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A internet sepultou governos virtuais

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De 1999 a 2010, o PT administrou o Acre com muito dinheiro, popularidade tocando nas nuvens e apoio incondicional de todos os órgãos de fiscalização. Naquele período, as redes sociais, principalmente o Facebook, ainda engatinhavam.

Exceto a TV Rio Branco, a popular TV do Narciso, todas as demais emissoras e jornais se ajoelhavam e rezavam na cartilha do poder. O preço dessa resistência custou-lhe muito caro.

O controle era tão intenso que nada ia pra rua sem a prévia aprovação da Secretaria de Comunicação.

Passaram-se duas décadas e ainda não apaguei da memória o trecho de um recado enviado por um importante assessor vianista ao dono de um jornal impresso, cujo teor foi o seguinte:

–– Negão, tu vai (sic) querer chafurdar na lama feito porco?

Contestar as ações do governo, além de um pecado capital, era quase impossível por falta de espaço.

Que Deus o tenha no lugar merecido: certa vez, fui reclamar ao empresário Roberto Moura, da TV Gazeta, do “gelo” que sua emissora me dava, ainda que eu fosse uns dos parlamentares mais “briguentos” da Assembléia.

Curto e grosso, e sempre de olhos bem arregalados no sucesso de seus empreendimentos, o Moura me respondeu:

–– Calixto, tua acha que vou brigar com o governo por tua causa?

O fato é que a censura era uma política de governo. Uma política que rendeu muito para o PT e, principalmente, para os donos dos meios de comunicação.

A notícia só tinha a versão do governo.

Contraditoriamente, a milionária verba da mídia é usada para desinformar.

Hoje me arrependo das grosserias ditas por mim aos jornalistas da TV Aldeia por conta das gravações de entrevistas que nunca eram levadas ao ar. Os culpados não eram eles, que apenas obedeciam ordens superiores.

De 2011 até 2018 a imprensa tradicional também reinou absoluta, pois podia faltar dinheiro pra tudo, menos pra pagá-la. E agora, inclusive, a TV do Narciso.

Neste período, entretanto, a influência da informação digital superou de longe os jornais tradicionais. Com o faturamento garantido, nenhum deles teve a capacidade de abraçar a informação “online”. No lugar de entrarem na rede preferiram atar suas redes na confortável verba estatal.

Nesse terreno, este ac24horas e o Blog do Altino Machado demarcaram o campo da informação à queima roupa.

Ainda que bem remunerada, a velha imprensa limitou-se em levar às bancas “novidades que todos já estavam cansados de saber”, posto que divulgam aquilo que já havia sido notícia nos sites e blogues.

Atualmente, mesmo com os atropelos na concordância e, muitas vezes, com o assassinato da gramática, uma multidão carrega na palma da mão o poderoso instrumento do smartphone, de onde pode editar e publicar suas notícias.

Ao que parece, Gladson Cameli ainda não foi à feira para comprar elogios e nem se tem notícias de censura. Os redatores da internet, inclusive os censores de outrora, tem batido nele, sem dó nem piedade.

Caso resolva ir às compras, será por mera piedade e não por necessidade, sabendo este, de antemão, que estará comprando uma mercadoria sem garantia.

A internet sepultou governos virtuais.

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Luiz Calixto

Sem retorno

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Pode-se falar qualquer coisa dos sete meses do governo Gladson Cameli, menos de uma: que ele tenha movido uma palha para cercear o trabalho da imprensa ou influído na divulgação ou na censura de reportagens contra sua gestão. A se manter nessa toada, Gladson será um dos raros governadores que não pagará por elogios.

São poucos os jornais que não estão cobrando do governador as soluções de graves problemas que os mantiveram “‘cegos e mudos” por muitos e muitos anos.

De certa forma, os milhões de reais despendidos mensalmente com a mídia mantinha o grito de liberdade deles entalado na garganta. Entretanto, a valoração da imprensa está em baixa. As notícias que jornais tradicionais divulgam são café requentado. As incontroláveis e incensuráveis redes sociais, com suas vantagens e irresponsabilidades, assumiram a função de quebrar o monopólio da informação.

Nas repartições o clima é mais respirável.

O medo e o silêncio obsequioso das décadas de outrora cederam lugar a uma multidão que, mesmo sabendo que as soluções não saem de uma cartola, cobram resultados imediatos.

O fundamento dessas cobranças está sustentado tanto na desordem herdada das administrações anteriores quanto da elevadíssima expectativa gerada nas eleições pelo atual governo.

