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Algumas notas sobre o agro acreano  

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Valterlucio Bessa Campelo

Foram publicados no último dia 25/10, os dados finais do Censo Agropecuário Brasileiro realizado em 2017, que oferece em termos estatísticos muitas possibilidades de análise. Tentarei fazer a partir deste texto algumas avaliações, curtas e superficiais como exige o espaço, no intuito de oferecer aos nossos leitores uma paisagem do setor com alguns recortes que pareçam mais relevantes. De antemão, peço desculpas por certas concessões de forma e estilo, posto que se trata de versão também para leigos.

O primeiro recorte tem a ver com a estrutura fundiária. O Censo 2017 levantou que no Acre existem 37.356 estabelecimentos agropecuários, os quais ocupam 4.232.700 hectares, o que representa 25,8% da área total. O resto, ou seja, 74,2% do território acreano é área pública, basicamente pertencente à União em suas diversas formas (Terras indígenas, Unidades de conservação etc.). A área média das propriedades rurais é de 113 hectares. 

Parece relevante neste ponto levar em conta a evolução desses números, tomando como base o Censo realizado 11 anos antes. À época, o Censo encontrou 29.483 estabelecimentos ocupando uma área de 3.582.543 ha. A área média das propriedades era de 121 hectares. Trocando em miúdos, no período entre 2006 e 2017, o número de propriedades cresceu 27% enquanto a área total ocupada cresceu 18%. A área média baixou de 121 para 113 hectares. 

Para efeito de análise, dividimos as propriedades rurais do Acre em três classes (menores de 100 ha, entre 100 e 1.000 ha e mais de 1.000 ha.). Os resultados são apresentados na forma gráfica abaixo, visando mais rápida compreensão.

Embora a área total e o número de estabelecimentos tenha crescido de modo significativo, percebe-se que a estrutura fundiária mesma não foi alterada, ou seja, no período de 11 anos o quadro de concentração da propriedade rural se manteve, apesar dos esforços governamentais.

Verificamos a situação também a nível regional e nos deparamos com uma situação bastante semelhante para o Norte do país, ou seja, as propriedades até 100 hectares (83%) ocupam apenas 19% da área, enquanto aquelas maiores que 1.000 hectares, que são apenas 1,7 do total, ocupam 34% da área total apropriada, o que autoriza dizer que trata-se de um registro que tem mais a ver com o processo de ocupação das terras na Amazônia, do que com um fenômeno especificamente acreano. Outros exercícios estaduais resultaram semelhantes.

Neste ponto há que se questionar se seria possível, ou desejável, ampliar na Amazônia o programa de reforma agrária em sua forma clássica, visando a solução de conflitos, o assentamento de agricultores sem terra e a produção de alimentos e matéria-prima ou, como sugerem alguns, a região deve ser mantida, tanto quanto possível, desocupada, evitando com isto agressões ao meio ambiente. Esta é uma indagação crucial porque leva a gestão territorial de um imenso espaço cuja economia, em muitos casos, agoniza.

Outra forma de avaliar os estabelecimentos é por sua tipologia, considerando aí a agricultura familiar e a não familiar, sendo que, nos termos da Lei nº 11.326 de julho de 2006, considera-se agricultor familiar aquele que desenvolve atividades econômicas no meio rural e que atende alguns requisitos básicos, tais como: não possuir propriedade rural maior que 4 módulos fiscais (tamanho variável de acordo com o município); utilizar predominantemente mão de obra da própria família nas atividades econômicas de propriedade; e possuir a maior parte da renda familiar proveniente das atividades agropecuárias desenvolvidas no estabelecimento rural.

Em 2006, a agricultura familiar no Acre continha 25.114 estabelecimentos, número equivalente a 85% do total. Em 2017, este número é de 31.109 que mesmo equivalendo 83% do total, representa um aumento de aproximadamente 6.000 estabelecimentos, o que não é pouca coisa. Em termos de área, a agricultura familiar teve um ganho importante, passando de 43% a 48% do território ocupado.

Importa notar que este movimento difere em muito da tendência apurada nacionalmente. Veja-se que, mesmo ainda representando 77% dos estabelecimentos, a agricultura familiar encolheu numericamente 9,5% no Brasil como um todo, apesar da área ocupada ter se mantido, com implicações severas no emprego e renda rural. Entre as causas principais, aponta-se a modernização representada pela mecanização de processos produtivos e o envelhecimento no campo proporcionado pela fuga dos jovens das atividades rurais.

