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O Governador

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Em 1986, Nabor Júnior e Flaviano completaram três anos de mandato, respectivamente de Governador do Acre e de Prefeito de Rio Branco, ambos com enorme aprovação popular. O primeiro entregou o cargo à sua vice, Iolanda Fleming, e o segundo ao sucessor eleito Adalberto Aragão. Nas eleições de 1985 o PMDB deles elegeu os prefeitos de todos os, então, catorze municípios do Estado. No pleito do ano seguinte o partido elegeu Flaviano para Governador, Nabor e Aluízio Bezerra para o Senado da República, cinco dos oito Deputados Federais e ainda compôs ampla maioria na Assembléia Legislativa do Estado. No popular: foi barba, cabelo e bigode.
Gigante, quase uma federação de correntes e lideranças oriundas ainda do tempo de bipartidarismo, o PMDB se manteve praticamente coeso durante o governo de Nabor mas, na disputa de 1986, teve como principal adversário o então senador Mário Maia, recém saído de seus quadros e fundador do PDT no Estado, em coligação com os PDS e PFL, egressos da antiga ARENA.

A expectativa da rodovia pavimentada do Acre ao restante do país, com a conclusão da BR-364, alimentava o clima de otimismo da população da capital e a esperança dos habitantes do Juruá por uma ligação terrestre que efetivasse a integração do Estado. A campanha de Flaviano tomou esse mote. Eleito, o questionamento sobre os impactos das obras rodoviárias determinou o rumo ambientalista de seu governo.

Um episódio marcou o início de mandato do novo governador. O ano de 1987 começou com chuvas intensas que produziram inundações muito acima das médias na cidade de Rio Branco. O mesmo ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, o que deu evidência às mazelas locais na imprensa nacional.

Por conta dos planos econômicos, que pretendiam controlar o processo inflacionário, o presidente Sarney havia bloqueado, naquela época, os financiamentos do Fundo de Garantia para habitação e saneamento. Num decreto, permitiu que tais recursos fossem utilizados pelo Acre, especificamente na capital Rio Branco. Imediatamente, as companhias de Habitação e de Saneamento – COHAB e SANACRE desenvolveram projetos ambiciosos de distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgotos, recuperação de bairros e construção de casas para a população de baixa renda. Aos poucos as ações foram aparecendo e tomando conta da região mais populosa do Estado.

Parcerias com o INCRA e o trabalho direto do Departamento de Estradas de Rodagem permitiram também melhorias significativas nos diversos projetos de assentamento e na malha viária de escoamento da produção rural.

Enquanto isso, o sonho da ligação rodoviária com o Brasil parecia cada vez mais distante, graças à crescente pressão internacional pela proteção ambiental e o bloqueio do financiamento da obra pelo Banco Mundial. Foi quando instituiu o Programa de Proteção do Meio Ambiente e Comunidades Indígenas – PMACI, cujos resultados são, até hoje, a base do conhecimento sobre os temas ambientais e que resultou na instalação da Secretaria de Meio Ambiente, no Instituto de Meio Ambiente do Acre – IMAC e nas principais ações da Fundação de Tecnologia do Acre – FUNTAC, inicialmente criada por Flaviano para dar suporte ao programa habitacional e o desenvolvimento de produtos de base florestal.

Projetos como o da Floresta Estadual do Antimary, para o manejo sustentável da atividade madeireira e da Reserva Extrativista Chico Mendes foram possíveis graças ao conhecimento produzido a partir da iniciativa PMACI.

O Acre do governo Flaviano já não era mais o mesmo que elegeu Nabor. A imprensa escrita que se restringia a dois jornais diários cresceu para quatro, mais um ou outro tablóide semanal. Onde havia um único canal de televisão, passou a ter meia dúzia. Técnico por excelência, o governador determinou ações que eram a vanguarda na área ambiental, porém não capitalizou isso politicamente. Ao contrário, o que houve no Acre, naquela época, foi o crescimento e fortalecimento da oposição ruralista.

Nacionalmente, o problema do Brasil era a inflação que não havia santo que debelasse. A solução do país era a nova Constituição. Sarney, detentor de um mandato de seis anos, lutava para ficar pelo menos cinco, contra a intenção dos constituintes que pretendiam reduzi-lo para quatro.

Em 1988 o PMDB teve seu primeiro grande revés eleitoral. Num ataque coletivo de soberba, na minha modesta opinião, entregou a prefeitura para o velho Kalume, do PDS. Em 1990, entregou o resto de espaços no poder executivo ao principal partido adversário, elegendo Edmundo Pinto, também do PDS, para dirigir o Estado. Um apelo nacional por renovação, apoiado no mote de caçar marajás, pôs na Presidência da República Fernando Collor de Mello e determinou o marco inicial dos pleitos dirigidos por publicitários eficientes.