De uma hora para outra o povo despertou. As redes estão em permanente estado de atenção.

Fico a imaginar se esta ostensiva vigilância tivesse de olhos abertos nos tempos passados.

Com certeza o odor de muito “basculho ” que fora varrido para debaixo do tapete não estaria ofendendo nossas narinas.

Ao atual governo duas difíceis tarefas se apresentam e todas elas exigindo o máximo de empenho dos gestores: primeiro, por ordem na casa; segundo, botar a máquina pra rodar.

Em tempos de profunda crise financeira, nenhum desses intentos é fácil. De minha parte, ainda continuo acreditando que este governo dará certo ou já está a dar certo.

Ainda antes das eleições, sempre que tive oportunidade, falei e escrevi que o “buraco era mais embaixo”. Por mais boa vontade que se tenha, a situação do Acre não permite a solução dos seus problemas na velocidade que desejamos.

Com apressada razão, muitos parlamentares cobram a solução de problemas cuja resolução apenas a saliva não basta.
De mais a mais, ainda é muito latente no meio do povo a antipatia nutrida ao PT.

É muito significativa a parcela da população que reclama do atual governo, mas não quer nem sonhar e sente calafrios quando se conjectura sobre uma possível volta do PT. Voltar ao passado, não.

A Gladson resta segurar firme no timão do motor para controlar a gula de seus aliados que abrem a goela para os bônus, mas não oferecem o lombo para o ônus.

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Luiz Calixto

Crime S/A

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O crime só se organiza nos locais onde o Estado se desorganiza. E, infelizmente, isso é uma triste constatação nos 27 entes federativos. Ao longo dos anos, os Estados brasileiros foram corroídos pela ferrugem da desordem institucional e, via de regra, se tornaram sócios e coniventes com o crime.

Não se trata aqui de vender facilidades ou de minimizar a gravidade dos problemas relacionados à segurança pública. Ao contrário. A situação não é de nenhum “melzinho na chupeta”. No entanto, as melhores e mais exitosas experiências mundiais de combate às organizações criminosas ocorreram exatamente onde o poder público primeiramente se organizou internamente para o enfrentamento da criminalidade. Esses países concentraram suas forças no expurgo dos maus policiais e priorizaram seus investimentos nos serviços de inteligência e perícias. De pouco adianta ter os melhores equipamentos, veículos, armas, helicópteros etc. se no meio de uma tropa de segurança tiver um, apenas um, agente público de segurança que “venda” todo o trabalho de um efetivo honesto através de uma mensagem de WhatsApp para uma facção. Isso é um fato lamentável e incontestável no Brasil, tanto que é praxe da Polícia Federal não utilizar agentes com a mesma lotação funcional nos locais de onde suas operações são realizadas.

O poder executivo, promotor das políticas públicas, não pode se ausentar, se omitir ou fazer corpo mole, de sorte que a permissão para entrar ou não em determinados locais seja prerrogativa de grupo que atua segundo suas próprias “leis”.

A mão do Estado é pesada demais e aqueles que ousam enfrentá-lo sabem disso. Sem prazo fixado para bater em retirada as forças policiais deveriam ocupar esses espaços. Se não dispõe dos meios desejáveis, essa presença tem de ser com os instrumentos que possuem no momento. Esperar por uma utopia inclusiva só adiará a solução da causa e cederá espaço para o avanço da delinquência.

Contra os superpoderes do Estado não há bandidagem que resista. O terreno mais fértil para o crime é a falta de Estado. O policiamento ostensivo é importantíssimo e deve ser reforçado, pois é através dele que a sensação de segurança é transmitida para população. No entanto , quase sempre ele chega quando o fato já está consumado e os corpos já estão estendidos no chão.

Em cada cena de um crime que causa comoção social surgem as soluções mágicas, geralmente oriundas da varinha de condão de parlamentares.

A bola da vez é a demonização das audiências de custódia, apresentadas irresponsável e demagogicamente para uma população cuja carência por segurança permite o oportunismo chulo como “Procons do Crime” e como se o fim destas fosse resolver ou, ao menos, amenizar alguma coisa.

A população que clama por firmeza da justiça no combate ao crime tem de saber que muitos acusados são liberados nestas audiências não por bondade do juiz, mas porque os inquéritos são mal instruídos na origem e com falhas incorrigíveis aos olhos dos advogados de defesas.

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