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De mal a pior

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De todos os males que o PT fez ao Brasil (e no Acre não foi diferente), talvez os piores tenham sido dividir a sociedade em os “bons” e os “maus”, além de tornar a política uma atividade marginal.

Óbvio que instrumentos de militância pregavam insistentemente que os bons eram eles e os ruins, os outros.

As casas legislativas, no lugar de ser, como deveriam ser, o local das discussões e de encaminhamento das melhores soluções dos inúmeros problemas da sociedade, passaram a ser enxergadas como covis de ladrões.

A política passou a ser um bom negócio. O que justificaria alguém em sã consciência gastar 5x numa campanha para, ao final de 4 anos, receber o montante de 1X?

Foi decepcionante e pesado demais para o povo brasileiro ver o partido que subiu ao poder pela escada da ética e que apontava o dedo da moralidade na cara de todos, se afogar na lama apodrecida da maracutaia.

O profundo descrédito pode ser comparado ao hipotético exemplo de uma casta freira carmelitana flagrada saindo de um motel: nunca mais a reputação do convento foi a mesma.

Os anos acumulados pelo PT no poder acabaram por transformar a política numa atividade bandida.

De fato, por se tratar do segmento mais democrático e, por essa razão, o mais questionado, os políticos sempre estiveram na alça da mira popular.

No entanto, depois dos sucessivos escândalos de corrupção petistas, o quadro se agravou e a metástase da sem-vergonhice de alastrou de tal forma a contaminar a todos. Não que antes do PT tenha sido diferente, convenhamos, mas o partido se firmou com a promessa de resistir e combater o câncer da corrupção.

Atualmente, por mais compromissado que este seja, o povo sempre olha de soslaio e com total desconfiança, medindo todos aqueles que se envolvem na política com a mesma régua da indecência.

Não se trata de uma utopia: interesses pessoais sempre existiram, e nem deixarão de existir, mas estes, nem de perto, chegaram a ameaçar os interesses coletivos.

No Congresso Nacional a moeda para “convencer” parlamentares atende pelo popular nome de “emendas”. De liberação impositiva e com finalidade “carimbada”, ou seja, com fim previamente especificado, essas emendas se tornaram num “prato cheio e outro esborrando” para a corrupção.

Fato é que a decepção petista reduziu à pó bons nomes da política e pariu o fenômeno chamado Bolsonaro, um deputado medíocre que passou 27 anos perdido no ostracismo dos corredores do Congresso e foi alçado à condição de novidade da política brasileira.

No futuro o povo saberá o preço total dessa fatura. Por enquanto, a raiva nutrida pelo PT está sendo suficiente para liquidar as primeiras parcelas.


 

 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas.

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Luiz Calixto

A pequena piada dos “dinossauros gigantes”

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Por falta de assunto, ou mais precisamente por falta do que fazer, o Acre literalmente parou para discutir o uso de um dinossauro para ornamentar a entrada no Estado pela BR-364.

A obra deverá ser edificada como resultado de uma emenda parlamentar “carimbada” do deputado federal Flaviano Melo. Ou seja: o recurso público não poderá ser utilizado para outro fim, para acalmar o ímpeto daqueles que o contestam alegando outras prioridades no Acre.

Por ironia do destino, a atual secretária de Turismo, Eliane Sinhasique, ordenadora da despesa, era uma ferrenha opositora da destinação de recursos para a construção do Museu dos Povos Acreanos, usando exatamente o argumento das prioridades, embora a verba, também carimbada, tenha sido contratada com finalidade específica.

Minha opinião é que a figura de um dinossauro como meio de atrair turistas para o Acre terá o mesmo efeito de usar uma branquela alemã para ser a Globeleza.

Mas tudo bem. Não será o adorno de um portal que colocará nosso Acre no roteiro do turismo nacional. Este poderia ser um dinossauro, uma anta, Plácido de Castro, um “I love Acre” ou até mesmo o Flaviano.

A discussão é a seguinte: o que é que o Acre tem para mostrar? Quais as nossas atrações para disputar com o litoral brasileiro ou com as ruínas de Machu Picchu?

