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Canalha, mil vezes canalha!

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Com a expressão que dá título a este texto, obviamente escudado na esdrúxula imunidade parlamentar, que lhe permite insultar, ofender e caluniar quem quer que seja sem risco de ser processado, o senador amapaense Randolfe Rodrigues atacou o Ministro do Meio Ambiente que, ao chegar ao Brasil, vindo de Madrid onde participou da COP25, declarou que a reunião não deu em nada. “Países ricos não querem abrir seus mercados de créditos de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem. Protecionismo e hipocrisia andaram de mãos dadas, o tempo todo”, disse Ricardo Salles muito acertadamente.

Para o Senador, dopado pelo IPCC, falar a verdade é canalhice. Ora, ora.  Assim como a do ano passado, essa não deu em nada mesmo e a próxima não dará se os maiores poluidores e, por isso mesmo, mais ricos países do planeta, não resolverem pagar e, neste caso, pagar caro, já que em seus discursos valorizam tanto o carbono emitido por eles mesmos.

Na declaração em que insulta o Ministro, o senador do Amapá, que em sua carreira política foi petista desde os cueiros (seu pai já era petista), psolista quando viu o barco petista afundar no mensalão e agora esquenta lugar na Rede Sustentabilidade fazendo dupla ecológica com Marina Silva, aproveita para endossar a tal emergência climática que deu o mote na COP25. Ao adotar o apocalipse dos computadores do IPCC como norte e o alarmismo como estratégia, o ecologista de ocasião se alinha com os que querem o engessamento gratuito da Amazônia – coitados dos amapaenses.

Ouça aqui, Senador, se, mesmo pelos motivos errados, querem transformar a Amazônia em um Shangri-la tropical, que paguem pelo paraíso ecológico e ponto final, porém, se o propósito é nos impor uma agenda restritiva e perversa de preservação do estoque de riquezas naturais, sem compensações justas, enquanto a população sofre terríveis privações, talvez tenhamos encontrado a verdadeira canalhice.

A posição subalterna que certa gente adota quando se trata de meio ambiente chega a ser indecente. A adolescente sueca dá um piti, ou uma autoridade europeia fala alguma besteira politicamente correta e lá se vão atrás os nossos lulus, de rabinho abanando, esquecendo que seu compromisso fundamental é com o bem-estar do povo que representa.

Diz aí, Senador, de que forma o pobre Amapá vai sair da condição de ter apenas 27% da população com esgotamento sanitário, sem afirmar a vocação dada por suas riquezas naturais, sem gerar economia e sem receber contrapartida pelo carbono que “sequestra”. Vai viver de FPE/FPM até quando? E os empregos? Como ficam a educação e a segurança? Você não sabe, nem se interessa, quer apenas parecer antenado com o mundo, ser moderninho, quem sabe fazer uma selfie ao lado da garota surtada – daria um ótimo santinho na próxima campanha.

Em reportagem da revista ISTOÉ, o próprio secretário-geral da ONU, António Guterres, um dos líderes do globalismo, também disse estar decepcionado com os resultados da Cúpula do Clima. “A comunidade internacional perdeu uma oportunidade importante de mostrar uma maior ambição em mitigação, adaptação e finanças para enfrentar a crise climática. No entanto, não devemos nos render”, disse Guterres ao analisar o texto final da cúpula. Sobre isso o Senador amapaense ficou pianinho.

Se China, EUA, Índia e Russia, que juntos respondem por mais da metade de todo o carbono emitido, não toparam embarcar na tal emergência climática, por que o Brasil deveria fazê-lo? A emergência climática da ONU, ou, o pânico climático, como prefiro, tem implicações. Não é mera mudança de slogan. Os “salvadores” queriam que os países aceitassem endurecer mais ainda as restrições ambientais em seus países, de modo a promover nos próximos 10 anos, cinco vezes mais esforços de contenção das emissões, em prol da meta de redução de emissões. É como dizer que daqui por diante, você terá que diminuir em cinco vezes o tamanho do seu bife, as viagens que você faz, as vezes que liga o ar condicionado… que tal? 

Segundo o Portal G1, um dos pontos positivos da agenda brasileira foi a presença dos governadores da Amazônia no evento. Não se sabe muito bem o que eles disseram nem com que se comprometeram. Talvez os jornalistas tenham entendido a presença como uma piscadela ao os aquecimentistas e ao engessamento da região, mas por enquanto não se ouviu nada muito além do clichê de compatibilização do desenvolvimento com a preservação. Aguardemos.

Espera-se que essa participação não faça os estados amazônicos interromperem seus projetos de desenvolvimento. Temos muito a fazer, especialmente no Acre, onde os indicadores socioeconômicos são lamentáveis. Prestemos atenção, participemos, mas sigamos nosso itinerário. Há obras fundamentais a serem realizadas, recursos a serem explorados, gente a ser empregada, saúde, educação e segurança a serem melhorados e nada disso pode ser sustado pelo vozerio dos riquinhos europeus que a cada ano atualizam sua agenda globalista, tendo o meio ambiente como aglutinador.

