Conecte-se agora

Rio de Janeiro

Publicado

em

Conheci o Rio em 1978. O rapaz de quase 18 anos passou no vestibular da Escola Naval e foi fazer os exames complementares, médico, físico e psicológico, nas unidades da Marinha, com direito a hospedagem no alojamento da academia, na ilha de Villegaignon, por trás da pista do Santos Dumont.

Melhor dizendo, tive minha primeira e grande experiência com o Rio de Janeiro. Conhecer a Cidade Maravilhosa não é coisa para uma semana de viagem.

Naquele tempo, paulista do interior e de classe média raramente ia mais longe que para Santos, quando queria ver o mar, Campos do Jordão, para as montanhas, ou Sampa (recém batizada por Caetano) para as compras na capital. Havia um preconceito, sim, contra os cariocas bon-vivants, cultivado por rivalidades no futebol, algumas questões históricas e diferenças econômicas. Enfim, São Paulo se bastava. Éramos um misto de Pro Brasília Fiant Eximia com Non Ducor Duco.

Acho que foi numa segunda-feira, papai me levou à noitinha até a estação da Luz e tomei a cabine-leito do Santa Cruz, o Trem de Prata. Desci na Central do Brasil já era quase hora do almoço de terça. O luxo era possível porque, filho de ferroviário, eu tinha um cartão de passe-livre que valia para qualquer trem de passageiros.

Semana agitada. Eu e mais algumas dezenas de rapazes de todos os cantos do país recebíamos as guias para os exames e dávamos nosso jeito de chegar aos locais, quase todos em unidades médicas da Marinha. Quase todos longe e fora de mão.

Foi na Ilha das Cobras que eu e mais dois gaiatos subimos ao convés do porta-aviōes Minas Gerais para recebermos um não por uma visita ao que sobrava daquela relíquia.

Como hóspedes, a Escola permitia que saíssemos à noite para nos divertir pela cidade. Me juntei com meus novos amigos, um mineiro e outro do Paraná e, mortos pela maratona e o calor desumano do dia, encarávamos, com bravura, alguns passeios que não iam além de Copacabana.

Numa noite, dormi uma sessão de cinema toda. Acho que passava o Pretty Baby, com a Brooke Shields. Noutra, assistimos a Ópera do Malandro, do Chico Buarque, no teatro Ginástico. Sentei quase no gargarejo, mas dava para enxergar o palco todo e a orquestra que tocava no fosso, bem em frente.

Conhecia poucos do elenco. Talvez só o Ary Fontoura e a Marieta Severo. Otávio Augusto, Cláudia Gimenez, Emiliano Queiroz e até a Elba Ramalho eram, para mim, ilustres desconhecidos ainda. Mas eu era um fã incondicional do Chico e nunca poderia perder aquela oportunidade.

Na sexta à tarde acabaram as atividades e lembrei que era o dia que o trem saia lotado do Rio e que não tinha feito reserva da passagem. Optei por fazer o checkout na manhã do sábado.

Da portaria da Escola Naval até a entrada do Aeroporto a distância é em torno de um quilômetro e eu não tinha ainda um smartphone para chamar o Uber. O negócio era ir a pé até o ponto de táxi. Devia ser umas nove horas quando cheguei alí, meio perdido ainda sobre o que faria até o horário do trem, que só tinha à noite. Me acompanhava só a malinha marrom que herdei do vô Sylvio.

O Santos Dumont é um monumento imperdível da cidade do Rio. Percebi isso quando vi o enorme painel pintado no saguão de entrada e resolvi gastar um tempinho nele. Afinal, reza a lenda que aeroporto é passeio predileto de paulista e quem era eu para contrariar minhas origens?

De passagem pelo guichê da ponte aérea, descobri que tinha o suficiente para voltar para casa no Electra. Meu primeiro voo fez um desvio à esquerda do Corcovado e seguiu acima do mar e abaixo da serra e eu, entretido, com um olho no janelão e o outro tentando reconhecer as celebridades a bordo. Desci em Congonhas era umas onze e meia da manhã.

Para chegar em casa, em Jundiaí, ainda precisava tomar um Cometa na rodoviária da Luz.

Ao meio-dia em ponto o táxi passou sob o Chá, no vale do Anhangabaú, e a cidade soltava a “chuva” de papéis picados do final de ano. Juro que achei que era para mim.

Continuei paulista por mais alguns anos, mas com o gostinho do Rio nas boas lembranças.


Roberto Feres escreve às terças-feiras no ac24horas.

Propaganda

Na rede

Advogada acusada de ligação com facção será solta novamente

Publicado

em

Deverá ser libertada nesta quinta-feira, 23, da sede do COE para cumprir prisão domiciliar, a advogada cruzeirense Josimeire Teixeira Pereira, presa sob acusação de tráfico e ligação com uma facão criminosa.

Com parecer favorável do Ministério Público, a decisão do juiz Flávio Mariano Mundi, de Cruzeiro do Sul, proferida no início da noite desta quarta-feira, 22, determina a prisão domiciliar da advogada com tornozeleira eletrônica e várias restrições.

Na decisão o juiz Mundi cita o estado precário de saúde em que se encontra Josimeire, que é diabética. A defesa dela alega a impossibilidade de medicação diária e de alimentação adequada na sede do COE, onde a advogada está detida pela segunda vez. Entre as exigências da justiça, está a apresentação de relatório médico mensal dela.

O advogado de Josimeiere é Sanderson Moura.

Josimeiere Teixeira Pereira foi presa pela primeira vez no dia 23 de outubro do ano passado pela Polícia Federal. Foi solta no dia 30 do mesmo mês com tornozeleira eletrônica. Voltou a ser presa pela Polícia Federal no dia 11 de dezembro. Agora será libertada novamente com monitoramento eletrônico.

Continuar lendo

Acre

Acre já tem 1.210 casos suspeitos de dengue em 2020

Publicado

em

De 1 a 18 de janeiro deste ano o Acre foi assolado por 1.210 casos suspeitos de dengue. 353 deles foram confirmados e os pacientes entraram em tratamento.

O Departamento de Vigilância Epidemiológica do Acre confirmou oficialmente o o primeiro caso de morte por dengue em 2019. A vítima é uma adolescente de 16 anos, moradora de Cruzeiro do Sul.

A população deve manter o combate diário aos criadouros do mosquito, é importante estar atento à caixa d’água, se está aberta ou não; à limpeza das calhas; à verificação permanente da presença de água na bandeja do ar-condicionado, na bandeja da geladeira e nos pratinhos de vaso de planta; e acondicionar adequadamente os objetos que costumam ficar nos quintais, como garrafas e latas.

Continuar lendo

Bombando

Newsletter

INSCREVER-SE

Quero receber por e-mail as últimas notícias mais importantes do ac24horas.com.

* indicates required
Propaganda
Propaganda

Mais lidas