disposto a ficar e ajudá-lo a terminar o governo. Ribamar disse que sim e perguntou se ele estava disposto a corrigir os cinco erros apontados. Cameli disse que não tinha jeito, porque isso – as alegações feitas no pedido de demissão – causariam desconforto do governo com os aliados. Então Ribamar voltou atrás e disse que não: “não posso ficar” parafraseando a música do Demônios da Garoa.  Ao dizer isso, pegou a sua pequena pasta preta, despediu-se e foi embora. Depois disso a assessoria do governador espalhou oficialmente um comunicado à imprensa informando a saída que viria a durar menos de dois dias.

Daquela tarde até a manhã desta quinta-feira, 9, Gladson reduziu sua agenda. Passou a tratar como prioridade o caso Ribamar. Sentou-se com deputados, contestou as acusações de que os pleitos dos aliados não eram resolvidos e puxou pra si todas as queixas contra o chefe da casa civil, afirmando categoricamente que “todos os não dados por Ribamar aos pleitos solicitados foram endossados por ele”.

Nos encontros que teve – nove, aproximadamente – com deputados e grupos aliados, Gladson tentou deixar claro que a política de governo não pode se confundir com a política partidária e pediu compreensão para as decisões amargas que muitas vezes o chefe da casa civil tem que tomar para manter o governo no foco. “Até porque temos que cumprir as leis e não podemos fazer o que queremos e sim o que podemos”, justificou ele em um dos encontros com aliados.

Depois da peregrinação com deputados e aliados, com a garantia que “os rumos serão redesenhados”, Gladson ouviu o que tanto queria: “se o senhor reconhece a importância da correção do nosso rumo e se está disposto a tentar dialogar mais com todos os responsáveis pelo nosso governo, eu aceito reassumir o cargo”, garantiu Ribamar.

E assim terminou a crise que tirou a sono do governador por longas 48 horas e desfez o sonho da oposição de um racha entre dois amigos que poderia render o fim do chamado “Governo do Futuro”.

CURIOSIDADES – A reportagem de ac24horas.com apurou que durante as 72 horas de afastamento de Ribamar Trindade do cargo de chefe da casa civil, Gladson fez 187 ligações via celular para amigos próximos aliados e familiares falando sobre o assunto. Trocou 118 mensagens de WhatsApp e fez doze chamadas de vídeo. Ou seja: ele se dedicou ao máximo para resolver o problema e salvar o seu governo de uma crise interna.

 

 

 

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Acre

Marcio Bittar – Adesões e traições

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Por – Senador Marcio Bittar (MDB-AC)

A convicção de valores e a coerência são virtudes raras na política, por outro lado o adesismo pusilânime, a substituição irrefletida de valores e o pragmatismo cego são abundantes. Exemplos históricos dramáticos corroboram a hipótese da prevalência dos vícios nos jogos de poder. Quantos líderes totalitários conseguiram, primeiro pela persuasão e depois pela força, conduzir maiorias e contar com o apoio de políticos, burocratas, intelectuais, empresários, sindicatos, professores, alunos, jornalistas e magistrados cegos pela proximidade e partilha das benesses do controle do Estado?

Stalin, o tirano comunista, foi um líder de multidões e contou com o apoio da elite soviética para cometer atrocidades inomináveis. Hitler, o líder máximo dos nazistas, ajudou a mudar os valores de uma nação em desespero e conduziu a Alemanha e o mundo ao inferno. São exemplos de genocidas que conseguiram a adesão torpe das maiorias, manipularam a inversão de valores das elites e forçaram seus liderados a os seguirem de forma cega, amedrontada e desavergonhada.

Guardadas as devidas proporções, assistimos o domínio do Acre por um grupo político que conduziu a sociedade ao fracasso, à inação econômica e à insegurança brutal. A destruição levou duas décadas. Aos poucos, os petistas dominaram de forma profunda as organizações da sociedade civil e as instituições do Estado.

Contaram com apoio de todos os presidentes da República desde FHC e exerceram hegemonia ideológica com a mitologia ecológica irracional denominada florestania. Contaram com o respaldo quase irrestrito de toda imprensa; houve exceções. A adesão do setor empresarial e dos produtores não faltou, pois foi conseguida por medo, blefes e criação de dificuldades.

A persuasão foi utilizada nos primeiros anos visando mudar valores tradicionais e substituí-los por um ambientalismo socialista enganador. A força das ameaças, multas, invasões de terras, perseguições e controle burocrático se impôs; era mais eficiente. Ao final de vinte anos, ficou claro o fracasso e a turma foi banida da política pelo voto popular.

Sempre estive contra essa gente. Sempre intuí e observei o mal que a turma dos petistas fazia ao Estado. Foram 20 anos de perda de oportunidades para desenvolver, crescer e gerar riquezas. Poucos enfrentaram a esquerda acreana desde o início, entretanto uma minoria jamais deixou de observar criticamente os feitos e lutar bravamente pela queda dos responsáveis pelo atraso. Tal minoria cresceu e minou as bases do poder até a completa ruptura conquistada em 2018.

Hoje, não vejo com surpresa petista, outrora ardoroso, inventar desculpas esfarrapadas para abandonar o barco e aderir pragmaticamente a novos nichos de poder, em busca de sobrevivência política. É vergonhoso, por exemplo, uma ex-presidente do partido tirar da cartola briguinhas de 2012 para se transmutar. Também, não é digno a prefeita tentar se limpar da poeira petista com tremendo desdém. É ingrata: ela só é prefeita porque aceitou jogar junto com os petistas. Se eles ainda estivessem no poder, a prefeita romperia?

É possível perdoar as pequenas e sórdidas hipocrisias em política, mas não é recomendável esquecê-las. A lembrança da história é pedagógica e se enfrentada com verdade e rigor, pode ajudar a não cometermos os mesmos e insistentes erros. Estar atento é fundamental.

 

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Acre

Área desmatada dobra no Acre entre agosto e dezembro de 2019

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Acre contribuiu com 2% do desflorestamento na Amazônia em dezembro de 2019 desmatando e degradando 3 km². Já entre os meses de agosto de 2018 e igual período de 2019 o desmatamento cresceu 100%. Foram derrubados 119 km² no período agosto-dezembro 2018 e no ano seguinte, nesse mesmo tempo, 238 km².

Os dados são do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Na Amazônia a área derrubada entre agosto e dezembro 2019 representa 67% a mais do que o que foi registrado, pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), plataforma usada pelo Imazon, em 2018 –ano que teve 1.706 km² desmatados.

Entre agosto e dezembro de 2019, 2.852 km² de florestas foram derrubados na Amazônia. A maior parte das matas perdidas no último mês do ano passado foi no Pará: 47% de 227 km².

O Imazon classifica desmatamento como o corte raso, que é a remoção completa da vegetação florestal. Geralmente, é a formação de áreas de pasto. Já a degradação é caracterizada pela extração das árvores, que costumam abastecer o mercado da madeira. Outros exemplos de degradação são os incêndios florestais — controlados ou não, em áreas privadas — mas que acabam atingindo a floresta e se alastrando.

 

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