Enfim, a questão da Amazônia está parecendo uma peça de teatro de roteiro esquizofrênico. Ato 1, temos na cena um desenvolvimentista como o Senador Marcio Bittar (AC), alinhado com o Ministro Ricardo Salles, que não aceita renunciar ao crescimento da economia e às obras estruturantes em troca do bom mocismo ecológico, Ato 2, surge o Senador Randolfe Rodrigues (AP), ombreado com os aquecimentistas, lambendo as mãozinhas geladas da Greta Tunberg e se candidatando a paniquete climática.


 

Valterlucio Bessa Campelo escreve às sextas-feiras no ac24horas

 

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Destaque 2

Quebra de acordo entre facções rivais pode ter sido a causa do aumento da violência

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Especialistas afirmam que uma trégua visando lucro foi estabelecida e quebrada nesse início de ano, quando os grupos organizados fortaleceram os caixas e voltaram a disputar territórios estratégicos.

Janeiro fecha com um dos maiores índices de violência já registrado desde 2017, ponto mais agudo da guerra entre faccionados no Acre, quando 32 pessoas foram barbaramente assassinadas. Este ano, 38 mortes letais foram registradas até hoje (28).

Mostrar a tendência de queda mensalmente tem sido um esforço do comando de segurança no Acre. Porém, especialistas ouvidos pela reportagem discordam desse festejo. Nas últimas semanas, o debate sobre a sensação de insegurança ganhou as redes sociais com direito a memes, fake news e fortes declarações da atuação da Força Nacional na região de fronteira – considerada o principal gargalo para o enfrentamento do crime organizado.

Um dos especialistas é oficial da reserva da Polícia Militar do Acre, por questão ética preferiu não se identificar. Afirma que mesmo com todo o investimento feito pelo governador Gladson Cameli é muito cedo para dizer que exista relação entre a redução dos números de mortes violentas com as políticas públicas executadas.

“Não existe maquiagem, os dados que mostram a redução da violência nem do governo são, tratam-se de plataformas sérias, porém, não há motivos para comemoração, é preciso observar a dinâmica do mercado do crime”, comentou o coronel.

Uma “onda temporária” diminuiu sensivelmente os indicadores de mortes letais no Acre e no restante do país durante doze meses do ano passado, isso pode ter relação com o que existe de moderno na gestão das facções, explica o coronel reformado. Ele acrescentou que os grupos criminosos para se conflitarem precisam de recursos. “Elas também têm um custo operacional, o que ocorre, fazem acordos periódicos para que ambas as partes aumentem o lucro e recupere o poder de fogo, esse pacto é feito no chamado Tribunal do Crime”, analisou.

Um advogado que pediu para não ter seu nome divulgado temendo represálias, disse que o acordo entre os faccionados segue um modelo empresarial que visa o foco no comércio de drogas pela fronteira. “O nome já diz, crime organizado, essa é uma tendência sofisticada, importada do sul e sudeste do país”, acrescentou o defensor.

O aumento da violência fez com que o vice-governador Major Rocha se manifestasse nas redes sociais. Um vídeo do tempo da campanha eleitoral viralizou exibindo o trecho onde o então candidato ao governo, Gladson Cameli o chamava como um “xerife” para dar um choque de segurança pública.

“Estamos fazendo tudo que podemos para devolver a paz para todas as famílias acreanas. A aquisição destas armas faz parte dos nossos esforços. Esse é um duro recado contra os criminosos e quero dizer para a população que vamos vencer essa guerra”, publicou o vice-governador em sua página social.

A “guerra” que o vice-governador se refere, segundo especialistas, ocorre dentro dos presídios. Vulneráveis e sob a tutela do estado, nas cadeias o poder público tem maior capacidade de pressão, estratégia elogiada no último domingo pelo Atlas da Violência em matéria publicada pelo jornal O Globo.

O coronel que contribuiu com a reportagem disse, no entanto, que prender não é a única fórmula de amenizar a situação, ele defende um conjunto de políticas dinâmicas como o próprio crime organizado.

“Esse é o momento vivido no Acre nesse início de ano. Foi necessário mudar as táticas, o grande número de veículos roubados e o aumento de crimes contra o patrimônio mostram o gerenciamento financeiro das facções, que se fortaleceram e voltaram a disputar território, espaço, até uma nova trégua. O estado precisa acompanhar essa dinâmica”, concluiu o coronel.

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Cotidiano

Carreta que transportava castanha tomba na BR-364, em Sena Madureira; não há feridos

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Um internauta enviou um vídeo ao ac24horas na tarde desta terça-feira (28) para mostrar um acidente ocorrido na estrada de Sena Madureira, na altura do km 35, interior do Acre.

Um carreta que transportava castanha acabou tombando na estrada na tarde desta terça (28). As causas do acidente ainda estão sendo investigadas.

De acordo com informações do Portal Yaco News, não houve feridos.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada para desobstrução da pista e normalização do trânsito no local do acontecido.

Veja o vídeo:

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