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Condenados de presídios federais trouxeram facções ao Acre, diz acusado de fundar B13

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As facções criminosas do Acre já alcançam praticamente todos os seus 22 municípios e foram trazidas ao Estado pelos presos enviados aos presídios federais de Campo Grande (MS) e Mossoró (RN) a partir de 2007. “Foi um erro cometido pelo Estado do Acre enviar presos para outros Estados, onde tivemos contatos com membros de facções de todos o Brasil. Aqui nunca teve facção criminosa”, argumenta Isac do Nascimento Sena, 42 anos, condenado até 2022 acusado de ser o fundador do Bonde dos 13, que ele afirma ser o único crime que não cometeu.

“Eu sou réu confesso em todos os crimes que cometi, menos este. Se fosse verdade eu assinava, fazer parte de organização criminosa é cadeia pequena, eu já peguei cadeia de 1/5, pertencer a facção é cadeia pequena, mas eu não sou culpado. Foi um erro da Polícia Civil e da Justiça. Eu posso errar, mas a Justiça não pode”, argumenta ele em entrevista.

A entrevista foi concedida para a elaboração de um livro pelo agente penitenciário José Janes Gomes da Silva, o Janes Peteca. Criado entre as bancas do Mercado Elias Mansour, sua moradia, e as invasões do Taquari e do Conjunto Nova Esperança 2, moradia de seus pais, José Janes, 41 anos, notou que vários de seus vizinhos de infância atualmente moram atrás das grades. E que grande parte dos agentes, seus colegas, também vieram de áreas de invasão, de modo que as grades separam homens que tiveram a mesma origem social, mas que o destino dividiu entre o crime e a retidão.

-A vida do agente e dos condenados é separada apenas pelas grades, pois ambos têm as mesmas raízes e sofreram as mesmas dificuldades na infância. O que motivou o direcionamento de suas vidas é um dilema cuja solução ficará por conta da percepção dos leitores, comenta Janes.

O livro trará depoimentos de agentes e de condenados, de seus pais e de suas esposas, bem como da juíza Luana Campos, da Vara de Execuções Penais, do diretor—presidente do Iapen, Lucas Gomes, e outras autoridades da área de Segurança Pública. O texto final será elaborado pelo jornalista João Maurício Rosa, ex-repórter da Folha de São Paulo, do Estadão e do ac24horas.

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