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O côncavo e o convexo

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O PMDB é um partido de profissionais. Nele não há espaços para amadores. Jocosamente, poderia se dizer que o mais “besta” deles consegue beliscar azulejo.

A eficiente tática partidária de nunca se entregar de corpo e alma nem a governo nem a oposição, sempre lhe rendeu resultados extraordinários nas urnas.

Harmoniosamente, o partido costuma se dividir em duas bandas: metade fica no poder e outra metade faz o papel de oposição.

A metade governista garante a metade oposicionista e esta, por sua vez, aumenta o cacife e, por conseguinte, as vantagens da parte que ficou ao lado do poder.

E nesse bolero de “dois pra lá, dois pra cá“ todos se dão as mãos e ninguém reclama de ninguém.

Do jeito que der todos se dão bem: se o governo estiver de bem com a população, o cobertor da parte governista cobre os rebeldes. Se o efeito for o contrário, não tem problema, pois o partido também estava na oposição.

É importante observar o respeito mútuo das bandas: a parte bem contemplada com as vantagens e benesses do poder nunca toma posição exigindo fidelidade partidária ao projeto que os elegeu e a adesão daqueles que, em tese, ficaram de fora do banquete. Estes, por sua vez, não dão um pitaco sequer para exigir o desembarque e a entrega dos cargos do governo para o qual discordam e, por isso, fazem oposição.

Nesse ritmo o partido sempre conseguiu ter a maior capilaridade nacional e é o maior partido desde os tempos do bipartidarismo vigente na ditadura militar.

 

Ou seja, é o único que tem diretórios em todos os municípios brasileiros, privilégio que sempre lhe garantiu a eleição das maiores bancadas, de vereadores a senadores, e é a noiva preferida de todos para as coligações.

E por que agem assim? Simples: são profissionais da política e o método adotado pela estratégia partidária não tem a menor chance de dar errado.

Se o governo for bem, a parte governista arrasta os que optaram por fazer oposição e, se der errado, estes retribuem a guarida correspondente.

Aqui no Acre este exemplo é patente: o “glorioso” é um dos partidos mais privilegiados na divisão de cargos no governo Gladson Cameli com secretarias, várias diretorias e mais de uma centena de CEC’s. No entanto, seus dois parlamentares fazem mais oposição que a finada Frente Popular do Acre, mas evitam questionar os parceiros que estão em cima da carne seca.

Neste momento, o Poder Executivo almeja aprovar uma reforma administrativa sob o argumento de que precisa adequar o tamanho de sua estrutura às necessidades do Estado.

Fala-se em 450 cargos comissionados. De qualquer forma o  PMDB se dará bem. Parte disso será ocupado por militantes, mas  deputados anunciam que votarão contra o projeto governista, ficando, portanto, de bem com a população, que rejeita a criação de cargos de natureza política.

Resumo: no final todo mundo vai ficar bem, tanto os governistas quanto os opositores.

*Luiz Calixto escreve todas as quartas-feiras em ac24horas.

 

 

 

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Luiz Calixto

Ficou mais fácil mentir

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O melhor adubo para o florescimento da vigarice política é a desinformação do povo. Trocando em miúdos: como parcela significativa da população não tem informação e conhecimento necessários para avaliar o desempenho do mandato de um parlamentar ou as ações de um governante. Este exército de desinformados é presa fácil para compor o bloco da “Maria vai com as outras”.

Basta jogar uma isca apetitosa que o cardume fisga voluntariamente o anzol. Se a manchete da notícia for atrativa, poucos são os que terão o cuidado de apurar se isso não passa de factoide ou de uma reportagem encomendada.

As fileiras desse batalhão estão ainda mais longas com a popularização das redes sociais. Ludibriar ficou muito mais fácil e mais barato, posto que a maioria deles evita até de pagar um bom jornalista para, ao menos, evitar o assassinato da língua portuguesa.

Basta ver as cenas das sessões do Congresso Nacional, nas quais aparecem dezenas de deputados e senadores fazendo suas “lives” simulando que estão, de fato, produzindo algo a favor do povo.

