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Na Expoacre, novamente a AMACRO

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FOTO: SECOM

Valterlucio Bessa Campelo

Um dos momentos mais importantes desta Expoacre ocorreu no final da tarde de domingo, dia 28, quando na presença de várias autoridades, entre elas o governador em exercício Major Rocha e os senadores Márcio Bittar e Sérgio Petecão, além dos Secretários estaduais de Agricultura e Pecuária de Rondônia e Acre, o pesquisador Dr. Evaristo de Miranda, autor de centenas de estudos e dezenas de livros, muitos deles sobre a ocupação territorial e uso da terra no Brasil, atualmente Chefe do Grupo de Inteligência Territorial da Embrapa – GITE, sediado em Campinas –SP, desenvolveu suas ideias sobre as possibilidades do recorte regional formado pelo Sul do Amazonas, oeste de Rondônia e Leste do Acre que muito provavelmente se tornará uma região específica de desenvolvimento agropecuário – AMACRO (AM-AC-RO), inspirada no que já ocorre com o MATOPIBA (MA-TO-PI-BA). Disto já tratei aqui, superficialmente, em outro momento.

Na plateia superlotada, técnicos, agricultores e pecuaristas, anteviam um novo momento, o de destravamento de nossas potencialidades e, enfim, o verdadeiro impulso à geração de emprego e renda no campo. Sob o emblema AGRONEGÓCIO, um universo de oportunidades parece se assentar de modo promissor. É o plano, o objetivo, a expectativa manifestamente abraçada pelo Secretário da SEPA, Paulo Wadt.

Há, contudo, barreiras a vencer. Anos seguidos de submissão a uma visão de mundo quase totalitária, que durante 20 anos teve da população, no dizer do Senador Marcio Bittar “uma procuração plenipotenciária”, consubstanciada na representação política máxima – federal, estadual e municipais, implantou marcos profundos e obteve aliados renitentes. Não será tarefa fácil removê-los ou demovê-los, ainda que politicamente enfraquecidos e “em xeque” perante a realidade dolorosa em que nos encontramos.

Voltemos ao pesquisador Dr. Evaristo de Miranda. Uma das bases de seu pensamento sobre a nossa região parte de uma constatação – tem muita área preservada na Amazônia e muita área a ser explorada. Nada menos que 75% de todo o território brasileiro de algum modo está sendo preservado. No Acre, cerca de 90%. No Amazonas 98%. Isto é muito mais do que aparece no discurso predominante na grande mídia e nos organismos locais, regionais, nacionais e internacionais, segundo os quais a Amazônia está a um passo do ponto crítico, do ponto sem retorno. O que não faltam são contas de botequim feitas à base de campos de futebol. Estaríamos fadados, portanto, ao imobilismo do uso da terra ou à eterna busca do ouro perdido nos seringais. Enquanto isso, 1 milhão de almas vagueiam no Acre nas brumas do desemprego, violência, pobreza e infortúnio.

Sob o pressuposto de ampla disponibilidade de terras agricultáveis, Evaristo de Miranda nos sugere um mapa e uma estratégia conjunta. Delimitação territorial, foco, rigor no diagnóstico multisetorial, eleição de prioridades, concepção de uma agenda de remoção de gargalos, investimento, fomento, inovação tecnológica, metas e um horizonte. Há saídas, além da economia florestal. E boas saídas.

A princípio, temos vantagens locacionais quando nos voltamos para o Pacífico, temos ainda muito ganho de produtividade a realizar, temos muita inovação a incorporar nos processos produtivos, terra em disponibilidade e gente em busca de ocupação. Ingredientes que, devidamente combinados, poderiam fazer um case de sucesso mas não fizeram porque os operadores preferiram utilizar outros insumos para obter outros produtos. Este foi, aliás, o diagnóstico simples do Senador Sérgio Petecão. “Durante anos, usaram e abusaram dos recursos estaduais e de empréstimos e hoje estamos do mesmo jeito, não temos nada”. É como se para matar a fome, fosse produzida ornamentação e ostentação ecológica. Não funcionou.

Em sua proposta inicial, Miranda requer a minuciosa diagnose dos quadros natural, agrário, agrícola, de infraestrutura e socioeconômico, que poderá oferecer com rapidez (os dados são majoritariamente disponíveis), um retrato com a face real das nossas potencialidades e dificuldades, constituindo, portanto, base segura para uma intervenção pública multiestadual, de vulto, focada no desenvolvimento da agropecuária.

Acredito que, subsidiariamente, o projeto AMACRO poderá realizar um processo que defendo há décadas, de nucleação dos espaços econômicos criados pela política fundiária do INCRA. Em síntese, é importante gerar cidades, fomentar atividades econômicas rurais não necessariamente agrícolas, adensar os distritos, atrair empreendedores, acender a chama criativa da juventude, formar capital humano adequado às exigências e potencialidades locais.

Infelizmente, confundiram-se as coisas em Brasília ao ponto de praticamente impedir horizontalmente a criação de novos municípios – hoje são exigidos número mínimo de habitantes, além de uma série de estudos de viabilidade econômico-financeira, socioambiental e urbana e político-administrativa, como se todas as realidades fossem comparáveis de modo raso.
É certo que em muitos lugares, especialmente no Nordeste, muitos municípios foram criados sem razão de ser, apenas por interesses políticos paroquiais, por compromissos de compadrio que se desdobraram em prefeituras e vereanças, mas na Amazônia, em espaços geográficos de baixíssima densidade populacional, a nucleação e consequente criação de distritos e cidades é da melhor política de desenvolvimento regional. Trata-se de desconcentrar o desenvolvimento, do exercício de cidadania no nível local e de conter a explosão urbana dos médios e grandes centros.

