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Luz, câmera e pouca ação

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Passei a semana “me beliscando” para saber se, de fato, eu estava acordado ou apenas sonhando ante a fúria do PT e dos integrantes da finada Frente Popular do Acre para aprovar uma CPI. O objetivo do parlamento seria investigar supostas falcatruas na conta de luz faturada pela Energisa, principalmente quanto à cobrança exorbitante do ICMS incidente sobre o consumo.

Logo tu, Brutus, que, enquanto governo, sempre foi avesso ao esclarecimento? Que sempre preferiu a calada da noite à claridade do sol? Que, mesmo tendo o controle absoluto da Assembleia fugiu das investigações, como o diabo fugiu da cruz?

Antes, todavia, que o batalhão dos valentes pegue nas armas para me fuzilar, devo dizer que também sou uma das milhares de vítimas da conta “alta demais”, mas isso, por si, não me habilita a integrar o exército de incautos que acredita em resultados das investigações.

Ora, mais abusivo que 25% de ICMS acrescentado ao talão de luz é um petista juramentado questionar essa abusividade como se o povo já tivesse esquecido que essa majoração foi obra do PT na época de governança do Jorge Viana.

Falo isso com a liberdade de quem votou contra a aprovação da lei. Vale desencavar que a imprensa local, exceto a TV e o jornal O Rio Branco, não deu um pio contra.

Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que os reajustes de preços dos serviços e bens decorrentes de concessões públicas são definidos pelas agências nacionais, no caso da energia pela Anaeel.

Não custa lembrar que, recentemente, esses preços foram questionados na Justiça, a empresa ganhou a parada e nós, “ os bestas” que acreditamos no cancelamento do reajuste, pagamos nas faturas seguintes os retroativos. Ou estou com conversa fiada?

Além do mais, como ex-parlamentar, afirmo que a Assembleia do Acre não tem menor estrutura para fazer funcionar uma CPI. Nos dias finais do prazo é um deus nos acuda para fechar um relatório qualquer e isso ainda acontece graças ao empenho de bons funcionários da assessoria do parlamento.

Nenhuma CPI já realizada pela Assembleia tem resultados práticos a apresentar.

O que não se pode duvidar é que a Energisa comprou a Eletroacre pensando em ter lucro. Ou seja: o faturamento da empresa terá de ser maior que seus custos. Seus gerentes serão submetidos ao cumprimento de metas e o olho da rua será o endereço daqueles que não as atingirem.

O jogo é tão bruto que a concessionária não perde nem a energia que é desviada através dos ”gatos” e ligações clandestinas. Os custos de quase 20% da energia que é furtada é rateado entre os consumidores que, como eu e milhares, pagam as contas e não têm gatos na ligação.

O erro político da bancada de apoio ao governo é transportar no lombo um peso que não é seu. Esse procedimento dá margem para se insinuar que algo está sendo varrido pra debaixo do tapete.

Ora, se for identificada alguma incorreção no cálculo do ICMS ou na aferição dos relógios, o que eu acho muito improvável, o grande beneficiado será exatamente o maior consumidor, qual seja: o governo.

Portanto, não entendo porque políticos “ passados na casca do algo” como Ney Amorim e Vagner Sales, maestros da articulação política do governo, não entraram em campo para convencer a bancada de sustentação a apoiar essa CPI, posto que ela não atingirá o governo.
Há séculos os mais sábios já professavam: “sapo na beira da lagoa, de cócoras com ele”. Se é pra jogar pra arquibancada, então que todos joguem.

O fermento que dá volume ao bolo teatral de luz, câmera e pouca ação é a disputa entre mocinhos e bandidos. Entre os que são favoráveis sem saber o que vão investigar e os que são contra pelo mesmo motivo.

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Luiz Calixto

Sem retorno

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Pode-se falar qualquer coisa dos sete meses do governo Gladson Cameli, menos de uma: que ele tenha movido uma palha para cercear o trabalho da imprensa ou influído na divulgação ou na censura de reportagens contra sua gestão. A se manter nessa toada, Gladson será um dos raros governadores que não pagará por elogios.

São poucos os jornais que não estão cobrando do governador as soluções de graves problemas que os mantiveram “‘cegos e mudos” por muitos e muitos anos.

De certa forma, os milhões de reais despendidos mensalmente com a mídia mantinha o grito de liberdade deles entalado na garganta. Entretanto, a valoração da imprensa está em baixa. As notícias que jornais tradicionais divulgam são café requentado. As incontroláveis e incensuráveis redes sociais, com suas vantagens e irresponsabilidades, assumiram a função de quebrar o monopólio da informação.

Nas repartições o clima é mais respirável.

