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Ex-dependente químico pede socorro para manter Apadeq

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Em um pequeno prédio cedido pela prefeitura, na rua Petrônio Rodrigues, bairro do Pantanal, funciona a Associação dos Parentes e Amigos dos Dependentes Químicos de Xapuri – a Apadeq. Ali, o ex-dependente Valcir da Silva Freitas, 47 anos, realiza reuniões todas às segundas-feiras com o objetivo de levar dezenas de usuários de drogas ao mesmo caminho que ele encontrou há 6 anos: o da libertação do tenebroso mundo da dependência química.

Valcir conta que foi viciado em drogas durante 30 anos de sua vida. “Uma longa jornada de auto destruição e sofrimento”, relembra. O fundo do poço foi o pedido da esposa, Maria das Dores, a Dôra, com quem tem um filho, para que ele saísse de casa. Sem possuir mais nada e sem ter para onde ir, pediu ajuda ao juiz de direito da cidade, Luís Gustavo Alcalde Pinto, que providenciou a sua ida para Rio Branco, onde passou 9 meses internado na Apadeq da capital. Recuperado, não apresentou recaídas e reconquistou a esposa e o filho, hoje com 8 anos.

Desempregado, Valcir conta com o apoio de instituições públicas como a Prefeitura, o Juízo da Comarca e a Promotoria de Justiça para manter de pé a entidade que, segundo ele, já salvou muitas vidas. As reuniões semanais contam com uma média de 25 participantes, entre dependentes e familiares, conforme mostra o bem cuidado livro de presenças. No entanto, tem sido cada vez mais difícil manter o compromisso assumido quando se livrou das drogas: o de cuidar da instituição que o acolheu. 

“Tem dias que eu chego em casa e digo para a minha esposa que vou largar tudo, que não consigo mais. Aí vem a lembrança de como fui ajudado pela instituição e a consciência de que tem muita gente precisando de mim. A minha maior felicidade é quando eu salvo uma vida. Essa é a minha maior recompensa”, diz. 

Na sede da associação falta praticamente tudo. O espaço físico é reduzido e inadequado para o fim que se presta. Não há condição de se abrigar e muito menos de se tratar de alguém no local. Para atender aqueles que entendem necessitar de internação, há um convênio com a Apadeq Rio Branco. Valcir leva os dependentes à capital em um carro acautelado pela Justiça. De tão velho e sem receber manutenção, o veículo já não consegue fazer o trajeto entre as duas cidades.

À frente  do cargo de presidente da Apadeq Xapuri desde o ano de 2017, Valcir Freitas explica que, à exceção do apoio que recebe da Prefeitura e da Justiça, a entidade não conta com nenhum outro tipo de parceria ou ajuda. Ele afirma que o fato de ser ex-usuário de drogas faz com que muita gente não acredite na sinceridade de seus propósitos. Nos últimos dois anos, segundo suas anotações, conduziu para tratamento em Rio Branco cerca de 150 pessoas, muitas das quais se curaram do vício. Um trabalho silencioso e quase invisível.

“A gente nota que muita gente não dá importância para esse trabalho. Mas quando nós conseguimos tirar um dependente químico da rua e conseguimos recuperar essa pessoa, estamos ajudando o poder público a solucionar uma pequena parcela dos problemas. Estamos tirando da rua uma pessoa que possa vir a cometer crimes. Estamos fazendo a nossa parte nesse processo”, garante. 

Valcir tem buscado ajuda para melhorar as condições de trabalho na associação. Entre as necessidades mais urgentes ele afirma que precisa de um notebook, de uma caixa de som e de um data show para as palestras itinerantes que realiza. 

As pessoas que, porventura, desejarem fazer alguma doação ou contribuir financeiramente com o trabalho de Valcir Freitas frente à Apadeq no município de Xapuri podem entrar em contato com o presidente por meio dos telefones (68) 999947-8448 ou 99944-2107.

 

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