É, portanto, natural, que o crescimento agropecuário da região AMACRO permita vislumbrar um aumento das demandas de insumos, serviços, materiais e equipamentos que justifique a criação e consolidação de nascentes urbanas, com todas as suas implicações sociais e econômicas.

Enfim, aguardemos que os esforços técnicos e criativos de inteligências como a de Evaristo de Miranda, sejam aproveitados na nova perspectiva de desenvolvimento audaciosamente empunhada pelo novo Governo.


Valterlucio Bessa Campelo é Engº Agrº, Mestre em Economia Rural e escreve todas as sextas-feiras no ac24horas.

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Imprudência, imperícia ou negligência?

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Reza a lenda que a regra das redações, não me lembro se do Assis Chateaubriand ou do Samuel Wainer, dava total autonomia para os jornalistas. A única exceção era quando ocorresse um acidente aéreo. Aí, além do obituário e das seções diárias de polícia, política e esportiva, durante uma semana o assunto tinha que ser explorado à exaustão.

Depois dos elevadores, a aviação comercial é o modo de transporte mais seguro, segundo as estatísticas. Entretanto, quando acidentes ocorrem, eles produzem cenas de grande repercussão e despertam o interesse geral.

Há controvérsias se o sinistro ocorrido no último sábado, entre o Harpia I e um caminhão contendo tambores de resíduos infectantes pode ser considerado um acidente aéreo ou rodoviário. Afinal não decorreu de alguma pane no equipamento e aconteceu sobre o asfalto de uma rodovia federal.

Sobre a operação de helicópteros e o transporte de cargas perigosas eu sei muito pouco. Especialistas nisso são seus próprios operadores que participaram do evento. Para ambos há regulamentos rígidos e formação específica. Mas também não me são temas tão distantes. Tive algum treinamento em operações de emergência com produtos perigosos e sobre as regras de condução e sinalização rodoviária dessa atividade, e também já atuei no projeto e construção de um heliponto, e era passageiro num pouso forçado, faz uns dez anos, quando uma das turbinas do Esquilo que me trazia de Cruzeiro do Sul pegou fogo próximo a Sena Madureira.

As imagens do acidente de sábado chegaram rapidamente à internet, assim como os comentários e conclusões postadas na rede social. Correu o mundo o vídeo produzido por alguém que pretendia somente guardar uma lembrança do ex-Estrelão em atividade e flagrou o momento exato do estrago.

Veredictos sobraram para o motorista e para os agentes da operação, antes que qualquer perícia fosse realizada. Uma nota foi publicada pela Segurança Pública dando sua versão dos fatos e, principalmente, informando que os envolvidos já estavam medicados e não sofreram danos graves.

Um dos questionamentos que mais vi foi sobre o helicóptero ter baseado num local pavimentado ao invés do gramado da rotatória. Aeronaves da Segurança Pública não estão sujeitas a pontos homologados para pousos e decolagens, mas há cuidados a serem seguidos pela tripulação. No caso dos helicópteros, operam com um balizador a bordo para auxiliar o piloto. A prioridade é escolher um terreno com suporte para que o equipamento não “afunde” e que não tenha resíduos soltos que desloquem com o vento produzido pelas pás girando. Havendo uma área asfaltada não se pousa na terra solta ou sobre grama ou capim.

Disseram também da falta de isolamento do ponto de pouso, que permitiu a passagem do caminhão na área de segurança. A nota publicada informou que o helicóptero estava alí para dar apoio a um bloqueio da via, “em uma barreira policial que reduzia a velocidade de veículos”.

Outros ainda disseram da inabilidade do motorista, que não soube medir a distância do caminhão às hélices, realizando uma curva muito “aberta”.

A fartura de imagens do local permitirá aos peritos reconstituirem o evento, à Aeronáutica (ou à PRF) apurar as responsabilidades e às seguradoras arcarem ou não com o prejuízo, vantagem que essa era dos smartphones nos proporciona.

Vendendo ou não jornais, como era a regra dos Diários ou da Última Hora, o assunto tem validade curta e retornaremos brevemente ao obituário policial e político de rotina.


Roberto Feres escreve às terças-feiras no ac24horas. 

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Destaque 7

Morre Flora Diógenes, a eterna madrinha do Atlético Acreano

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Ela não jogava futebol, não fazia um gol, mas era reconhecida nas arquibancadas dos estádios nos tempos de glória do futebol acreano.

Flora Diógenes faz parte da história do futebol no Acre. Exatamente por isso, o nosso esporte amanheceu mais triste com o anúncio de sua morte na madrugada desta terça-feira, 21, vítima de insuficiência respiratória.

Prestes a completar 90 anos no dia 02 de março, Flora Diógenes fazia parte de uma das famílias fundadoras do tradicional Atlético Acreano do segundo distrito. Aliás, foi no Galo Carijó que conheceu o esposo, Fernando Diógenes.

Enquanto a saúde permitiu não se tinha dúvida. Se o Atlético entrasse em campo, Flora estava na arquibancada. Não é à toa que era chamada de madrinha do clube.

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Nos tempos em que os tradicionais bailes dos clubes de futebol eram os mais concorridos da cidade, era dona Flora que estava à frente da organização nos realizados pelo time azul e branco.

O futebol acreano está de luto. Em menos de 24 horas morreram o ex-jogador de Rio Branco e Juventus, o Nino, e agora o anúncio da morte da madrinha do Atlético Acreano.

O velório de Flora Diógenes acontece na Funerária São João Batista.

Fotos:  acervo do Atlético Acreano

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