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O natal de uma família na Sobral que não tem o que comer na noite de hoje

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Hoje é aquele dia em que cedo se começa a movimentação nos supermercados de muita gente atrasada comprando os últimos ingredientes da ceia. Nas cozinhas, apesar da comilança ser só à noite, o cheiro de boa comida começa também cedo. Afinal, é preciso assar o porco, o carneiro e o peru.

Mas, infelizmente, essa não é realidade de milhares de famílias na cidade de Rio Branco. Para muitas pessoas que vivem na extrema pobreza, a véspera de Natal é um dia como outro qualquer, o que significa não saber se a família vai ter o que comer no almoço, imagina uma ceia de Natal.

Segundo uma pesquisa divulgada pelo IBGE no final do ano passado, 47,7% dos acreanos são pobres e mais de 17% vivem na extrema pobreza. Esse percentual de 17% significa que quase 150 mil pessoas vivem nessa condição no Acre.

Na região do Bairro da Sobral, o ac24horas encontrou uma família que representa as milhares de pessoas que vivem na condição extrema de pobreza. Em uma rua enlameada está a casa de seu Manoel Arruda, 68 anos, da esposa, Antônia, e seus 4 filhos.

A residência está longe de oferecer condições adequadas de moradia. Com o assoalho prometendo desabar a cada pisada, a casa tem muitas goteiras e precisa de uma melhora urgente.

Mas é quando fala na comida do dia-a-dia é que seu Arruda tira o sorriso da boca desdentada e se emociona. Ele conta que é comum a família dormir sem jantar por falta de comida. “É triste você chegar nessa minha idade nessas condições. A coisa mais triste do mundo é um filho dizer que tá com fome e você não ter o que dá de comer”, afirma.

Arruda lembra a época em que vivia bem. Conta que a geladeira velha vazia, que só funciona o congelador, já tinha sido trocada se fosse tempos atrás. “Eu vendia de tudo. Vendia salgado, era camelô no centro. Naquele tempo minha geladeira era cheia e quando eu precisava comprar alguma coisa, eu comprava era à vista”, diz orgulhoso.

Só que Arruda foi vencido pelas doenças. Diabético, idoso, com pressão alta e tendo crises de depressão por causa da condição financeira, não pode mais trabalhar. Sobrevive hoje juntando latinhas para trocar por dinheiro. Recurso que não é garantido e que não é suficiente para garantir a sobrevivência da família, já que muito do que ganha é gasto com remédios.

Com a triste realidade, sonho mesmo só dos pequenos da casa. Taís tem apenas 9 anos. Diz que quando crescer quer ser veterinária. A difícil realidade já destruiu a fantasia de quem é ainda uma criança. Perguntada se este ano vai ter papai noel, diz, enfática. “Papai noel não existe. Eu sei disso há muito tempo”. Era de se esperar, afinal quem costuma dormir de barriga vazia, sabe que a tradição do bom velhinho que distribui presentes não passa de uma invenção que nunca teve em sua casa. Sobre se vai ter presente de Natal vem um olhar triste para os pais. Seu Arruda se antecipa e responde: “Ela sabe que o papai não tem como comprar um presente. Tudo que a gente tem aqui, os colchões que eles dormem tudo é doação. Tomara que alguém compre um presente para que eles tenham um Natal mais feliz”, diz seu Arruda.

Aliás, é graças a solidariedade de pessoas comuns que a família tinha arroz e um pedaço de peixe para comer no dia.

Seu Arruda conta que a região tem muito tráfico de drogas e vez por outra a polícia está no local. Nos últimos dias, durante uma operação, policiais se sensibilizaram com as condições da família e depois voltaram com um sacolão. Tem arroz e açúcar, mas os alimentos estão chegando ao fim.

Infelizmente a realidade de seu Arruda, da esposa e dos filhos é a realidade de milhares de famílias de Rio Branco que não alcançadas pelos serviços sociais e que acordam todos os dias em ter a certeza que irão tomar café, almoçar e jantar. O pior, se vão ter pelo menos uma dessas refeições.

O Natal? Bem, o Natal nada mais é para essa família do que um dia como outro qualquer. A não ser pela solidariedade, que aflora nesta época do ano.

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Ricardo Salles e Homero Cerqueira são alvos de notícia-crime na PGR por fiscalização na Resex Chico Mendes

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Homero Cerqueira, foram representados junto à Procuradoria Geral da República (PGR) pela Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Ceará para que apure se foram cometidos crimes na fiscalização ambiental da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre.

A representação contra o ministro e o presidente do ICMBio se baseia em matéria do jornal Folha de São Paulo, publicada no dia 4 de dezembro do ano passado. O jornal repercutiu informação que já havia sido dada pelo ac24horas de que Salles e Cerqueira participaram de uma reunião com lideranças ruralistas, fazendeiros e parlamentares envolvidos em crimes ambientais.

