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Alumiar as Contas de Luz

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Os estudos e pesquisas sobre a eletricidade são bem antigos; vêm de antes de Cristo, com o grego Tales de Mileto, mas seu uso espetacular e avassalador é recente: data do final do século XIX. O uso generalizado e praticamente inesgotável da eletricidade foi um dos preciosos presentes que as ciências da física, da matemática e da engenharia ofereceram à civilização humana.

Sua importância para a vida moderna rivaliza com a invenção do fogo ( ou o roubo  que o titã Prometeu fez aos  deuses, trazendo o fogo sagrado aos homens, pelo que recebeu terrível e eterno castigo ) e da roda, na antiga Mesopotâmia, tão decisivos para a melhoria da condição humana.

O fato é de que nos dias de hoje é difícil imaginar-se um mundo às escuras, sem produção agrícola, industrial e de serviços, sem transportes de natureza variada, sem calefação/condicionamento, sem eletroeletrônicos etc. É de se imaginar que nem mesmo essa espantosa revolução tecnológica da economia de redes conseguiu ainda superar, à larga, os atos e potências corriqueiros permitidos e praticados pela eletricidade.

Esse é o contexto em que se dá a privatização da empresa estatal da Eletroacre; ela foi efetuada no final do ano passado, antes do Governo Gladson Cameli assumir. A efetivação, a “ puesta en marcha “ dessa troca de titularidade, essa, sim, somente está em curso nos dias de agora.

Com o passar dos anos, a energia elétrica tornou-se um dos principais preços da economia e reverbera diretamente na economia popular. É preço tão importante para os cidadãos como os preços do pão, da passagem do ônibus, do feijão, da carne, da farinha, do aluguel, só que em cifras mais significativas.

O “ talão “ de luz consome parcela significante da renda das famílias, dos estabelecimentos comerciais, industriais e prestadores de serviços e teve variadas volatilidades no bolso desses usuários, concomitantes à privatização efetuada.

As reclamações foram gerais e os aumentos dos valores cobrados coincidiram, também, com a pauperização do conjunto dos consumidores, neste início de 2019.

Assunto de repercussão geral, a privatização da Eletroacre e o aumento expressivo do valor das contas de luz chamaram a atenção de muitos e, naturalmente, viraram objeto de debates na Assembleia Legislativa do Acre. Dessa forma, de estranhar seria evitar-se trazer à luz da discussão a ideia da proposição.

A proposta da CPI da Energisa, como está a ficar conhecida, cercou-se de bastante cautela em seus termos. Cita apenas três ítens do objeto determinado, identificando: “ A cobrança supostamente indevida do ICMS nas faturas de energia elétrica do Estado do Acre “; “ Supostos erros nas leituras dos padrões e na emissão das faturas de energia “; “ ( … ) o contrato de compra da Eletroacre pela Energisa “.

Mesmo com tanta frugalidade, a proposta da CPI ganhou a simpatia da maioria dos acreanos que a conheceram. Por que? Simplesmente porque as pessoas acham que ela pode responder, aplacar e costurar seus bolsos furados, expectativa muito acima das possibilidades concretas que efetivamente oferece.

O que tem sido saliente e até certo ponto instigante na estória da CPI da Energisa é o feixe insólito das trapalhadas protagonizadas pela chamada base de sustentação do Governo na Aleac em simbiose com o direcionamento político biruta emanado do Executivo.

Os atos de assinar, retirar assinaturas, reassinar novamente por parte de parlamentares e os expedientes bisonhos utilizados para impedir a leitura e instalação da CPI têm sido um espetáculo à parte. O que deveria ser ato simples, comum e normal num procedimento legislativo começa a atrair crescente suspeição para o Executivo e um amontoado de ilações e expressões maledicentes a respeito de sua culpabilidade e má fé.

Por fim, apenas duas perguntas para tentar-se entender o que não parece ser suficientemente lógico: 1) o que pode apavorar um Governo que não é o responsável pelo processo de privatização e que tem uma semana além dos 100 primeiros dias de atuação? e, 2) por que esse pânico e essa opção insana pelo labirinto das sombras e das trevas, fugindo-se da luz do sol como o diabo foge da cruz?

*João Correia é professor universitário e escreve neste espaço de ac24horas todas às quintas feiras

 

 

 

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