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Menos médicos

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Não tenho a menor pretensão que minhas opiniões sejam acatadas como verdades absolutas. Aliás, nem por mim elas são encaradas desta maneira. Questionamentos bem fundamentados me servem de base para aperfeiçoá-las ou até mesmo mudá-las, sem nenhum arrependimento.

No entanto, antes de expressá-las, procuro me municiar de dados consistentes e argumentos sólidos para defendê-las. Não sou contra ou favor a determinado assunto pelo modo simplista da conveniência de momento.

Por exemplo: muita gente é avessa a temas defendidos por determinadas agremiações políticas, não porque estes sejam bons ou ruins, mas porque seus patronos inspiram antipatia eleitoral.

No cenário atual isso é evidente e a essência do debate de políticas públicas importantes ficou reduzido à discursão sobre o patrono delas.

Nas redes sociais, o que se lê é gente sendo a favor ou contra medidas tomadas pelo atual presidente, Jair Bolsonaro, não porque estas sejam boas ou más, mas porque são confrontantes e divergentes com políticas passadas. A recíproca também é verdadeira.

O programa Mais Médicos, criado em 2013 pela presidente Dilma Roussef, é o caso mais emblemático dessa guerra sem causa. Não sou eu quem diz. É a ONU que afirma que a cobertura da atenção básica da saúde no Brasil teve resultados extraordinários com a implementação do programa, principalmente nas áreas mais periféricas do país.

Como era uma vitrine petista, Bolsonaro tratou de atacar o programa expulsando os médicos cubanos, tendo como como álibi uma falsa guerra ideológica. Na esteira dos médicos castristas o governo abriu a possibilidade para absorver centenas de brasileiros formados na Bolívia, Paraguai, Cuba, Argentina, Espanha e que ainda não revalidaram seus diplomas.

O corporativismo do Conselho Federal de Medicina recorreu ao STF, mas perdeu de goleada.
É preciso ser cirúrgico: as faculdades desses países são tão ruins quantos as faculdades brasileiras. Não pense que a qualidade do ensino de qualquer faculdade particular no Brasil seja melhor que o ensino da UDABOL, na Bolívia.

Se a resposta sobre quem vai pagar a estratosférica mensalidade de R$ 12 mil estiver satisfatória na tesouraria da faculdade brasileira, o aluno estará aprovado com louvor. 
O que fez Bolsonaro? Acabou com o Mais Médicos e no seu lugar criou o Médicos pelo Brasil com a exigência do CRM.

No Mais Médicos, o intercambista recebe uma bolsa de R$ 12 mil, sobre a qual incide o INSS, tem direito a férias anuais e é obrigado a fazer pós-graduação em Saúde da Família.
No novo programa o médico será regido pela CLT e receberá o mesmo salário de R$ 12 mil, só que sobre este incidirá o imposto de renda de 27,5%.

Se a justificativa para expulsar os cubanos era a apropriação da renda deles pelo governo de Fidel, agora o sócio será o Leão brasileiro. Se corriam de uma bolsa de R$ 12 mil, quem garante que ficarão nos lugares onde o vento faz a curva por um salário líquido de R$ 10 mil?

O Mais Médicos, sem o registro no CRM, era apenas um “pit stop” a possibilitar ao formando no exterior experiência e, obvio, juntar algumas economias para pagar seus estudos complementares em faculdades brasileiras com o objetivo de revalidar o canudo de papel. Com esta medida, centenas e mais centenas de jovens terão seus sonhos abortados.

O Revalida é uma conversa pra boi dormir. Há dois anos é esperado e não há qualquer previsão de realização.

E o mais grave: quando são realizados, o grau de dificuldade das provas é quase intransponível. Nem os especialistas teriam condições de obter aprovação. Os testes são elaborados para ninguém passar. Se aplicados aos formandos no Brasil estes também seriam reprovados.

Vale lembrar que de 10 faculdades particulares no Brasil, 10 têm políticos por trás dos interesses delas, quando estes não são os seus próprios donos.

Não interessa para a política de reserva de mercado do Conselho Federal de Medicina que estes brasileiros tentem a carreira onde o custo da formação seja mais barato.
Ser dono de faculdade de medicina no Brasil é uma mina de ouro.

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Luiz Calixto

Ficou mais fácil mentir

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O melhor adubo para o florescimento da vigarice política é a desinformação do povo. Trocando em miúdos: como parcela significativa da população não tem informação e conhecimento necessários para avaliar o desempenho do mandato de um parlamentar ou as ações de um governante. Este exército de desinformados é presa fácil para compor o bloco da “Maria vai com as outras”.

