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Cachaça e caviar

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Eis que depois de semanas mais parado que água de cacimba, o Acre foi abalroado com uma notícia que testou, de uma vez por todas, a veracidade dos ditados populares “quando a onça tá morta aparecem muitos corajosos para enfiar o dedo na venta dela” e “bocado comido, bocado esquecido”.

É isso: um dos donos da Cia. Selva foi às redes sociais denunciar um suposto catrepe aplicado pelo PT e ainda ameaçou os antigos companheiros de recorrer à Justiça para receber os haveres pendentes.

Junto com a reclamação, a declaração de pobreza que “loba petista” o havia deixado sem condições financeiras para continuar saboreando o legítimo uísque 18 anos e, por essa razão, estava obrigado a tomar cachaça Ypioca, uma pinga cearense vendida até em doses de 1 real.

Pois bem: a Cia. de Selva chegou ao Acre pelas mãos do saudoso governador Orleir Cameli, trabalhou na gestão municipal de Flaviano Melo, mas foi no governo petista que a empresa pintou e bordou.

Não é segredo no Estado que a verba da mídia intermediada se destinava muito mais para adequar e controlar a linha editorial da imprensa local que propriamente para fazer a propaganda das ações governamentais.

Ao longo dos anos de bonança, alguns milhões de reais transitaram pela conta corrente da empresa e jornais e jornalistas se ajoelhavam aos pés do governo para poder provar do milionário bolo midiático.

Os donos da empresa iam além das funções publicitária, pois também participavam das principais decisões e rumos dos governos petistas.

As lamentações não devem passar de reles deboches, pois, no Acre, poderia faltar dinheiro para o pagamento de qualquer credor, menos para a Cia de Selva. Foram décadas de regularidade de pagamentos. Faltou dipirona nos hospitais, mas não faltou dinheiro pra imprensa.

A serem verdadeiras as declarações isso vem a provar que o reclamante agiu como se o contrato fosse eterno. Um contrato desses em minhas mãos nunca me faltaria nem para o uísque da melhor espécie nem para o legítimo caviar. Difícil acreditar que não haja nas contas dos sócios da Cia. de Selva alguns milhões lucrados em quase 25 anos de relação comercial com o Estado e que passará para a história acreana como relação de comércio governamental mais longeva.


Luiz Calixto escreve às quartas-feiras no ac24horas

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Luiz Calixto

A pequena piada dos “dinossauros gigantes”

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Por falta de assunto, ou mais precisamente por falta do que fazer, o Acre literalmente parou para discutir o uso de um dinossauro para ornamentar a entrada no Estado pela BR-364.

A obra deverá ser edificada como resultado de uma emenda parlamentar “carimbada” do deputado federal Flaviano Melo. Ou seja: o recurso público não poderá ser utilizado para outro fim, para acalmar o ímpeto daqueles que o contestam alegando outras prioridades no Acre.

Por ironia do destino, a atual secretária de Turismo, Eliane Sinhasique, ordenadora da despesa, era uma ferrenha opositora da destinação de recursos para a construção do Museu dos Povos Acreanos, usando exatamente o argumento das prioridades, embora a verba, também carimbada, tenha sido contratada com finalidade específica.

Minha opinião é que a figura de um dinossauro como meio de atrair turistas para o Acre terá o mesmo efeito de usar uma branquela alemã para ser a Globeleza.

Mas tudo bem. Não será o adorno de um portal que colocará nosso Acre no roteiro do turismo nacional. Este poderia ser um dinossauro, uma anta, Plácido de Castro, um “I love Acre” ou até mesmo o Flaviano.

A discussão é a seguinte: o que é que o Acre tem para mostrar? Quais as nossas atrações para disputar com o litoral brasileiro ou com as ruínas de Machu Picchu?

Alguém, em sã consciência, acha que um cidadão gastaria seu dinheiro apenas para ver o bibelô gigante de um dinossauro? Depois dessa parte do programa, o turista se contentaria em visitar a Gameleira? Ou a opção seria tomar um chopp às margens do fétido Canal da Marternidade?

