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O que é AMACRO? Precisamos falar disso

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Valterlucio Bessa Campelo

Teve início no auditório da Secretaria de Estado de Produção Agropecuária – SEPA, com a presença do Governador Gladson Cameli, nesta segunda-feira à noite, um Seminário de 4 dias, cujo objetivo central é tratar da reconfiguração das organizações SEPA/ EMATER/CAGEACRE no sentido de virar sua quilha para o agronegócio como visão de futuro (aproveitando o slogan governamental) e, também, para uma assistência técnica e extensão rural – ATER de resultados, ou seja, ampliar o foco para aferir os resultados dos esforços empreendidos no campo, notadamente no impulso à agricultura familiar – alvo prioritário de ATER. 

Aproveitou-se o momento para o anúncio do novo presidente da EMATER/AC, o Sr. Sebastião Bocalon, ex-prefeito de Acrelândia, seguidas vezes candidato a cargos majoritários, atual suplente de Deputado Federal, reconhecido e respeitado por suas convicções sobre a força do campo no desenvolvimento do Acre. Além disso, um homem reconhecidamente probo e honrado. Deste novo momento da ATER trataremos em outra oportunidade, por agora, cabe uma brevíssima análise (como o espaço permite) de um termo que destacamos da fala do Secretário Paulo Wadt, da SEPA, na abertura do evento. 

Referiu ele, ainda como algo embrionário, ao que seria o AMACRO, um acrônimo formado pelas iniciais de AMazonas, ACre e ROndônia, cujo significado objetivamente se espelharia em outro, o MATOPIBA (MAranhão, TOcantins, PIauí e BAhia) que, formalmente delimitado e organizado pelo Decreto 8.847 de 6 de Maio de 2015, reúne recortes territoriais dos quatro estados estabelecendo, por uma série de afinidades estruturais, socioeconômicas, naturais e potenciais, uma sub-região de desenvolvimento tendo como vínculo principal o bioma cerrado. Tal conjectura nos obriga a conhecer melhor o MATOPIBA e dele extrair justificativas e lições que nos ajudem a compreender e avaliar o que seria o AMACRO.

Ao que parece, trata o Secretário Paulo Wadt de aproveitar a experiência do MATOPIBA e adaptar seu desenho institucional à nossa realidade, visando explorar da melhor forma o potencial agropecuário, desta vez no bioma amazônico, em uma área de fronteira agrícola. Sendo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, através do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica – GITE, o órgão líder da formulação do MATOPIBA, parece bastante razoável que o acúmulo de dados e informações, bem como de profissionais experimentados e equipamentos, estejam ao alcance, o que facilitaria sobremodo a empreitada com que acena o Secretário.

Os estudos que deram forma ao MATOPIBA se iniciaram por volta de 2014/15 e definiram cinco quadros de análise. Natural; Agrário; Agrícola; Socioeconômico e de Infraestrutura, ou seja, com esta base de informações foi possível caracterizar e delimitar o recorte sub-regional que viria a constituir um alvo preferencial, articulado e concentrado de políticas públicas, com o objetivo de responder com rapidez e eficiência, via modernização e atração de capital, o desafio do desenvolvimento econômico de base agropecuária. Foram identificadas na região determinadas condições, semelhanças e complementariedades que permitem a adoção de políticas favoráveis à promoção de suas potencialidades, algo que desde a década de 80 já se manifestava vigorosamente sem, porém, se articularem em políticas conjuntas.

Os números são espantosos. No MATOPIBA, antes uma região economicamente deprimida, já se colhe 10% da produção nacional de grãos. Lá estão 10 dos 100 maiores municípios produtores de soja do país e algumas das cidades que mais crescem em tamanho de população. O PIB cresceu enormemente. A título de exemplo, tomemos o município de Barreiras-BA, cujo IDH é hoje o segundo maior de todo o interior do Nordeste. 

Para quem lida com planejamento e observa o percurso das instituições e programas implementados por estas plagas, esses temas e termos não são novos. Também a abordagem sub-regional não é invenção recente. O recorte que integra municípios de estados diferentes já foi utilizado pelo INCRA, Ministério do Desenvolvimento Regional etc., sob a premissa de que muitas vezes as semelhanças e complementariedades socioeconômicas não se subordinam aos limites geográficos de nível estadual.