Cabe aqui uma reflexão. Por que o Acre não acompanhou a tendência nacional? Ora, a lógica elementar leva a responder pelos fatores nacionais que não teriam atuado no Acre, o que realmente é possível perceber, pelo menos no que tange à modernização no campo. O exame dessa questão fica para o próximo artigo.


 

 

Valterlucio Bessa Campelo escreve às sextas-feiras no ac24horas.

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Destaque 2

Líder do Bonde dos 13 é preso ao visitar esposa na maternidade de Rio Branco

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Um dos líderes do Bonde dos 13 no maior conjunto habitacional do Acre, a Cidade do Povo, foi preso no início da noite desta segunda-feira, 20.

José Cleiton Alves da Silva, mais conhecido como “Vandoca”, foi encaminhado a Delegacia de Flagrantes no momento em que visitava sua esposa que acabou de dar a luz a um filho na Maternidade de Rio Branco, Barbará Heliodora.

Vandoca já tinha uma condenação na justiça e vinha sendo monitorado pela Polícia. Após a audiência de custódia que deve ser realizada nesta terça-feira, 21, um dos cabeças da facção rival do Comando Vermelho deve ser encaminhado ao presídio  Francisco D’Oliveira Conde.

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Extra Total

Multidão acompanha procissão em Xapuri no encerramento da Festa de São Sebastião

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“O esplendor da fé no coração de Xapuri”. Mais uma vez o slogan da Festa de São Sebastião foi levado a efeito na tradicional procissão que fechou os festejos e celebrações da 18ª edição do Novenário do Santo Padroeiro do município que se distancia 188 quilômetros da capital acreana, Rio Branco.

Mais de 15 mil pessoas, segundo estimativa da coordenação da paróquia de Xapuri, acompanharam o cortejo com a imagem do mártir cristão pelas principais ruas da cidade.

As celebrações deste dia 20 de janeiro começaram já nas primeiras horas da manhã com a chegada constante de fiéis. Tanto no interior da igreja quanto na imagem que fica do lado externo, foram muitas as manifestações de fé no santo padroeiro de Xapuri.

Desde o ato simples de acender velas e fazer as orações a outros mais sacrificosos como entrar na igreja e ir até o altar de joelhos, o dia foi de agradecimentos e pagamentos de promessas.

Duas missas foram celebradas ainda no período da manhã. À tarde, a concentração de romeiros e devotos se tornou muito grande instantes antes da missa solene que antecedeu a procissão, que saiu da igreja às 17h10.

Durante o percurso, muita oração e pedidos a Deus pelo restabelecimento da paz no Acre, em razão da onda de violência que toma conta do estado e do crescente envolvimento de jovens com a criminalidade e as drogas.

Também em meio ao trajeto, foram feitas três paradas em lugares predeterminados, onde mensagens foram transmitidas aos fiéis.

No ginásio de esportes da cidade, onde os jovens foram lembrados da importância das práticas saudáveis; no museu Casa Branca, onde foi lembrada a luta dos seringueiros-soldados que lutaram para tornar o Acre brasileiro; e, finalmente, no hospital, onde as orações foram direcionados aos enfermos.

Depois de percorrer cerca de cinco quilômetros, o cortejo retornou a igreja de São Sebastião, onde os romeiros foram abençoados pelo pároco Francisco das Chagas Monteiro. A festa religiosa foi encerrada com uma grande queima de fogos e muita música.

Igreja revigorada

Além das manifestações de fé e fortalecimento da devoção em São Sebastião, a festa do santo padroeiro também contribui para a revigoracão da paróquia, que levanta nos festejos os recursos para se manter no decorrer do ano.

Durante o Novenário, várias atividades voltadas para a arrecadação foram realizadas pela igreja. Desde a venda de lembranças da festa, como camisas, imagens, adesivos, terços e fitas, aos bingos, leilões, quermesses e restaurante popular.

Turismo e economia local aquecidos

Outro lado positivo da festa em Xapuri é o aquecimento da economia nesse período do ano. A prefeitura estima que foi movimentado cerca de R$ 1 milhão durante os festejos.

A pequena estrutura hoteleira da cidade esteve lotada desde o começo do mês. Os restaurantes e tradicionais “pensões” não dão conta da demanda, que é suprida pelas vendas informais e pela própria paróquia que disponibiliza restaurante aos visitantes.

Festa com segurança

A Polícia Militar informou que divulgará posteriormente a estimativa oficial de público presente durante os festejos e na procissão.

As informações preliminares a respeito do trabalho das forças de segurança são de que até este dia 20 de janeiro o clima foi muita tranquilidade.

O aparato da segurança em Xapuri conta com policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), Batalhão de Trânsito e Corpo de Bombeiros, além dos efetivos locais da PM e da Polícia Civil.

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