O medo e o silêncio obsequioso das décadas de outrora cederam lugar a uma multidão que, mesmo sabendo que as soluções não saem de uma cartola, cobram resultados imediatos.

O fundamento dessas cobranças está sustentado tanto na desordem herdada das administrações anteriores quanto da elevadíssima expectativa gerada nas eleições pelo atual governo.

De uma hora para outra o povo despertou. As redes estão em permanente estado de atenção.

Fico a imaginar se esta ostensiva vigilância tivesse de olhos abertos nos tempos passados.

Com certeza o odor de muito “basculho ” que fora varrido para debaixo do tapete não estaria ofendendo nossas narinas.

Ao atual governo duas difíceis tarefas se apresentam e todas elas exigindo o máximo de empenho dos gestores: primeiro, por ordem na casa; segundo, botar a máquina pra rodar.

Em tempos de profunda crise financeira, nenhum desses intentos é fácil. De minha parte, ainda continuo acreditando que este governo dará certo ou já está a dar certo.

Ainda antes das eleições, sempre que tive oportunidade, falei e escrevi que o “buraco era mais embaixo”. Por mais boa vontade que se tenha, a situação do Acre não permite a solução dos seus problemas na velocidade que desejamos.

Com apressada razão, muitos parlamentares cobram a solução de problemas cuja resolução apenas a saliva não basta.
De mais a mais, ainda é muito latente no meio do povo a antipatia nutrida ao PT.

É muito significativa a parcela da população que reclama do atual governo, mas não quer nem sonhar e sente calafrios quando se conjectura sobre uma possível volta do PT. Voltar ao passado, não.

A Gladson resta segurar firme no timão do motor para controlar a gula de seus aliados que abrem a goela para os bônus, mas não oferecem o lombo para o ônus.

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Luiz Calixto

Crime S/A

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O crime só se organiza nos locais onde o Estado se desorganiza. E, infelizmente, isso é uma triste constatação nos 27 entes federativos. Ao longo dos anos, os Estados brasileiros foram corroídos pela ferrugem da desordem institucional e, via de regra, se tornaram sócios e coniventes com o crime.

Não se trata aqui de vender facilidades ou de minimizar a gravidade dos problemas relacionados à segurança pública. Ao contrário. A situação não é de nenhum “melzinho na chupeta”. No entanto, as melhores e mais exitosas experiências mundiais de combate às organizações criminosas ocorreram exatamente onde o poder público primeiramente se organizou internamente para o enfrentamento da criminalidade. Esses países concentraram suas forças no expurgo dos maus policiais e priorizaram seus investimentos nos serviços de inteligência e perícias. De pouco adianta ter os melhores equipamentos, veículos, armas, helicópteros etc. se no meio de uma tropa de segurança tiver um, apenas um, agente público de segurança que “venda” todo o trabalho de um efetivo honesto através de uma mensagem de WhatsApp para uma facção. Isso é um fato lamentável e incontestável no Brasil, tanto que é praxe da Polícia Federal não utilizar agentes com a mesma lotação funcional nos locais de onde suas operações são realizadas.

O poder executivo, promotor das políticas públicas, não pode se ausentar, se omitir ou fazer corpo mole, de sorte que a permissão para entrar ou não em determinados locais seja prerrogativa de grupo que atua segundo suas próprias “leis”.

A mão do Estado é pesada demais e aqueles que ousam enfrentá-lo sabem disso. Sem prazo fixado para bater em retirada as forças policiais deveriam ocupar esses espaços. Se não dispõe dos meios desejáveis, essa presença tem de ser com os instrumentos que possuem no momento. Esperar por uma utopia inclusiva só adiará a solução da causa e cederá espaço para o avanço da delinquência.

Contra os superpoderes do Estado não há bandidagem que resista. O terreno mais fértil para o crime é a falta de Estado. O policiamento ostensivo é importantíssimo e deve ser reforçado, pois é através dele que a sensação de segurança é transmitida para população. No entanto , quase sempre ele chega quando o fato já está consumado e os corpos já estão estendidos no chão.

Em cada cena de um crime que causa comoção social surgem as soluções mágicas, geralmente oriundas da varinha de condão de parlamentares.

A bola da vez é a demonização das audiências de custódia, apresentadas irresponsável e demagogicamente para uma população cuja carência por segurança permite o oportunismo chulo como “Procons do Crime” e como se o fim destas fosse resolver ou, ao menos, amenizar alguma coisa.

A população que clama por firmeza da justiça no combate ao crime tem de saber que muitos acusados são liberados nestas audiências não por bondade do juiz, mas porque os inquéritos são mal instruídos na origem e com falhas incorrigíveis aos olhos dos advogados de defesas.

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