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Em dois anos, vereadores de Rio Branco abocanharam mais de R$ 700 mil em diárias

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Um levantamento feito pelo ac24horas junto ao Portal da Transparência da Câmara de Rio Branco mostra que nos anos de 2018 e 2019, os 17 vereadores custaram mais de R$ 700 mil em diárias. Esses valores são de cursos e palestras que eles realizaram fora do Estado.

Em 2018 foi gasto R$ 355.944,77, já, em 2019, os gastos ultrapassaram e chegaram a R$ 370.163,75 em diárias, totalizando R$ 726.108,52 em dois anos.

Neste ano, entre os “Reis das Diárias” aparece o vereador N Lima em 1º Lugar com R$ 31 mil reais em diárias. O 2º Lugar ficou com Railson Correia com R$ 30 mil em diárias. E o 3º Lugar ficou com o líder do partido da prefeita Socorro Neri (PSB), Artêmio Costa, que em diárias arrecadou R$ 27 mil reais.

Já em 2018, o campeão foi o vereador Railson Correia (Podemos) que recebeu R$ 30 mil reais em diárias. O 2º lugar ficou com o vereador Clézio Moreira que recebeu R$ 29 mil.. O 3º lugar ficou disputado e oito vereadores aparecem empatados: Antônio Morais, Célio Gadelha, Eduardo Farias, Jackson Ramos, Lene Petecão, N Lima, Railson Correia e Raimundo Neném. Cada um deles recebeu R$ 24 mil reais.

O QUE MENOS FATUROU

Emerson Jarude

Em 2019, foi o vereador Emerson Jarude (Sem partido) que ganhou em diárias R$ 4.932,60 reais, lembrando que o valor é referente ao valor de diária como servidor e não o de vereador ao qual Emerson abriu mão.

Já em 2018, foi o vereador e líder da prefeita Socorro Neri (PSB), Rodrigo Forneck (PT) que contabilizou o recebimento de R$ 6 mil.

QUEM VIAJOU MAIS?

Railson Correia

Segundo o Portal da Transparência, o mais viajante em 2019 foi o vereador Railson Correia que se deslocou para fora do estado sete vezes durante o ano para a realização de cursos e palestras. Em 2018, o vereador Clézio Moreira (PSDB) e Railson Correia (Podemos ) que viajaram cinco vezes cadas.

O segundo lugar, em 2019, ficou empatado com os vereadores Artêmio Costa (foi contado como viagem a ida para Feijó para participar do Comitê do Açaí), Lene Petecão e N Lima que viajaram seis vezes cada. Em 2018, ficou Antônio Morais, Célio Gadelha, Eduardo Farias, Elzinha Mendonça, Jackson Ramos, Mamed Dankar, N Lima, Railson Correia e Raimundo Neném que viajaram quatro vezes cada.

Já o terceiro lugar, em 2019, ficou com Raimundo Neném, Celio Gadelha, Clézio Moreira, Elzinha Mendonça e João Marcos Luz (MDB) que viajaram cincos vezes cada um. Em 2018 ficou com vereador Artêmio Costa (PSB) e o ex-vereador e atual deputado estadual Roberto Duarte, e o atual Deputado Federal Manoel Marcos, cada um viajou três vezes.

BENEFICIOS

Com salário de R$ 12 mil, cada parlamentar tem direito a contratação de até 8 assessores cujo as somas de seus salário cheguem no máximo até 24 mil.

Entre os benefícios, cada parlamentar de Rio Branco tem direito a R$ 4 mil de combustível e mais R$ 4 mil de serviços gráficos todos os meses. Além disso, eles também têm direito a três veículos, sendo uma caminhonete, um carro de passeio e uma motocicleta à disposição.

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Destaque 2

Quebra de acordo entre facções rivais pode ter sido a causa do aumento da violência

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Especialistas afirmam que uma trégua visando lucro foi estabelecida e quebrada nesse início de ano, quando os grupos organizados fortaleceram os caixas e voltaram a disputar territórios estratégicos.

Janeiro fecha com um dos maiores índices de violência já registrado desde 2017, ponto mais agudo da guerra entre faccionados no Acre, quando 32 pessoas foram barbaramente assassinadas. Este ano, 38 mortes letais foram registradas até hoje (28).

Mostrar a tendência de queda mensalmente tem sido um esforço do comando de segurança no Acre. Porém, especialistas ouvidos pela reportagem discordam desse festejo. Nas últimas semanas, o debate sobre a sensação de insegurança ganhou as redes sociais com direito a memes, fake news e fortes declarações da atuação da Força Nacional na região de fronteira – considerada o principal gargalo para o enfrentamento do crime organizado.

Um dos especialistas é oficial da reserva da Polícia Militar do Acre, por questão ética preferiu não se identificar. Afirma que mesmo com todo o investimento feito pelo governador Gladson Cameli é muito cedo para dizer que exista relação entre a redução dos números de mortes violentas com as políticas públicas executadas.

“Não existe maquiagem, os dados que mostram a redução da violência nem do governo são, tratam-se de plataformas sérias, porém, não há motivos para comemoração, é preciso observar a dinâmica do mercado do crime”, comentou o coronel.

Uma “onda temporária” diminuiu sensivelmente os indicadores de mortes letais no Acre e no restante do país durante doze meses do ano passado, isso pode ter relação com o que existe de moderno na gestão das facções, explica o coronel reformado. Ele acrescentou que os grupos criminosos para se conflitarem precisam de recursos. “Elas também têm um custo operacional, o que ocorre, fazem acordos periódicos para que ambas as partes aumentem o lucro e recupere o poder de fogo, esse pacto é feito no chamado Tribunal do Crime”, analisou.

