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Intolerância, o jeito mais estúpido de ser

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Quantas vezes você já se expressou dizendo que não “tolerava” determinadas situações ou circunstâncias? Com certeza, várias.

De certa forma, todos nós carregamos um estoque considerável de intolerância. E isso é absolutamente normal, afinal, ninguém é obrigado a gostar ou aceitar nada à contragosto.

A questão é como domamos nossas reações e atitudes em relação a isso. O grave, todavia, é quando a intolerância se transforma em dogma e se institucionaliza em políticas de governos e são utilizadas como instrumentos de militância política.

Em certas igrejas e religiões, no lugar de propagar o amor, a fé e a misericórdia, algumas espalham a intolerância. Quem ainda não escutou, ao menos, um par de vezes os “intermediários” de Deus e mercadores de bençãos lançarem suas ameaças em forma de castigos aos seus fiéis, pregando e defendendo atos intoleráveis sob argumento “isso não é de Deus”?

Na política é a mesma coisa. O petismo e o bolsonarismo são as duas faces da mesma moeda neste quesito. Se, de um lado, os companheiros conviviam bem com a diversidade, seja de que espécie esta fosse, de outro eram absolutamente inclementes com a pluralidade de pensamento. Se não fosse do jeito deles nada não prestava.

Com inflexibilidade eles conseguiram estabelecer um apartheid entre o bem e o mal e hoje estão pagando muito caro por isso: parcela significativa do povo brasileiro não suporta o PT, ao ponto de qualquer divergência ser imediatamente polarizada como desgraça que eles provocaram. Tão repugnante é a reação ao ponto de até políticas de bom alcance social serem demonizadas apenas por ser de autoria petista.

Bolsonaro não é nem um pouco diferente. Seus seguidores o transformaram em “mito” exatamente por suas posições e declarações estapafúrdias em relação a determinados assuntos, principalmente no tocante a valores de família e sexuais. Intolerante, com maestria, Bolsonaro sabe também capitalizar e manipular a intolerância de seus admiradores.
Segundo o sábio provérbio lusitano os extremos se encontram.

Mas a intolerância deve ser barrada pelo livre arbítrio e pela lei. Qualquer cidadão tem a faculdade de não concordar com o homossexualismo ou com o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas o seu medidor de intolerância deve responder o que isso, de fato, o afeta ou quem lhe dá o direito de censurar e impedir essa decisão.

Nos tempos áureos do petismo no Acre, milhares foram vítimas da intolerância, que não admitia a existência de pensamentos divergente.

A intolerância é a mais nojenta de toda estupidez humana de querer o mundo moldado de acordo com a vontade de quem se acha dono dele.


 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas.

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Luiz Calixto

Ficou mais fácil mentir

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O melhor adubo para o florescimento da vigarice política é a desinformação do povo. Trocando em miúdos: como parcela significativa da população não tem informação e conhecimento necessários para avaliar o desempenho do mandato de um parlamentar ou as ações de um governante. Este exército de desinformados é presa fácil para compor o bloco da “Maria vai com as outras”.

Basta jogar uma isca apetitosa que o cardume fisga voluntariamente o anzol. Se a manchete da notícia for atrativa, poucos são os que terão o cuidado de apurar se isso não passa de factoide ou de uma reportagem encomendada.

As fileiras desse batalhão estão ainda mais longas com a popularização das redes sociais. Ludibriar ficou muito mais fácil e mais barato, posto que a maioria deles evita até de pagar um bom jornalista para, ao menos, evitar o assassinato da língua portuguesa.

Basta ver as cenas das sessões do Congresso Nacional, nas quais aparecem dezenas de deputados e senadores fazendo suas “lives” simulando que estão, de fato, produzindo algo a favor do povo.

Outro aperitivo são os anúncios de liberação de recursos e apoio a temas de apelo popular.

Quando o tema é bom, todos põe a cara na vitrine.

Quando o tema é impopular, embora necessário, os distintos fogem dele como o diabo foge da cruz.

A bancada do Acre tem uma particularidade: ela nunca propõe nada. Apenas apoia ideias alheias.

De que tanto reclamam os prefeitos do Acre, se todos os dias nossos valentes parlamentares passam 24 horas nos ministérios liberando dinheiro para tudo que é finalidade?

Um destes está mentindo: ou o prefeito chorão ou o parlamentar falastrão.

O que o exército de incautos talvez não saiba é que a maioria das verbas fica apenas estocada nas páginas do Facebook e nunca chega aos cofres dos municípios.

Alocar dotação orçamentária é fácil. Empenhar os recursos e liberar a verba são outros 500.

Ainda que se considerem politizados e senhores da acusação, da sentença e da absolvição, o bando é incapaz de fuçar os Portais de Transparência para checar se as postagens são baseadas em fatos verdadeiros ou não.

E o mais grave: compartilham mentiras sem nenhum peso de consciência.

A massa de pensamento crítico encolheu na mesma proporção esticou a fila dos analfabetos funcionais, que soletram palavras, mas são incapazes de interpretar o conteúdo do parágrafo de um texto.

Um rápido passeio pelas prestações de contas das verbas indenizatórias dos briosos parlamentares já seria um bom exercício para se descobrir o quanto custa-lhes fingir que trabalham.


 

 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas. 

 

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Luiz Calixto

É a pauta

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No Acre, por qualquer coisa, se faz tempestade em copo d’água.

Nesse instante, de todos os quadrantes, surgem especialistas no assunto cujas opiniões, geralmente sem sustentação nenhuma, se transformam, na marreta, em sentenças e jurisprudências na cabeça de quem se acha o bom da bola no tema.

A discussão da hora, que pautou as páginas dos jornais e sites, foi a decisão do governo de reduzir a base de cálculo para incidência do ICMS na saída de gado em pé para abate nos Estados de Rondônia e Amazonas.

Não foram poucos os jornalistas a escreverem que o governador Gladson Cameli, ao tempo que “chorava miséria”, favorecia os fazendeiros com sua decisão.

Vale ressaltar que não se trata de nada inusitado. Em anos anteriores, decretação idêntica fora feita. Basta ir ao Diário Oficial do Estado pesquisando a expressão “fica reduzida em 80%” para confirmar.

A intenção da medida governamental é distensionar a relação da imutável lei da oferta e da procura na busca incessante de seu equilíbrio.

Ou seja: quando a oferta de carne no mercado é superior ao volume demandado pelos poucos frigoríficos locais, a tendência natural é que os preços decresçam. Isso, óbvio, implica em menos renda para o produtor acreano.

É simples: com muitos vendedores, os poucos compradores dão as cartas dos preços, prazos e condições de pagamento , ainda mais sabendo estes que o preço fixado pela Secretariada Fazenda para tributa-los nas operações interestaduais é impeditivo.
Com mais gente comprando, as relações de comércio se alteram pra melhor.

Ao permitir que a oferta represada seja redirecionada para outras praças, o esperado é que os preços se elevem. É nesse puxa-encolhe que os preços se equilibrarão.

Essas medidas tem vigência temporária. Logo que as coisas se encaixem o valor de pauta do boi volta ao que era antes.

Não se pode, todavia, olvidar que a pecuária é a atividade econômica mais beneficiada por incentivos fiscais no Brasil.

Senão todos, mas quase todos, os insumos por ela utilizados ou são tratados com isenções ou com tributação generosamente reduzida.

No entanto, o que se deveria cobrar do setor, é que a geração de renda, o valor agregado e empregos continuam sendo desproporcionais aos favores dispensados pelo poder público.

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