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Tirando da reta

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Não foi acaso que os deputados federais deixaram os Estados e municípios fora do texto da draconiana reforma da Previdência. Não se iludam. O passo foi milimetricamente calculado pelos lobistas do mercado financeiro. Caso contrário a quantidade dos votos nem chegaria perto do mínimo necessário para aprovar a emenda.

Para entender isso é preciso mergulhar na essência do povo brasileiro. Somos uma nação sem memória, que não é capaz sequer de lembrar o que almoçou na segunda-feira da semana passada. Não seria exagero afirmar que somos um “bando de gente” sem rumo.

A rigor, e em respeito ao pacto que delega aos entes da federação autonomia financeira e administrativa, as leis sobre as aposentadorias dos servidores municipais e estaduais regidos por estatutos deveriam ser votadas nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, respectivamente.

Redundante lembrar que os regimes de previdências são “próprios”. Vale ressaltar, no caso do Acre e do município de Rio Branco, que o Acreprevidência e o RBPrev foram criados por leis votadas aqui mesmo.

Pois bem: ocorre que a dita reforma, que já impôs no lombo dos trabalhadores privados um fardo impossível de ser carregado, também será muito mais cruel com os servidores públicos. Tão amarga que será impossível de ser esquecida nas eleições de 2020, para prefeitos e vereadores, e de 2022, quando ocorrerão as disputas para governadores,deputados estaduais, federais e senadores.

Foi nesse vácuo que os estrategistas políticos enxergaram a janela para incluir Estados e Municípios através de uma proposta de Emenda Constitucional paralela, a famosa PEC paralela, a iniciar-se no Senado Federal.
Do total de 81 senadores, apenas 27 mandatos serão submetidos a renovação em 2022. Os 54 restantes estão “poluindo e andando”, com o burro amarrado na sombra, com mandatos até 2027. Ou seja: com tempo mais que suficiente para o povo esquecer dos votos deles.

A estratégia tira do espinhaço dos governadores, deputados federais, estaduais e vereadores o peso da impopularidade na disputa de um novo mandato.

Ao exercitar o sagrado direito de divergir da minha opinião, então responda: se a reforma é boa e é a salvação da lavoura, por quais motivos a Câmara Federal se esquivou de votá-la?

Por qual razão governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores abririam mão de serem patronos desses benefícios?

Por que querem tirar “ o “ deles da reta?

Fácil de responder: o ferro vai entrar, mas os prejudicados esquecerão de tudo bem ligeirinho, como sempre.

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Luiz Calixto

Intolerância, o jeito mais estúpido de ser

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Quantas vezes você já se expressou dizendo que não “tolerava” determinadas situações ou circunstâncias? Com certeza, várias.

De certa forma, todos nós carregamos um estoque considerável de intolerância. E isso é absolutamente normal, afinal, ninguém é obrigado a gostar ou aceitar nada à contragosto.

A questão é como domamos nossas reações e atitudes em relação a isso. O grave, todavia, é quando a intolerância se transforma em dogma e se institucionaliza em políticas de governos e são utilizadas como instrumentos de militância política.

Em certas igrejas e religiões, no lugar de propagar o amor, a fé e a misericórdia, algumas espalham a intolerância. Quem ainda não escutou, ao menos, um par de vezes os “intermediários” de Deus e mercadores de bençãos lançarem suas ameaças em forma de castigos aos seus fiéis, pregando e defendendo atos intoleráveis sob argumento “isso não é de Deus”?

Na política é a mesma coisa. O petismo e o bolsonarismo são as duas faces da mesma moeda neste quesito. Se, de um lado, os companheiros conviviam bem com a diversidade, seja de que espécie esta fosse, de outro eram absolutamente inclementes com a pluralidade de pensamento. Se não fosse do jeito deles nada não prestava.

Com inflexibilidade eles conseguiram estabelecer um apartheid entre o bem e o mal e hoje estão pagando muito caro por isso: parcela significativa do povo brasileiro não suporta o PT, ao ponto de qualquer divergência ser imediatamente polarizada como desgraça que eles provocaram. Tão repugnante é a reação ao ponto de até políticas de bom alcance social serem demonizadas apenas por ser de autoria petista.

Bolsonaro não é nem um pouco diferente. Seus seguidores o transformaram em “mito” exatamente por suas posições e declarações estapafúrdias em relação a determinados assuntos, principalmente no tocante a valores de família e sexuais. Intolerante, com maestria, Bolsonaro sabe também capitalizar e manipular a intolerância de seus admiradores.
Segundo o sábio provérbio lusitano os extremos se encontram.

Mas a intolerância deve ser barrada pelo livre arbítrio e pela lei. Qualquer cidadão tem a faculdade de não concordar com o homossexualismo ou com o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas o seu medidor de intolerância deve responder o que isso, de fato, o afeta ou quem lhe dá o direito de censurar e impedir essa decisão.