Outro aperitivo são os anúncios de liberação de recursos e apoio a temas de apelo popular.

Quando o tema é bom, todos põe a cara na vitrine.

Quando o tema é impopular, embora necessário, os distintos fogem dele como o diabo foge da cruz.

A bancada do Acre tem uma particularidade: ela nunca propõe nada. Apenas apoia ideias alheias.

De que tanto reclamam os prefeitos do Acre, se todos os dias nossos valentes parlamentares passam 24 horas nos ministérios liberando dinheiro para tudo que é finalidade?

Um destes está mentindo: ou o prefeito chorão ou o parlamentar falastrão.

O que o exército de incautos talvez não saiba é que a maioria das verbas fica apenas estocada nas páginas do Facebook e nunca chega aos cofres dos municípios.

Alocar dotação orçamentária é fácil. Empenhar os recursos e liberar a verba são outros 500.

Ainda que se considerem politizados e senhores da acusação, da sentença e da absolvição, o bando é incapaz de fuçar os Portais de Transparência para checar se as postagens são baseadas em fatos verdadeiros ou não.

E o mais grave: compartilham mentiras sem nenhum peso de consciência.

A massa de pensamento crítico encolheu na mesma proporção esticou a fila dos analfabetos funcionais, que soletram palavras, mas são incapazes de interpretar o conteúdo do parágrafo de um texto.

Um rápido passeio pelas prestações de contas das verbas indenizatórias dos briosos parlamentares já seria um bom exercício para se descobrir o quanto custa-lhes fingir que trabalham.


 

 

Luiz Calixto escreve todas às quartas-feiras no ac24horas. 

 

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Luiz Calixto

É a pauta

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No Acre, por qualquer coisa, se faz tempestade em copo d’água.

Nesse instante, de todos os quadrantes, surgem especialistas no assunto cujas opiniões, geralmente sem sustentação nenhuma, se transformam, na marreta, em sentenças e jurisprudências na cabeça de quem se acha o bom da bola no tema.

A discussão da hora, que pautou as páginas dos jornais e sites, foi a decisão do governo de reduzir a base de cálculo para incidência do ICMS na saída de gado em pé para abate nos Estados de Rondônia e Amazonas.

Não foram poucos os jornalistas a escreverem que o governador Gladson Cameli, ao tempo que “chorava miséria”, favorecia os fazendeiros com sua decisão.

Vale ressaltar que não se trata de nada inusitado. Em anos anteriores, decretação idêntica fora feita. Basta ir ao Diário Oficial do Estado pesquisando a expressão “fica reduzida em 80%” para confirmar.

A intenção da medida governamental é distensionar a relação da imutável lei da oferta e da procura na busca incessante de seu equilíbrio.

Ou seja: quando a oferta de carne no mercado é superior ao volume demandado pelos poucos frigoríficos locais, a tendência natural é que os preços decresçam. Isso, óbvio, implica em menos renda para o produtor acreano.

É simples: com muitos vendedores, os poucos compradores dão as cartas dos preços, prazos e condições de pagamento , ainda mais sabendo estes que o preço fixado pela Secretariada Fazenda para tributa-los nas operações interestaduais é impeditivo.
Com mais gente comprando, as relações de comércio se alteram pra melhor.

Ao permitir que a oferta represada seja redirecionada para outras praças, o esperado é que os preços se elevem. É nesse puxa-encolhe que os preços se equilibrarão.

Essas medidas tem vigência temporária. Logo que as coisas se encaixem o valor de pauta do boi volta ao que era antes.

Não se pode, todavia, olvidar que a pecuária é a atividade econômica mais beneficiada por incentivos fiscais no Brasil.

Senão todos, mas quase todos, os insumos por ela utilizados ou são tratados com isenções ou com tributação generosamente reduzida.

No entanto, o que se deveria cobrar do setor, é que a geração de renda, o valor agregado e empregos continuam sendo desproporcionais aos favores dispensados pelo poder público.

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