Para A Câmara Federal, embora com grande renovação na bancada, o PMDB ainda conseguiu manter as cinco das oito cadeiras que tinha. Perdeu vagas na Assembléia Legislativa, também bastante renovada, mas elegeu parlamentares de altíssima qualidade como Adalberto Ferreira, João Correia e Said Filho. Essa foi, talvez, uma das melhores legislaturas que o Acre já teve e que contou também com Sérgio Taboada, Marina Silva, Luiz Saraiva, Maria das Vitórias e tantos outros.

Flaviano conquistou a única vaga aberta ao Senado naquele ano. Teve seu reconhecimento pelo legado em obras de infraestrutura urbana como os conjuntos habitacionais, o Teatrão, o que é hoje a Fundação Hospitalar e, principalmente, as rurais, de ramais e escolas nos assentamentos do Incra. Porém poucos enxergam o que seu governo, de apenas três anos, fez em ações de conservação do meio ambiente do Acre, numa época quando esse tema estava longe dos noticiários e da pauta política locais.


 

 

Roberto Feres escreve às terças feiras no ac24horas.

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Acre

Seis foragidos do presídio são recapturados pela polícia

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Equipes da Polícia Penal e Polícia Militar do Acre seguem o trabalho de busca pelos detentos que fugiram do presídio estadual Francisco d’Oliveira Conde, em Rio Branco, na madrugada de ontem. Até a manhã desta terça-feira, 21, seis dos 25 que estavam foragidos já foram recapturados.

As diligências, segundo o presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) se estenderam durante toda a madrugada desta terça. A identificação dos presos que foram pegos ainda deve ser divulgada pela secretaria de Segurança Pública do Estado. “Três presos que haviam cortado a tornozeleira eletrônica em datas pretéritas também foram recapturados pela Polícia Penal”, disse o presidente do Iapen, Lucas Gomes.

Segundo ele, as Polícias devem continuar os trabalhos até chegar a todos os foragidos que escaparam do presídio nessa segunda-feira. “Um monitorado também foi preso em sua residência pelo crime de tráfico de drogas”, informou.

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Acre

MPAC quer saber se policiais penais facilitaram a fuga dos criminosos

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A procuradora-geral de Justiça, Kátia Rejane de Araújo Rodrigues, anunciou que o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) vai acompanhar as investigações que buscam esclarecer a fuga de 26 detentos do presídio Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, na madrugada de segunda-feira, 20.

Na tarde de ontem, a procuradora-geral convocou integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Centros de Apoio Operacional (Caop) de Direitos Humanos e Cidadania, Controle Externo da Atividade Policial e Fiscalização dos Presídios, e da 4ª Promotoria Criminal de Rio Branco, que atua perante a Vara de Execuções Penais, para uma reunião de emergência.

Será instaurado um procedimento administrativo visando apurar os fatores estruturais e humanos que possam ter contribuído para a fuga, bem como se houve facilitação por parte de agentes públicos.

O procedimento será conduzido pelo promotor Tales Tranin, titular da 4ª Promotoria Criminal e, atualmente, respondendo também pela Promotoria Especializada de Direito Difuso à Segurança Pública, e pela promotora Maria Fátima Ribeiro, coordenadora do Caop do Controle Externo da Atividade Policial e Fiscalização dos Presídios.

Os presos escaparam por um buraco aberto na parede de uma cela do Pavilhão L e depois utilizaram cordas improvisadas com lençóis para escalar o muro da unidade prisional.

Também participaram da reunião, o procurador Sammy Barbosa Lopes, coordenador do Caop de Defesa dos Direitos Humanos; e o coordenador e coordenador- adjunto do Gaeco, procurador Danilo Lovisaro e Bernardo Albano.

Chacina e mensagens com alerta de ataques

Ainda na reunião, o Gaeco reforçou que são falsas as mensagens que circulam nas redes sociais alertando sobre possíveis ataques pelo Comando Vermelho, em retaliação às seis mortes registradas no sábado, 18, na Estrada Transacrena, na Capital.

Sobre as execuções, o Gaeco considera que é prematuro afirmar que rivalidade entre facções possa ter motivado a chacina, podendo ter sido provocada também por conflitos agrários, domínio de rota de drogas ou roubo de gado, crimes comuns naquela região.

Kelly Souza-Agência de Notícias do MPAC

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