Conecte-se agora

Seu Tufic

Publicado

em

Embora eu tenha me formado em engenharia civil, o programa do curso era pouco convencional e preparava os alunos para atuar em problemas das cidades como o saneamento, o trânsito e transporte, a infraestrutura e o planejamento.

Na época chamavam essa ênfase de engenharia de serviços públicos. Hoje está rebatizada de engenharia de sistemas urbanos. Isso me valeu o convite para trabalhar na prefeitura de Rio Branco, onde desembarquei, recém formado, no antigo DTP, precursor da atual RBTans.

No último ano da graduação me inscrevi na disciplina de avaliação de projetos de infraestrutura urbana e uma das atividades desenvolvidas foi um laboratório de representação onde era submetida uma proposta de intervenção na cidade e cada participante assumia um papel, defendendo ou sendo contra o projeto. Um era o técnico, autor do projeto, outro o vereador, outro um motorista de táxi, o estudante, o corretor de imóveis, etc. Me coube ser o comerciante, cujo empreendimento seria privado do trânsito e dos estacionamentos em frente a loja, pela instalação de um calçadão.

O que parecia somente uma brincadeira para relaxar dos Paybacks, VPLs, cartilhas dos BIDs, BIRDs, BNHs e que tais, foi um momento bastante interessante para entender os diversos interesses e visões sobre a cidade e sua dinâmica.

Em Rio Branco, quando cheguei, o governador Nabor Jr. estava recuperando a ponte metálica que ficou inoperante por muitos anos e o DTP ficou incumbido de reprojetar a circulação entre os dois distritos da capital, então interligados somente pela ponte Sebastião Dantas e pela rua Marechal Deodoro, que funcionavam em mão dupla.

Com a re-inauguração da ponte, teríamos a opção de um sistema binário, com as vias Marechal e Getúlio Vargas funcionando em mão única. O detalhamento do projeto ficou a cargo do Eng. Marco Antônio enquanto eu cuidava da intervenção que o prefeito Flaviano Melo decretou na empresa de ônibus. Quando a obra estava quase pronta e tínhamos que implementar a sinalização eu era o diretor do DTP e me levantaram uma questão importante: já combinou com Seu Tufic?

Tufic Assmar era um senhor na casa dos 70 anos, de descendência libanesa e administrava a emissora local da TV Globo, único canal de televisão do Acre na época. Antigo seringalista, era um homem temido localmente pela classe política graças ao hábito de, quando contrariado, inserir editoriais contundentes em sequência ao Jornal Nacional.

Reza a lenda que foi ele que impôs a curva do Tucumã para que a estrada do Quinari desviasse por suas terras. Também que a ponte JK não chegasse, como inicialmente projetada, até a, hoje, avenida Chico Mendes, porque sua residência, uma casa simples de madeira, seria desapropriada.

Seu Tufic tinha uma loja na rua Eduardo Assmar (nome do irmão), antiga 1º de Maio, de frente para o Rio Acre, cujo trânsito era nulo desde que a ponte foi interditada. Pela manhã ele passava algumas horas por ali conversando com a vizinhança e dando broncas no funcionário Camurça, e às tardes ficava na sede da TV.

Faltavam uns quinze dias para a inauguração e resolvi ter uma prosa com o sujeito. Não sem antes tomar algumas informações sobre ele com minha sogra, também de família libanesa de comerciantes que tiveram loja e residiram na rua 1º de Maio.

A fama de cabeça dura e avarento escondia um sujeito de brio, inteligentíssimo, com uma memória de dar inveja no Dumbo e um senso de humor peculiar. Dizem que, certa vez, passando por uma blitz com seu Fiat 147, o policial pediu: “seu Tufic. RG, habilitação e o documento do carro”. Ele entregou o documentos sem o RG. Quando o guarda solicitou novamente a Identidade ele disse: “você já não está me chamando pelo meu nome? pra que quer o documento?”.

Preferi ir a loja pela manhã. Achei que seria mais fácil discutir a questão olhando o local afetado do que num escritório do outro lado da cidade. Ele me recebeu com cautela. Quebrei o gelo dizendo que também descendia de árabes e que havia me casado recentemente com uma moça da comunidade libanesa local. Ele falou então da relação de amizade e até do compadrio entre os Assmar, Fecury, Beiruth, Farhat, Jarude, Fares, Isper e outras famílias de origem cristã.

No tempo dele, aproveitei para tocar no assunto: “nosso engenheiro já está com o projeto quase concluído e gostaríamos de ouvir tua opinião”. A resposta veio rápida. A ponte deveria ter mão dupla com o trânsito da 1º de Maio indo na direção da Gameleira. Gelei. Ainda consegui argumentar contra a mão dupla (dizendo que em Rio Branco já havia muitos veículos além do folclórico Jeep do Jacaré) e marcar uma segunda prosa para a semana seguinte, juntando os outros comerciantes da rua.

Evidentemente, só estava ele no dia marcado. Me disse que representava os demais. Insistiu que o trânsito da rua tinha que ser da ponte para a Gameleira. Entendi que, na opinião dele, ver trânsito alí era sinônimo de recuperar a clientela. Porém isso criava um problema de segurança na cabeceira da ponte. A conversão muito apertada aumentava o risco de colisões.

Não entrei em questões técnicas. Pensei como o comerciante do teatrinho no curso de engenharia: vamos negociar.

Propus a ele que inauguraríamos a obra com a mão da rua do jeito que ele queria. Eu estava seguro que nos primeiros dias haveria uma equipe no local para orientar o trânsito e prevenir problemas. Após quinze dias mudaríamos para a solução do engenheiro para uma avaliação da melhor alternativa. Ele topou.

