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Jogo de Dardos

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De dois em dois anos, os brasileiros vão às urnas, em eleições diferentes, mas conexas. As últimas foram estaduais e nacional e as próximas serão locais, municipais, pelos quase seis mil municípios Brasil afora.

Há muitas críticas por periodicidade tão curta em eleições tão caras e há também os que advogam virtudes em se votar com frequência amiúde.

Na vida ultra politizada do Acre, as conversas preliminares para as eleições de 2020 já começaram em diversos arraiais; e trazem consigo ingredientes desconhecidos para as novas composições.

O principal balizador dos arranjos políticos será a proibição das coligações proporcionais, que reduzirá drasticamente a importância dos pequenos partidos nas próximas eleições. Em contrapartida, os partidos maiores, que superaram as cláusulas de barreira, terão que demonstrar capacidade aglutinadora para continuar vivos na cena política, ou seja, os pequenos tendem a desaparecer e os grandes terão destino idêntico se não crescerem. Todos serão afetados. Alguns analistas calculam que, depois das eleições de 2020, o número de partidos oscilará em torno de 10 das 35 agremiações atualmente existentes.

Essa exigência da legislação fará toda a diferença nas próximas eleições; ela forçará os partidos a desejarem ter candidaturas majoritárias próprias em todos os municípios, sob pena de desaparecerem. Quem desejará sumir do mapa e do palco político? Em bom juízo, ninguém. Daí todos calcularem freneticamente suas próprias existências no porvir.

Tome-se, por exemplo, a coligação vencedora das eleições de 2018, no Acre. Pelo menos 5 partidos deveriam ter candidaturas próprias, para subsistirem. Assim ocorrerá com MDB, PP, PSDB, DEM e PSD. Podem até aliar-se nas chapas majoritárias, mas terão que ter chapas próprias para abrigar seus proporcionais.

Qual o imperativo último de se ter candidatura própria? É que ela alavancará a formação das chapas proporcionais ao exibir expectativas de poder. E tal poderá dar-se tanto para os partidos dos titulares como dos vices. Mas pararia por aí, em condições normais. É lógico que o uso da máquina pública facilitará enormemente os atuais detentores do poder, que certamente cooptarão parcela significativa dos candidatos proporcionais dos concorrentes adversários.

E a posse das máquinas públicas estará dividida nas próximas eleições. Do ponto de vista da Prefeitura de Rio Branco, os remanescentes da Frente Popular serão a situação, enquanto os partidos que elegeram o Governo Estadual figurarão como oposição. Pela lógica, o confronto dar-se-á aí, diminuindo-se as chances de candidaturas avulsas de pequenos partidos ou de aglomerados seus.

O escrutínio do futuro é tarefa para profetas, magos, astrólogos, xamãs, oráculos, gurus,
videntes etc. São, por conseguinte, inteiramente temerárias opiniões que ultrapassem a condição de conjecturas frágeis desenhando contornos de cenários possíveis.

O desconcertante aos atrevidos desenhistas de cenários políticos é a dificuldade em se focar nos processos, acompanhando-os meticulosamente, e ter que se tomar os resultados finais como únicos dados. Não é raro resultados finais triunfarem por quase nada, por simples detalhes nas forças em pugna. É um jogo de dardos em que os concorrentes atiram os dardos uns nos outros. As miras são certeiras, os lançamentos são precisos, mas os alvos são móveis, mobilíssimos, alguns até mimetizados.

De qualquer sorte, aponta-se, sob as chuvas e trovoadas da realidade, a formação provável de algumas tendências que poderão encarnar-se na realidade dos cabeças de chapa majoritários, em 2020: a) dos remanescentes da Frente Popular, o Partido dos Trabalhadores apresentará candidatura própria. Consideram que dirigir a PMRB com a própria face será um recomeço estratégico para retomada do poder local. Sabem mais que historiadores de que o sucesso da primeira eleição de Lula deve muito ao PT do Acre e ao orçamento do Estado, especialmente da BR-364. Têm nomes competitivos, onde se salienta o do professor Raimundo Angelim, seguido do de Jorge Viana. Terão, também, que resolver a dificuldade do direito à candidatura natural da Prefeita Socorro Neri; b) o Governador Gladson Cameli escolheu e lançou o nome do Vice Governador, Major Rocha, do PSDB, a Prefeito de Rio Branco, o qual teria aceitado, de imediato. Se se mantiver essa escolha política, aliás de muita argúcia, dar-se-á um freio de arrumação nas borbulhantes expectativas de atores partidários do espectro do Governo de adentrar o centro do palco dessa disputa política.

Feito o PT, é intuída como normativa a decisão do PSDB em lançar candidaturas em todos os municípios acreanos. O Governo do Estado possui instrumentos convincentes e persuasivos para dirigir sua forças internas em apoio à sua candidatura única, não podendo livrar-se e legar-lhe, em contraponto, o seu próprio desgaste que não dá para se saber como estará no ano vindouro. Nesse cenário específico, o Governador terá excluído o PP, o DEM, o PSD e o MDB como cabeças de chapa; c) o MDB, por seu turno, tenta construir uma alternativa para colocar-se como terceira via. Um “ tertius”, que representaria os que não se identificam organicamente nem com o PT e nem com o Governo Gladson Cameli. O nome em formatação é o do Deputado Estadual Roberto Duarte, que tem desempenhado na Assembléia Legislativa uma posição de independência, recusando alinhamentos automáticos ao Governo Gladson é à oposição de quadros oriundos da Frente Popular.

É lógico e óbvio, no entanto, que a posição de terceira via – expressa pelo MDB de Roberto Duarte – será desafiada por outras forças que têm potencial para formar-se e objetivem ocupar essa posição. É de praxe, ainda, emoldurando o processo democrático, a apresentação de forças políticas debutando na disputa próxima.

Todas essas probabilidades sugeridas podem mudar como as nuvens com o vento, bastando para isso que uma das personagens comporte-se de forma diferente da prevista aqui.

O que pode afiançar-se com algum grau de certeza é de que as eleições de 2020 serão o vestíbulo das definições políticas de 2022.

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