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Paiol de ideias

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Quando os governos petistas encasquetavam com algo que julgavam ser a salvação econômica do Acre, quem se opusesse ao projeto era imediatamente atropelado pela milionária máquina de propaganda estatal, especializada em suprimir as opiniões diversas e destruir reputações.

Quaisquer outras atividades econômicas que não tivessem por base os produtos extraídos da floresta eram consideradas marginais.

A mais famosa de todas foi a florestania, uma corruptela de “cidadania da floresta”, que serviu de abre-alas para a contratação de vultosos empréstimos junto ao Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Como a causa ambiental tinha, e ainda tem, respeitável audiência universal, a tarefa de arranjar dinheiro não foi muito difícil, principalmente em razão das garantias reais exigidas e pelo aval subjetivo das maiores autoridades em questões ambientais, a ex-senadora Marina Silva e a memória do líder sindical e ambientalista Chico Mendes.
A grife Chico Mendes-Marina Silva foi fundamental na captação dos recursos, mas o único responsável pela definição da aplicação destes e pela gestão dos programas foi Jorge Viana, que usou e abusou do prestígio da marca.

Apurados os resultados e indicadores socioeconômicos dos povos da floresta, o que seria o trampolim para projetar Jorge Viana como uma referência nacional acabou deixando-o ainda mais nanico diante dos seus faróis.

Basta citar que, exceto uma beneficiadora de borracha localizado em Sena Madureira, todas as demais fecharam. O corte da seringa era o emblema do projeto.

Pulando o período de Binho Marques, cujo governo foi essencialmente técnico, Tião Viana abandonou completamente o projeto falido do irmão e direcionou todo o seu suor para a industrialização, a piscicultura, ovinocultura e, na área urbana, implementou o milionário e questionado programa Ruas do Povo, cujos resultados levaram o Acre para o brejo e o inscreveu no rol dos piores governadores do Acre.

A área da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Acre foi tomada pela capoeira, o frigorífico de peixes foi fisgado pela quebradeira, os carneiros e cabras não berraram e o melhor relatório sobre o programa de ruas pode ser aferido pela quantidade de buracos das vias.

Isto sem contar que todas as empresas envolvidas faliram e muitos daqueles que acreditaram na “foba” do governo se arrependeram de terem financiado equipamentos para cavar buracos que chamavam de açudes.

Todo esse resgate e arrazoado é para dizer que foi um grave equívoco dos governos passados depositar “todos os ovos apenas numa cesta”.

O desenvolvimento do Acre não passará pela concentração de investimentos num único segmento. Como somos pequenos, tudo aquilo que agregar algum valor e fizer a riqueza circular internamente, será fundamental para o nosso desenvolvimento.

A pulverização dos esforços e inversões é o melhor caminho para o sucesso e para o amortecimentos de eventuais fracassos. Se os ovos de uma cesta quebrarem, escapam os que estão noutras.

Gladson Cameli não deveria cometer o mesmo erro, como está cometendo, ao tentar ressuscitar a ZPE. Esse modelo não funcionou, e nem funcionará, em nenhum lugar do Brasil.

A possibilidade de um empresário “processar” no Acre produtos para exportar é zero. Por ser muito complexo, o tema ZPE exigiria um artigo exclusivo, mas basta lembrar que a obrigação legal de vender para o exterior 80% de tudo que for produzido, elimina qualquer possibilidade de sucesso. Atualmente é impossível concorrer com os produtos chineses.

Dessa forma, tudo deve ser considerado importante para receber a atenção do governo: soja, pecuária, banana, peixe, arroz, farinha, agricultura familiar, pequenos roçados, produtos extrativos, borracha, castanha, porco, galinha, carneiro e o escambau.

O somatório das rendas e empregos gerados nesta cesta de oportunidades é o que fará o desenvolvimento do nosso Estado. Toda produção que tem preço e qualidade tem mercado garantido e o retorno disso é a melhor notícia que um governante pode anunciar: oportunidades e qualidade de vida.

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Luiz Calixto

O senador da motosserra

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Ex-aliado de Aécio Neves, do qual se autoproclamava “um saldado” ––e o líder tucano ainda estava distante dos escândalos que podem conduzi-lo à cela––, Márcio Bittar se associou ao senador Flavio Bolsonaro, cuja única qualidade é o fato de ser filho do presidente da República, para apresentar o projeto de terra arrasada que prevê o fim a reserva legal. É a união da corrente com o saibro.

Bittar é representante de um grupo de WhatsApp que diz defender as teorias de livre mercado de Adam Smith, mas leva a vida da forma mais Keynesiana possível, e, metaforicamente, prega o calçamento do território acreano com lajotas.

Atualmente, a lei ambiental prevê a proteção de 80% das florestas na Amazônia, 35% na região do cerrado e 20% na Mata Atlântica.

Convidado do programa de Miriam Leitão, na Globo News, Bittar misturou alhos com bugalhos, não soube discernir uma reserva legal de áreas de proteção ambiental e permanentes.

Questionado sobre a razão da paralisia da bancada ruralista, que, em tese, deveria ser o segmento mais animado e engajado com a defesa de seu projeto, o senador acreano foi “pra lá e pra cá” e deixou a jornalista e os assinantes do canal sem a devida resposta.