Em menos de uma semana seu Tufic me chamou na loja e disse para acelerarmos a troca. O trânsito intenso que se formou travava a rua e prejudicava ainda mais o comércio. Fizemos a mudança. Implantamos a sinalização como estava no projeto e ganhei um parceiro para muitas outras batalhas.


Roberto Feres escreve às terças-feiras no ac24horas.

Propaganda

Cotidiano

Secretaria de educação de Rio Branco lamenta morte de filha de diretora de ensino

Publicado

em

A secretaria de educação do município de Rio Branco emitiu uma nota de pesar no início da noite desta segunda-feira, 24, pelo precoce falecimento da pequena Duda, filha da Diretora de Ensino, professora Gleice Souza e do professor Maxilane, Coordenador Pedagógico da escola Anice Dib Jatene.

De acordo com o secretário municipal de educação, Moisés Diniz, a criança tinha deficiências múltiplas, incluindo autismo, mas ainda assim levava uma vida escolar ativa e alegre. Para os profissionais da educação, Duda era um verdadeiro símbolo de superação.

O velório ocorre na Capela São Francisco e o sepultamento está marcado para esta terça-feira, 25, às 8 horas, no cemitério São João Batista.

“A família SEME se solidariza com a nossa Diretora de Ensino, professora Gleice Souza, e seus familiares e entrega sua dor e sua fé nas mãos do Criador”, solidarizou-se a secretaria, em nota.

Continuar lendo

Extra Total

Rocha deixa Mara isolada e diz “que não há nenhum rompimento” com Gladson

Publicado

em

O vice-governador Major Rocha (PSDB) se pronunciou na noite desta segunda-feira, 24, pela primeira vez, após a polêmica envolvendo a sua irmã, a deputada federal Mara Rocha (PSDB) que teria afirmado a correligionários tucanos que deixaria a base do governo do Acre em Brasília caso o governador Gladson Cameli (Progressistas) não exonerasse o secretário de Agricultura e Pecuária, Paulo Wadt. Em resposta, Cameli afirmou que não aceitaria pressão da parlamentar e anunciou que faria uma intervenção da Segurança Pública, o que não ocorreu conforme declarou ao ac24horas antes de iniciar expediente no Palácio Rio Branco. O governador voltou atrás em sua decisão de declarou que a Segurança continua sob o comando de Rocha.

Tentando pôr panos quentes na crise criada entre o governador e a deputada, Rocha pode ter decretado uma ruptura familiar ao afirmar que da parte dele não existe nenhum rompimento com Gladson. “De minha parte quero deixar claro que não há nenhum rompimento com o Governador Gladson Cameli. Entendo que a aliança que constituímos no período pré-eleitoral foi pelo Acre e por isso abri mão de disputar outro cargo. Tenho maturidade suficiente para não embarcar em crises inexistentes. Em crises fabricadas para criar fatos, desgastar o governo e atrapalhar o Acre. Não vou cair nas armadilhas desses que veem nas crises artificiais uma forma de me atacar ou atacar o governo. Não percam seu tempo, não vou me pautar por aqueles que torcem para o quanto pior melhor”, disse Rocha em sua página no facebook.

Ainda em seu comunicado nas redes sociais, o vice-governador deixou a função de coordenar a segurança pública a disposição de Cameli, “caso ele queira rever esse acordo”.

“Não há de minha parte qualquer intenção de brigar para continuar ou não respondendo pela Segurança, não tenho vaidade, quero apenas ajudar. Até hoje fiz tudo aquilo que estava ao meu alcance para devolver a tranquilidade as acreanos. Lembro que assumimos o governo com o Acre figurando em 2° lugar no ranking dos estados mais violentos do Brasil, razão pela qual optei por indicar apenas profissionais da área da segurança pública, sem nenhuma relação ou atrelamento a partido político. Talvez esse não seja o critério mais usual, ainda assim acredito que esse seja um dos muitos motivos para estarmos avançando nessa área. Continuo apostando que vamos vencer essa onda de violência, prova disso é que, mesmo tendo direito, decidi dispensar a utilização de seguranças para mim e meus familiares”, disse Rocha, que em nenhum momento cita o nome de sua irmã, Mara Rocha.

“Quero reforçar que em razão do critério acima exposto e em razão do acordo construído antes da eleição não indiquei nenhum filiado do PSDB ou de qualquer outro partido para ocupar cargos na Segurança Pública. Quem me acompanha sabe que nunca briguei por cargos. Aliás, nos poucos meses que fiz parte do governo Temer, publicamente abri mão de indicar filiados amigos ou parentes. Para quem quiser conferir, basta olhar as nomeações de cargos comissionados no governo do Estado para constatar que não tenho nenhum parente entre as mesmas. Logo, não sou eu ou minha família que estamos pressionando quem quer que seja por cargos”, disse.

Rocha afirmou ainda que espera que todas as demandas do PSDB sejam acolhidas pelo governo. “Com relação ao PSDB, partido que tem a Deputada Federal mais votada, dois Deputados Estaduais e militantes em todos os municípios, entendo que as coisas estão caminhando e em breve teremos boa parte das nossas pautas acolhidas. De resto, continuarei empenhando meus esforços para ajudar a melhorar a vida do nosso povo e sei que o governador Gladson Cameli também tem o mesmo objetivo”, finalizou.

Continuar lendo
Propaganda

Mais lidas

Copyright © 2019 Ac24Horas - Todos os direitos reservados.