Novo e desejável é que o governo tenha um olhar realmente desenvolvimentista para este espaço que, em tese, reúne condições apropriadas para inserção em uma economia moderna, de alto desempenho, centrada no agronegócio, com a perspectiva de que haja transbordamento de efeitos positivos para toda a sociedade. Se os três entes federativos (AM, AC, RO) envolverem-se fortemente na integração de ações e governança, removendo gargalos, implantando infraestrutura e fazendo fluir recursos financeiros, materiais e humanos, poderão criar um verdadeiro ambiente de potencialização das forças produtivas regionais. 

Não se assustem os verdes de plantão. Não se trata de arrasar a terra, mas de introduzir e massificar inovações tecnológicas, normativas e institucionais capazes de maximizar a relação benefício/custo que preside qualquer política pública séria. Sem incorrer nos mesmos erros do MATOPIBA (não foram irrelevantes, diga-se), é possível que o AMACRO venha incluir no desenvolvimento agroindustrial e seus desdobramentos nos setores de comércio e serviços, uma parcela significativa de nossa juventude e da massa de desempregados, hoje tão desesperançada pela falta de oportunidades e pelo aprofundamento de uma quadra econômica depressiva.

É claro que muitas salvaguardas precisarão estar assentadas, muitas garantias estarão em debate e a população precisa estar atenta. O desenvolvimento a qualquer preço é tão burro quanto o não-desenvolvimento, não seria defensável um estilo predatório e perdulário. É preciso operar uma mudança que altere o itinerário que seguimos nos últimos tempos, sem, contudo, radicalizar ao ponto de perda de freios e controles socioambientais.  A sensação atual é de que, resolvidas restrições da política e da economia nacional, haverá condições para que um furacão virtuoso possa romper a represa ideológica que contém a economia regional, abrindo espaço para a geração de riqueza. AMACRO pode ser seu nome.


Valterlucio Bessa Campelo é Eng.º Agrônomo, Mestre em Economia Rural e escreve todas às sextas-feiras no ac24horas.  

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Na rede

Advogada acusada de ligação com facção será solta novamente

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Deverá ser libertada nesta quinta-feira, 23, da sede do COE para cumprir prisão domiciliar, a advogada cruzeirense Josimeire Teixeira Pereira, presa sob acusação de tráfico e ligação com uma facão criminosa.

Com parecer favorável do Ministério Público, a decisão do juiz Flávio Mariano Mundi, de Cruzeiro do Sul, proferida no início da noite desta quarta-feira, 22, determina a prisão domiciliar da advogada com tornozeleira eletrônica e várias restrições.

Na decisão o juiz Mundi cita o estado precário de saúde em que se encontra Josimeire, que é diabética. A defesa dela alega a impossibilidade de medicação diária e de alimentação adequada na sede do COE, onde a advogada está detida pela segunda vez. Entre as exigências da justiça, está a apresentação de relatório médico mensal dela.

O advogado de Josimeiere é Sanderson Moura.

Josimeiere Teixeira Pereira foi presa pela primeira vez no dia 23 de outubro do ano passado pela Polícia Federal. Foi solta no dia 30 do mesmo mês com tornozeleira eletrônica. Voltou a ser presa pela Polícia Federal no dia 11 de dezembro. Agora será libertada novamente com monitoramento eletrônico.

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Acre

Acre já tem 1.210 casos suspeitos de dengue em 2020

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De 1 a 18 de janeiro deste ano o Acre foi assolado por 1.210 casos suspeitos de dengue. 353 deles foram confirmados e os pacientes entraram em tratamento.

O Departamento de Vigilância Epidemiológica do Acre confirmou oficialmente o o primeiro caso de morte por dengue em 2019. A vítima é uma adolescente de 16 anos, moradora de Cruzeiro do Sul.

A população deve manter o combate diário aos criadouros do mosquito, é importante estar atento à caixa d’água, se está aberta ou não; à limpeza das calhas; à verificação permanente da presença de água na bandeja do ar-condicionado, na bandeja da geladeira e nos pratinhos de vaso de planta; e acondicionar adequadamente os objetos que costumam ficar nos quintais, como garrafas e latas.

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