O fato mais grave: a agressividade do projeto é tanta que nem os fazendeiros e monocultores ousam sair em defesa dele.

Tentar aumentar a produção agrícola pela via de expansão das áreas de florestas equivale a tentar melhorar a qualidade das comunicações com o ressurgimento do velho e nostálgico “orelhão”.

Se, de fato, o país deseja ampliar sua oferta de alimentos, a via permitida será o aprimoramento tecnológico da produção e a recuperação e incorporação de áreas já degradadas, posto que a tendência do mercado internacional é rejeitar quaisquer commodities cultivadas em terras devastadas.

Bobagem e perda de tempo insistir no modelo de desenvolvimento do Acre que tenha como ponto de partida derrubadas de grandes áreas de terra para implantação de pastagens ou soja. Ninguém em sã consciência ousa sugerir isso à sociedade brasileira.

De pouco adianta se escorar em exemplos de estados e países que não preservaram suas florestas para justificar a necessidade de desmatamentos exagerados. A visão ambiental é outra, dentro e fora do Acre.

Aliás o Acre já teve essa oportunidade: na década de 1970 o governo só garantia a posse da terra, e até reduzia o ITR, para quem botasse metade de sua área no chão. Passou o tempo que a a floresta era encarada como entrave e o desmatamento uma benfeitoria.

Sou partidário da ideia segundo a qual um pequeno agricultor dificilmente terá renda suficiente se em dois hectares preferir criar três vacas a explorar sua área com a variedade de fruticultura, por exemplo.

Não há mistérios a desvendar: ou optamos por incentivar uma variedade de oportunidades de produção ou nos contentemos com a eterna dependência do FPE.


Luiz Calixto escreve às quartas-feiras no ac24horas.

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Luiz Calixto

Chamem o Freud

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Não entendo absolutamente nada de psicanálise, mas sei que tem coisas na política brasileira que ninguém consegue explicar. Nem Freud.

Aliás, se o mais famoso de todos os psicanalistas fosse ainda vivo, morasse no Brasil e atendesse no departamento médico do Congresso Nacional, a fila de parlamentares para atendimentos seria quilométrica.
Qualquer cidadão que esteja gozando de suas faculdades mentais constatará que o país vive sob uma perigosa histeria nacional e a classe política se transformou numa verdadeira gaiola de loucos.

O tema que mais discutido nas rodas econômicas é a reforma da Previdência. Segundo os alarmistas das maiores corporações financeiras do mundo, se a dita cuja não for aprovada para prover a economia nacional com o corte de R$ 1 trilhão em 10 anos, o Brasil fechará para balanço.

Da mesma forma, segundo a propaganda oficial, a reforma é a redenção da classe trabalhadora e, ato continuo à vigência dela, milhões de postos de trabalho serão gerados.

Argumento semelhante também foi usado para aprovar a reforma trabalhista.

O que Freud precisaria explicar é o seguinte: se a reforma é boa para todos, por quais razões o governo tem imensas dificuldades para convencer 308 deputados federais a votar a favor da emenda?

Estranho que deputados e senadores sejam tão vorazes ao exigir cargos e vantagens para votar a favor de algo que é tido como bom para seus eleitores.

Se é, de fato, uma dádiva, por que os governadores fogem dela e querem transferir o peso dos regimes próprios dos Estados para o lombo do governo federal?

Se boa é para a classe trabalhadora, só a burrice levaria o governo a gastar alguns milhões de reais para tentar convencer os trabalhadores a aceitarem o que lhe beneficiará? Em tempo: só o “jabá” do apresentador Ratinho foi de R$ 280 mil.

Durante os 27 anos de deputado federal, Bolsonaro votou contra as reformas propostas por FHC, Lula e Dilma argumentando na ocasião que as mudanças nas regras da Previdência atentavam contra os legítimos interesses da classe trabalhadora.

Alçado à presidência da república galopando nas costas decepção do povo brasileiro com a política, o mito agora é a favor da mudança e questionado sobre essa metamorfose, respondeu em tom mais grosso que papel de embrulhar prego:

–– Vou me arrepender porque fiz xixi na cama aos cinco anos? Saiu, pô.

A reforma não é para combater privilégios. Isso é apenas um álibi criado pela marquetagem pura e simplesmente para estimular as brigas entre as diversas categorias.

Se o fim dos privilégios fosse o objetivo dela, por que não se faz uma reforma focada apenas nisso? Ou um trabalhador rural que trabalha, ininterruptamente, de sol a sol até os 65 anos para poder se aposentar com um salário mínimo é um privilegiado? Ou o Benefício de Prestação Continuada, o tal BPC, de menos de 1/2 salário mínimo também é uma concessão diferenciada?

O fato é que o capital financeiro vai aprovar a reforma, custe o quanto custar, não porque ela é boníssima ou vai combater privilégios, mas porque o imenso buraco cavado pela corrupção no Brasil nas últimas décadas precisa de muitos sócios para tapá-lo.

Falar a verdade seria mais honesto.


Luiz Calixto escreve as quartas-feiras no ac24horas.

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