Basta jogar uma isca apetitosa que o cardume fisga voluntariamente o anzol. Se a manchete da notícia for atrativa, poucos são os que terão o cuidado de apurar se isso não passa de factoide ou de uma reportagem encomendada.

As fileiras desse batalhão estão ainda mais longas com a popularização das redes sociais. Ludibriar ficou muito mais fácil e mais barato, posto que a maioria deles evita até de pagar um bom jornalista para, ao menos, evitar o assassinato da língua portuguesa.

Basta ver as cenas das sessões do Congresso Nacional, nas quais aparecem dezenas de deputados e senadores fazendo suas “lives” simulando que estão, de fato, produzindo algo a favor do povo.

Outro aperitivo são os anúncios de liberação de recursos e apoio a temas de apelo popular.

Quando o tema é bom, todos põe a cara na vitrine.

Quando o tema é impopular, embora necessário, os distintos fogem dele como o diabo foge da cruz.

A bancada do Acre tem uma particularidade: ela nunca propõe nada. Apenas apoia ideias alheias.

De que tanto reclamam os prefeitos do Acre, se todos os dias nossos valentes parlamentares passam 24 horas nos ministérios liberando dinheiro para tudo que é finalidade?

Um destes está mentindo: ou o prefeito chorão ou o parlamentar falastrão.

O que o exército de incautos talvez não saiba é que a maioria das verbas fica apenas estocada nas páginas do Facebook e nunca chega aos cofres dos municípios.

Alocar dotação orçamentária é fácil. Empenhar os recursos e liberar a verba são outros 500.

Ainda que se considerem politizados e senhores da acusação, da sentença e da absolvição, o bando é incapaz de fuçar os Portais de Transparência para checar se as postagens são baseadas em fatos verdadeiros ou não.

E o mais grave: compartilham mentiras sem nenhum peso de consciência.

A massa de pensamento crítico encolheu na mesma proporção esticou a fila dos analfabetos funcionais, que soletram palavras, mas são incapazes de interpretar o conteúdo do parágrafo de um texto.

Um rápido passeio pelas prestações de contas das verbas indenizatórias dos briosos parlamentares já seria um bom exercício para se descobrir o quanto custa-lhes fingir que trabalham.


 

 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas. 

 

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Luiz Calixto

É a pauta

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No Acre, por qualquer coisa, se faz tempestade em copo d’água.

Nesse instante, de todos os quadrantes, surgem especialistas no assunto cujas opiniões, geralmente sem sustentação nenhuma, se transformam, na marreta, em sentenças e jurisprudências na cabeça de quem se acha o bom da bola no tema.

A discussão da hora, que pautou as páginas dos jornais e sites, foi a decisão do governo de reduzir a base de cálculo para incidência do ICMS na saída de gado em pé para abate nos Estados de Rondônia e Amazonas.

Não foram poucos os jornalistas a escreverem que o governador Gladson Cameli, ao tempo que “chorava miséria”, favorecia os fazendeiros com sua decisão.

Vale ressaltar que não se trata de nada inusitado. Em anos anteriores, decretação idêntica fora feita. Basta ir ao Diário Oficial do Estado pesquisando a expressão “fica reduzida em 80%” para confirmar.

A intenção da medida governamental é distensionar a relação da imutável lei da oferta e da procura na busca incessante de seu equilíbrio.

Ou seja: quando a oferta de carne no mercado é superior ao volume demandado pelos poucos frigoríficos locais, a tendência natural é que os preços decresçam. Isso, óbvio, implica em menos renda para o produtor acreano.

É simples: com muitos vendedores, os poucos compradores dão as cartas dos preços, prazos e condições de pagamento , ainda mais sabendo estes que o preço fixado pela Secretariada Fazenda para tributa-los nas operações interestaduais é impeditivo.
Com mais gente comprando, as relações de comércio se alteram pra melhor.

Ao permitir que a oferta represada seja redirecionada para outras praças, o esperado é que os preços se elevem. É nesse puxa-encolhe que os preços se equilibrarão.

Essas medidas tem vigência temporária. Logo que as coisas se encaixem o valor de pauta do boi volta ao que era antes.

Não se pode, todavia, olvidar que a pecuária é a atividade econômica mais beneficiada por incentivos fiscais no Brasil.

Senão todos, mas quase todos, os insumos por ela utilizados ou são tratados com isenções ou com tributação generosamente reduzida.

No entanto, o que se deveria cobrar do setor, é que a geração de renda, o valor agregado e empregos continuam sendo desproporcionais aos favores dispensados pelo poder público.

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