Um advogado que pediu para não ter seu nome divulgado temendo represálias, disse que o acordo entre os faccionados segue um modelo empresarial que visa o foco no comércio de drogas pela fronteira. “O nome já diz, crime organizado, essa é uma tendência sofisticada, importada do sul e sudeste do país”, acrescentou o defensor.

O aumento da violência fez com que o vice-governador Major Rocha se manifestasse nas redes sociais. Um vídeo do tempo da campanha eleitoral viralizou exibindo o trecho onde o então candidato ao governo, Gladson Cameli o chamava como um “xerife” para dar um choque de segurança pública.

“Estamos fazendo tudo que podemos para devolver a paz para todas as famílias acreanas. A aquisição destas armas faz parte dos nossos esforços. Esse é um duro recado contra os criminosos e quero dizer para a população que vamos vencer essa guerra”, publicou o vice-governador em sua página social.

A “guerra” que o vice-governador se refere, segundo especialistas, ocorre dentro dos presídios. Vulneráveis e sob a tutela do estado, nas cadeias o poder público tem maior capacidade de pressão, estratégia elogiada no último domingo pelo Atlas da Violência em matéria publicada pelo jornal O Globo.

O coronel que contribuiu com a reportagem disse, no entanto, que prender não é a única fórmula de amenizar a situação, ele defende um conjunto de políticas dinâmicas como o próprio crime organizado.

“Esse é o momento vivido no Acre nesse início de ano. Foi necessário mudar as táticas, o grande número de veículos roubados e o aumento de crimes contra o patrimônio mostram o gerenciamento financeiro das facções, que se fortaleceram e voltaram a disputar território, espaço, até uma nova trégua. O estado precisa acompanhar essa dinâmica”, concluiu o coronel.

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Destaque 2

Mesmo com operação Fecha Fronteira, homicídios disparam no início do ano no Acre

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O governo do Acre, por meio dos órgãos que compõem o sistema de segurança pública do estado, deve apresentar nos próximos dias novas estratégias de enfrentamento ao crime.

A violência tem sido uma infeliz rotina diária para quem mora, principalmente, em Rio Branco.

No início do ano, o governo anunciou uma grande ação que prometia coibir o roubo de veículos e a incidência de crimes contra a vida. A Operação Fecha Fronteiras, de tempo indeterminado, acontece em 11 pontos estratégicos de Rio Branco e também nos acessos a fronteira do Acre com estados e países vizinhos.

A sensação é de que nada adiantou. Os assassinatos cresceram de forma assustadora no início do ano. Tanto que do dia primeiro de janeiro até este sábado, 18, com a chacina ocorrida na Transacreana, já se contabilizam no Acre, 30 assassinatos. É um índice alarmante de 1,66 execução por dia. A capital acreana concentra mais de 80% dos assassinatos.

Nas redes sociais, os internautas têm apontado alguns motivos para que a operação não esteja ajudando na diminuição dos crimes em Rio Branco. Uma delas seria que apesar das barreiras existirem, há pouca fiscalização. “Eu moro perto de um desses pontos de fiscalização e fiquei observando. A barreira tá lá, mas os policiais não fiscalizam nenhum veículo. Ficam conversando ou no celular, sem abordar, como vão descobrir se dentro do veículo há uma arma?”, afirma o morador que prefere não ser identificado.

A falta de fiscalização prometida também acontece nas fronteiras. Relatos dão conta de que a operação não está presente em todos os acessos a fronteira. O jornalista Jairo Barbosa publicou em uma rede social, fotos que mostram que em 200 quilômetros de estrada que liga o Acre ao Amazonas não há uma única viatura policial.

As fotos mostram o posto de Fiscalização IDAF/SEFAZ sem a presença policial.

O ac24horas conversou com o Coronel Ricardo Brandão, secretário adjunto de segurança pública do Acre, admite que há uma preocupação com os policias e o uso do celular durante o trabalho. “Ontem mesmo me reuni com os responsáveis pela coordenação operacional do Gefron e pedi providência de postura em relação a esse tipo de situação”, afirmou.

Mesmo com o grande número de assassinatos, Brandão afirma que a avaliação é positiva, mas admite que as forças de segurança não estão conseguindo evitar os crimes e que há uma urgente necessidade de novas estratégias que realmente deem resultado.

“A avaliação que fazemos é positiva, já que tivemos uma diminuição considerável no roubo de contra o patrimônio, principalmente de veículos. No entanto, no tocante dos crimes contra a vida, relacionados a briga de organizações criminosas, a operação não surtiu o efeito esperado. Nessa próxima semana, estamos reunindo todo o Sistema de Segurança Pública para o lançamento do plano de metas 2020 e ativação de outras estratégias para o combate mais direcionado aso crimes contra pessoas envolvendo as organizações criminosas” afirma Brandão.

O secretário adjunto confirma que não há Operação Fecha Fronteira na BR-317, que liga o Acre ao Amazonas. “Realmente na estratégia inicial a operação foi direcionada para fechar a fronteira com Rondônia e com a Bolívia. Para Boca do Acre não temos perna suficiente. Tivemos uma conversa com a PRF, já que é uma estrada federal, e ao longo dos próximos dias vamos traçar estratégias conjuntas para compartilhar essa responsabilidade e ampliar nossa capacidade de atuação”, destaca.

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