Quem desejar vir ao Acre puxado pelo meio ambiente ou pelos diversos segmentos da Ayashuasca virá, com ou sem portal.

Já escrevi em outras oportunidades que um dos maiores erros do PT foi o ufanismo em relação às coisas do Acre. Continuamos na mesma pisada.

Pergunte a si mesmo quais as opções que os residentes no Acre tem para fazer num domingo ou num feriado prolongado.

De posse dessa resposta, faça outra: quem sairia do seu lugar para gastar dinheiro em pórtico com “dinossauros gigantes”?

Fato é que não temos nenhum atrativo diferenciado para concorrer nesse rico segmento.

Fortaleza do Abunã e outros pontos turísticos de Rondônia continuarão em alta por muito tempo.


 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas. 

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Acre

Se há disciplina, há progresso

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Óbvio que a Frente Popular do Acre brigava muito. As divergências existentes entre as várias correntes eram, e ainda são, abissais. Nas plenárias saia faísca pra tudo quanto é lado.

Quem é do meio da política sabe que, internamente, o PT destrata o PCdoB. E a DR (Democracia Radical), se pudesse, furaria os olhos de todos os membros da corrente Articulação.

Entre as 4 paredes da alcova, em alguns eventos, o ambiente poderia ser equiparado a “inferninho” de oitava categoria. Todavia, em público, o comportamento e a harmonia deles equivalia a um convento de freiras carmelitanas. Isso é errado? Lógico que não.

Nada próspera onde reina a balbúrdia e a indisciplina. Em política, as aparências têm de ser mantidas. Se há problemas, estes devem ser exaustivamente discutidos e as deliberações da maioria cumpridas. A isso os gregos chamavam de democracia.

Qual a impressão causada ao eleitorado por um agrupamento político que por, quaisquer motivos, começa a jogar as panelas pela janela?

Evidente que o PT e seus parceiros erraram gravemente ao tentar impor suas regras internas para o povo. Não é exagero dizer que o ideário companheiro previa, inclusive, o controle absoluto do pensamento e da informação e por essa razão, acertadamente, carregam estampado na testa a fama de censores e perseguidores.

Muitos dos que atualmente compõe o governo de Gladson Cameli, provaram do chicote petista e ficaram “pianinhos” diante do cabedal de absurdos e desmandos.

A frente popular só expôs suas vísceras quando o barco estava afundando. Quando o fim estava decretado.

A disciplina e a obediência às ordens de comando, sem dúvidas, foram os principais ingredientes que os fizeram passar 20 anos mandando e desmandando no Acre.

O inusitado e patético é que muitos daqueles que passaram anos e anos com a venda no olhos e a mordaça na boca, contribuindo com sua subserviência para que o Acre chegasse aos limites intoleráveis que chegou, cobram do governador Gladson Cameli soluções de problemas que se acumularam ao longo de duas décadas.

Todos nós sabemos que o Estado passa por graves problemas de segurança. Quem falar isso não pode se apresentar como o inventor da roda.

Aliás, pejorativamente se pode dizer que só não temos problemas de “falta de ar”.

Agora querer, ainda que isso fosse o desejável, que a situação esteja um mar de rosas em razão de soluções tomadas menos de um ano de governo é subestimar a inteligência alheia e também que o povo esqueça que estes curaram sua miopia.

A população, saturada pela má qualidade dos serviços públicos há muitos anos , tem o direito – aliás, tem o dever-, de demonstrar sua insatisfação, sendo que maioria destes deveriam ter sido resolvidos ontem. Ninguém aguenta esperar, mas infelizmente a distância entre a vontade e a necessidade é longa.

Diante disso, alguns pensando apenas nos resultados eleitorais, deitam e rolam nessa fragilidade do governo.

Na vida real não há varinhas de condão. O Acre passa por apertos e escassez avalizados, inclusive, pelos salvadores da pátria. Não se pode confundir liberdade de expressão e democracia com oportunismo político.


 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas. 

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Bombando

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