No encontro, os presentes teriam reclamado com o ministro da fiscalização feita por agentes do ICMBio na região do Alto Acre, principalmente nos municípios de Brasiléia e Xapuri. Após o encontro, o ministro teria determinado o fim da fiscalização na reserva até que fosse realizada uma audiência pública na unidade de conservação proposta pela deputada Vanda Milani (SD).

“O que pedimos nessa notícia-crime é que a PGR apure e, se for o caso, processe ambos os gestores pelo cometimento de infrações administrativas e crimes contra o meio ambiente e a moralidade pública”, diz João Alfredo Telles Melo, presidente da Comissão de Direito Ambiental da OAB/CE e autor da notícia-crime.

Para a OAB, se for comprovada sua responsabilidade, Salles e Cerqueira podem ser denunciados por crimes de prevaricação, associação criminosa e advocacia administrativa, que consiste no patrocínio de interesses privados perante a administração pública por funcionários públicos. Também podem ser enquadrados na Lei de Crimes Ambientais e na Lei de Improbidade Administrativa.

Na notícia-crime (veja a íntegra do documento), que é assinada por organizações como o Greenpeace, Associação dos Juízes pela Democracia (AJD), Observatório do Clima e o SOS Amazônia, além de parlamentares e ex-parlamentares, estão listados nomes de seis participantes da reunião com Salles envolvidos em crimes ambientais na região.

“Se de fato for verificado que sim, que a partir de uma reunião com ruralistas e grileiros, o ministro do Meio Ambiente e o presidente do Instituto Chico Mendes, se provocou o fim da fiscalização na reserva, então o ministro e o presidente do ICMBio deveriam ser enquadrados por crime de responsabilidade e crimes contra o meio ambiente”, diz Luiza Lima, representante da área de Políticas Públicas do Greenpeace.

Procurado, o Ministério de Meio Ambiente não comentou as acusações contra o ministro.

Chico Mendes é a reserva mais ameaçada do país, segundo o Imazon

A Reserva Extrativista Chico Mendes é a mais emblemática do país. Criada em 1990, cerca de um ano após a morte do líder seringueiro, a reserva de 931 mil hectares foi pioneira no conceito de unidade de conservação de uso sustentável. Lá, as populações tradicionais têm permissão para morar e realizar a extração sustentável de bens como castanha, borracha e açaí.

A reserva encabeçou, em 2019, a lista de unidades de conservação mais ameaçadas de desmatamento, registrando um salto de 207% na área desmatada. A reserva sofre com a pressão de fazendeiros que derrubam a mata para abrir pastagens dentro da área de conservação.

Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados em novembro, mostram que a reserva registrou 85 focos de incêndios entre agosto de 2018 e julho de 2019. No total, o SAD detectou 5.054 km² de desmatamento na área da Amazônia Legal no período.

Nesta semana, o governo anunciou a criação do Conselho da Amazônia, presidido pelo vice-presidente Hamilton Mourão, para coordenar ações interministeriais na região. Além disso, foi anunciada a Força Nacional Ambiental, um grupo policial para combate ao desmatamento ilegal.

De segunda a sexta, pela manhã, assinantes da newsletter Comece seu dia recebem por e-mail um briefing produzido pela agência epbr com os principais fatos políticos, notícias e análises sobre o setores de petróleo e energia.

*Com informações de Guilherme Serodio, editor de Política da Agência epbr.

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Acre

Secretaria da Fazenda recebe visita de representante do BID

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FOTO: NETO LUCENA

Visando avaliar os processos e a maturidade da gestão fiscal do estado, a Secretaria da Fazenda do Acre (Sefaz) recebeu, na última segunda-feira, 20, a visita de uma representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na ocasião, foi apresentada a metodologia para avaliação da Maturidade e Desempenho da Gestão Fiscal (MD-Gefis).

Durante o mês de fevereiro, uma equipe de consultores e especialistas do BID deve acompanhar e analisar os métodos de trabalho da Sefaz, avaliando os processos internos da gestão fiscal. O resultado da avaliação permite ao gestor orientar seu planejamento estratégico, potencializando assim seus resultados e priorizando seus investimentos.

“É uma avaliação integrada da gestão fiscal do estado que estuda a administração dos fiscos subnacionais, na área financeira, de planejamento e de transparência, tudo isso é analisado”, explica a representante do BID e componente da equipe de avaliação, Soraya Naffah.

O desenvolvimento dos trabalhos será supervisionado pela equipe técnica da Sefaz. Em função dos processos transversais, participarão também da avaliação, a Procuradoria Geral do Estado (PGE), a Controladoria Geral do Estado (CGE), a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), a Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) e Casa Civil.

O que é a MD-Gefis?

É um instrumento criado para diagnosticar a maturidade dos processos de trabalho dos órgãos responsáveis pela gestão fiscal dos estados, buscando identificar os pontos positivos e oportunidades de melhorias na gestão tributária, tesouro e contabilidade do estado.

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