Nos tempos áureos do petismo no Acre, milhares foram vítimas da intolerância, que não admitia a existência de pensamentos divergente.

A intolerância é a mais nojenta de toda estupidez humana de querer o mundo moldado de acordo com a vontade de quem se acha dono dele.


 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas.

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Luiz Calixto

Um homem honrado do Acre

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A política sempre foi uma atividade muito questionada. Óbvio que isso se deve à sua própria natureza popular, pois o povo gosta, participa, discute e escolhe, ao menos em tese, livremente seus representantes.

Ocorre que nos últimos anos essa atividade entrou em processo de putrefação moral. Ninguém acredita em mais ninguém. O que era uma atividade exercida por vocação, passou a ser profissão, meio de vida, um bom negócio.

Antigamente, um político ganhava eleições em cima de suas propostas e credibilidade. Hoje, homens como Ulisses Guimarães, Paulo Brossard, Nelson Jobim, Nabor Junior e Jorge Kalume dificilmente ganhariam um eleição, pois a maioria delas são compradas a peso de ouro.

Gastam “um tanto para se locupletarem com outros tantos”. Faço esta singela introdução para escrever sobre um político que dignificou a política e o Acre: Nabor Teles da Rocha Junior, o nosso Nabor Junior, Naborzinho, ou como os mais antigos o chamam em Tarauacá, o Jôjô.

Nabor foi deputado estadual, federal, governador e senador da República. Em 40 anos de vida pública nunca se ouviu falar que estivesse envolvido em maracutaia.

Nabor foi governador na transição do governo militar para o civil. O general João Figueiredo, presidente à época, o tratava com total indiferença, pois quando deputado federal Nabor recusara-se a trocar o seu MDB por uma nova legenda que o presidente pretendia criar.

Figueiredo nunca o perdoou pela negativa. Nas escassas e protocolares vezes que foi recebido em audiência como governador do Acre, a conversa era a mesma: não há recursos. Mesmo assim Naborzinho espalhou escolas pelo Acre, melhorou o salário dos servidores, asfaltou com recursos próprios as estradas para a praia do Amapá, Porto Acre e Plácido de Castro, onde alguns trechos ainda permanecem após 33 anos. Fez as pontes de Brasileia e Sena Madureira. Paro por aqui com as obras para o texto não ficar muito longo.

Naquela época não havia Fundeb, as malfadadas emendas de parlamentares ou empréstimos. Era o FPE e a arrecadação própria, limpos e secos.

Nabor é da espécie de político que não se pode classificar com poucos adjetivos, sob pena de, injustamente, se deixar de citar muitos.

Entre os muitos destes é importante ressaltar a tolerância e o seu espírito e práticas democráticas.

Alguns exemplos disso: Nabor era deputado estadual, José Augusto, governador do Estado e Tupanir Gaudêncio um duro e competente adversário político de ambos em Tarauaca.

Pressionado por aliados, o decreto de transferência funcional de Tupanir já estava “batido”. Ao tomar conhecimento, Nabor convenceu o então governador a rasgá-lo. Nabor nunca admitiu perseguição.

O atual deputado José Bestene era gerente do Banacre em São Paulo, Osmir Lima presidente do banco e Nabor, governador. Também, pressionado por aliados, Nabor ligou para Osmir e perguntou qual era o desempenho de Bestene no banco.

Com a resposta de que se tratava de um dos melhores gerentes, Nabor manteve Bestene no cargo até este ser afastado por Iolanda Fleming, que fez os “gostos” dos aliados quando assumiu o governo. Bestene era irmão de Félix Bestene, um deputado de oposição à Nabor.

Omar Sabino foi eleito para o Conselho Estadual de Educação, mas a nomeação dependia do governador. Novamente os aliados entraram
em ação para embargar. Em audiência, Nabor disse a Omar: “Doutor, o mais difícil o senhor já fez, que foi vencer. Eu vou apenas homologar seu nome.”

Apesar de tudo isso, em 2002, quando disputava novamente a eleição para o Senado, a Frente Popular fez a mais sórdida e covarde campanha contra ele, cujo mote era “Nabor, nunca mais”.

Isso, mais o “olho grande” de seus parceiros que lançaram outros cinco candidatos ao mesmo cargo, fez de Nabor Junior o quarto colocado no pleito daquele ano.

Aos 88 anos, lúcido e mais sábio do que nunca, Nabor resolveu lançar um livro de memórias.

Em Tarauacá, o lançamento será dia 4 de setembro, e em Rio Branco no dia 6, no auditório da Federação das Indústrias.

Ainda estou nas primeiras páginas do livro que recebi com uma dedicatória que eu não mereço, mas afirmo sem medo: é preciso mais de um livro para contar a história de Nabor.


 

Luiz Calixto escreve às quartas-feiras no ac24horas

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