Alguém, em sã consciência, acha que um cidadão gastaria seu dinheiro apenas para ver o bibelô gigante de um dinossauro? Depois dessa parte do programa, o turista se contentaria em visitar a Gameleira? Ou a opção seria tomar um chopp às margens do fétido Canal da Marternidade?

Quem desejar vir ao Acre puxado pelo meio ambiente ou pelos diversos segmentos da Ayashuasca virá, com ou sem portal.

Já escrevi em outras oportunidades que um dos maiores erros do PT foi o ufanismo em relação às coisas do Acre. Continuamos na mesma pisada.

Pergunte a si mesmo quais as opções que os residentes no Acre tem para fazer num domingo ou num feriado prolongado.

De posse dessa resposta, faça outra: quem sairia do seu lugar para gastar dinheiro em pórtico com “dinossauros gigantes”?

Fato é que não temos nenhum atrativo diferenciado para concorrer nesse rico segmento.

Fortaleza do Abunã e outros pontos turísticos de Rondônia continuarão em alta por muito tempo.


 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas. 

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Acre

Se há disciplina, há progresso

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Óbvio que a Frente Popular do Acre brigava muito. As divergências existentes entre as várias correntes eram, e ainda são, abissais. Nas plenárias saia faísca pra tudo quanto é lado.

Quem é do meio da política sabe que, internamente, o PT destrata o PCdoB. E a DR (Democracia Radical), se pudesse, furaria os olhos de todos os membros da corrente Articulação.

Entre as 4 paredes da alcova, em alguns eventos, o ambiente poderia ser equiparado a “inferninho” de oitava categoria. Todavia, em público, o comportamento e a harmonia deles equivalia a um convento de freiras carmelitanas. Isso é errado? Lógico que não.

Nada próspera onde reina a balbúrdia e a indisciplina. Em política, as aparências têm de ser mantidas. Se há problemas, estes devem ser exaustivamente discutidos e as deliberações da maioria cumpridas. A isso os gregos chamavam de democracia.

Qual a impressão causada ao eleitorado por um agrupamento político que por, quaisquer motivos, começa a jogar as panelas pela janela?

Evidente que o PT e seus parceiros erraram gravemente ao tentar impor suas regras internas para o povo. Não é exagero dizer que o ideário companheiro previa, inclusive, o controle absoluto do pensamento e da informação e por essa razão, acertadamente, carregam estampado na testa a fama de censores e perseguidores.

Muitos dos que atualmente compõe o governo de Gladson Cameli, provaram do chicote petista e ficaram “pianinhos” diante do cabedal de absurdos e desmandos.

A frente popular só expôs suas vísceras quando o barco estava afundando. Quando o fim estava decretado.

A disciplina e a obediência às ordens de comando, sem dúvidas, foram os principais ingredientes que os fizeram passar 20 anos mandando e desmandando no Acre.

O inusitado e patético é que muitos daqueles que passaram anos e anos com a venda no olhos e a mordaça na boca, contribuindo com sua subserviência para que o Acre chegasse aos limites intoleráveis que chegou, cobram do governador Gladson Cameli soluções de problemas que se acumularam ao longo de duas décadas.

Todos nós sabemos que o Estado passa por graves problemas de segurança. Quem falar isso não pode se apresentar como o inventor da roda.

Aliás, pejorativamente se pode dizer que só não temos problemas de “falta de ar”.

Agora querer, ainda que isso fosse o desejável, que a situação esteja um mar de rosas em razão de soluções tomadas menos de um ano de governo é subestimar a inteligência alheia e também que o povo esqueça que estes curaram sua miopia.

A população, saturada pela má qualidade dos serviços públicos há muitos anos , tem o direito – aliás, tem o dever-, de demonstrar sua insatisfação, sendo que maioria destes deveriam ter sido resolvidos ontem. Ninguém aguenta esperar, mas infelizmente a distância entre a vontade e a necessidade é longa.

Diante disso, alguns pensando apenas nos resultados eleitorais, deitam e rolam nessa fragilidade do governo.

Na vida real não há varinhas de condão. O Acre passa por apertos e escassez avalizados, inclusive, pelos salvadores da pátria. Não se pode confundir liberdade de expressão e democracia com oportunismo político.


 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas. 

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