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Sem regalias, médico Giovanni Casseb chora dentro da cela em delegacia da Polícia Civil

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Acostumado com o conforto de sua residência com mais de 300m² e com o calor das academias que frequentava diariamente, o médico Giovanni Casseb tem convivido com uma realidade bem diferente em uma cela intermediária que separa os corredores funcionais da Delegacia de Polícia Civil da 1ª Regional de Rio Branco, com demais repartições.

Preso através dos desdobramentos da operação de combate à venda ilegal de anabolizantes, desde a última sexta-feira (19) que o médico está em uma cela com menos de 10m², sem televisão e ventilador. Casseb dorme em um colchão fino, no chão e tem alimentação comum, como os outros presos, quentinhas no almoço e no jantar.

Ainda de acordo informações exclusivas repassadas à reportagem, o único a visitá-lo foi o pai, o advogado Atalidio Bady Casseb, que o defende no caso. O Habeas Corpus impetrado pela defesa foi negado pelo desembargador Elcio Mendes. O encontro de Giovanni com o pai foi emocionante. Bady afirma que o filho não tem envolvimento com o suposto esquema.

Para entender o caso

O delegado Pedro Resende, da Delegacia de Repressão a Narcóticos e Narcotráfico (Denarc) preside a investigação de combate à venda ilegal de anabolizantes no Acre. A primeira operação apreendeu vários frascos do produto que, segundo a investigação, é importado de forma ilegal para o país.

A partir dessa apreensão, a Polícia Civil (PC) aprofundou as investigações, chegando à casa e o escritório do médico na última sexta-feira (19). Levado para depor Casseb teve prisão temporária decretada por 30 dias. Com mandados de busca e apreensão, agentes vasculharam a casa e o escritório do médico.

A prisão de Casseb desde a última sexta-feira vem tendo grande repercussão principalmente pelas redes sociais. Na página de facebook do médico, várias são as manifestações de apoio ao médico, a maioria delas, de pessoas comuns, que frequentam academias na capital.

O caso também tem motivado debates no mundo jurídico. Uma das postagens que vem sendo bastante compartilhada é do advogado Giliard Souza. Alegando exagero midiático, o defensor afirma na publicação que o médico não é um criminoso, “ao revés, é um excelente ser humano, professor universitário e amigo”.

A principal contestação é da negativa à liberdade, ato considerado por Giliard como ilegal. “Não somos contra o combate ao crime, somos absolutamente a favor do fortalecimento das instituições que compõem o estado democrático, sobretudo, que os direitos e garantias fundamentais seja estritamente respeitados” seguiu opinando o advogado.

Investigações continuam e podem prender mais envolvidos

O Delegado Resende que preside o caso não aceitou gravar entrevistas para não atrapalhar as investigações, mas confirmou que na casa do médico Casseb foram encontradas amostras de remédios controlados, mesmo medicamento encontrado na casa do garçom Wendel da Silva, preso na primeira fase da operação.

A Polícia Civil quer saber se existem mais pessoas envolvidas no esquema. De acordo com o que a reportagem apurou, os investigadores sabem que uma das portas de entrada de anabolizantes é a fronteira com o Paraguai, mas suspeitam de uma nova rota pelo Acre.

A pena para o crime de comércio ilegal de medicamentos pode chegar a 15 anos de prisão e multa. Os esteroides anabolizantes são hormônios naturais ou sintéticos que promovem ganho de massa muscular, por meio do crescimento das fibras que constituem os músculos.

Já os peptídeos são compostos de aminoácidos, havendo registro da popularização de um desses produtos – utilizado para tratamento de nanismo – com a mesma finalidade.

As consequências do abuso dos anabolizantes para a saúde podem ser muito graves, com o desenvolvimento de cânceres, doenças hepáticas e atrofia testicular.

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