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O prefeito

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Quando cheguei em Rio Branco o prefeito Flaviano Melo já fazia um ano e meio no mandato. O tempo era de uma transição para encerramento da ditadura militar que, especialmente no Acre, foi bastante traumática.

Nabor Júnior havia vencido a primeira eleição de governador após a cassação do José Augusto, quase vinte anos antes, num pleito relativamente apertado. Seu PMDB era formado por diversos grupos com lideranças fortes e também eleitas para o legislativo estadual e federal, como Rui Lino, Geraldo Fleming, Aluízio Bezerra, Mário Maia e Raimundo Hermínio Melo.

Na equipe de governo, que pretendia contemplar a participação de todas as correntes do partido, o deputado Raimundo Melo não fez indicação para cargos. Naquela eleição, o filho caçula José foi eleito deputado federal aos vinte e cinco anos de idade, já entrando para a carreira política um tanto a contragosto do pai.

Não conheci Raimundo Melo pessoalmente. Quando cheguei por aqui ele havia falecido fazia pouco tempo. Mas também não conheci alguém, nesses meus 35 anos de Acre, que dissesse algo negativo sobre aquele homem. Parece que era de falar pouco, não fazia discursos, e de trabalhar muito. A ideia que tenho dele é a de um grande fomentador do empreendedorismo. Não foram poucos os casos que fiquei sabendo de gente que, com um empurrãozinho seu, montou um pequeno negócio e prosperou na iniciativa privada.

Ainda por conta do processo de transição à democracia, não havia sido instituída eleição para o cargo de prefeito das capitais, cujo mandato coincidia com o dos governadores. Cabia a Nabor indicar alguém para governar Rio Branco e escolheu o engenheiro Flaviano, filho de Raimundo e irmão mais velho de José.

A prefeitura, naquela época, não devia ser um posto dos mais cobiçados. Instalada no porão do Palácio das Secretarias, era totalmente dependente dos recursos estaduais e tida como um organismo acessório, cuja visibilidade política beirava o zero.

Flaviano, por sua vez, se formou engenheiro civil no Rio de Janeiro e fazia carreira na Construtora Mendes Júnior onde, uma década antes, ingressou como estagiário, trabalhando na construção da Ponte Rio-Niterói. Quando foi chamado para ser prefeito de Rio Branco, administrava uma obra no Recife.

Em sua biografia, recém lançada, Nabor conta que Raimundo Melo preferia o filho fora da vida pública. Aceitou, contrariado. A nomeação, pelo rito da época, era precedida de aprovação legislativa onde Flaviano obteve o voto de vinte e dois dos vinte e quatro deputados. Raimundo se absteve e somente o líder do PDS, Félix Bestene, foi contrário.

Empossado no cargo, o novo prefeito montou uma equipe enxuta. O quadro do município era reduzido e carente de técnicos e especialistas. As instalações eram precaríssimas. Seu primeiro desafio exigiu muito da experiência como gerente de obras. Conseguiu com Nabor a cessão do prédio onde funcionava o hotel Chuí, um empreendimento estatal já desnecessário e que concorria com o setor privado, fez as devidas adaptações e instalou ali seu Gabinete e as secretarias de Finanças, Administração, Planejamento e os serviços jurídicos. Ao mesmo tempo, recrutou profissionais de diversas áreas, publicando chamadas nos principais jornais do país.

O dinamismo da equipe permitiu a inserção rápida do município no programa Cidades de Porte Médio, do Banco Interamericano de Desenvolvimento e em linhas de financiamento para infraestrutura, como o CURA/BNH, com recursos do FGTS.

Virtù et Fortuna, já no início do mandato foi aprovada a emenda constitucional Passos Porto que aumentava substancialmente os repasses do governo federal para o Fundo de Participação dos Municípios.

Cheguei por aqui quando era inaugurada a pavimentação em tijolos para o bairro das Placas. Algumas ruas essenciais, como a Omar Sabino, Leblon, Aviário e Isaura Parente estavam em obras. O sistema de Táxi havia sido regulamentado e parte das linhas de ônibus recém licitada e contratada. Xavier Maia cuidava da limpeza urbana e a Emurb funcionava a pleno vapor.

Planejamento e Obras já trabalhavam um modelo inédito de orçamento público com a participação direta da comunidade e as associações de bairro eram entidades fortes e respeitadas pela população e parceiras da administração.

Era período de transição para um regime democrático, mas no Acre, a Democracia era algo vivo e vibrante.

Para alternar as eleições municipais com as gerais, foi marcado um novo pleito em 1985 para escolha popular onde havia prefeitos nomeados, os biônicos. No Acre, isso atingiu todos os municípios que, por estarem em área de fronteira, eram considerados de segurança nacional.

Após três anos a frente da prefeitura, Flaviano transferiu a Adalberto Aragão uma cidade efervescente e uma equipe preparada que deu continuidade a muitos projetos como a edição do Plano Diretor de 1986, a construção do bairro Tancredo Neves e a recuperação da infraestrutura do bairro Procon.

Guinado para um desafio onde ninguém via visibilidade política, nas eleições de turno único para o governo estadual, em 15 de novembro de 1986, Flaviano obteve mais de 60% dos votos totais.


 

Roberto Feres escreve às terças feiras no ac24horas.

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