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Todos, menos o PT

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“Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” é o artigo primeiro da liberdade de expressão, o pilar mestre que sustenta o edifício de muitos andares da democracia. Desnecessário dizer que um ser humano sem liberdade de expressão e pensamento é um oco.

Além de um valor essencial ao mundo, como é a água para matar a sede, a liberdade de expressão é um instrumento muito perigoso e letal, tanto que alguns governantes de tudo fazem para controlá-la.

Desnecessário, também, sairmos dos limites do Acre para se saber que nos tempos áureos e duros do PT a liberdade de expressão e pensamento eram bens negociáveis.

Quem ousasse pensar diferente do grupo dominante era alvo de implacável perseguição. Muitos são os casos de controle e censura. Certamente o exemplo que ficará gravado na história política do Acre é o do jornal “A Gazeta”, que antes de se aliar incondicionalmente ao vianismo foi vítima dele.

A carta aberta de Silvio Martinello ao então governador Jorge Viana, na primeira página, conviverá para o resto da vida de seu autor como prova inequívoca de sua rendição.

Enquanto parlamentar, fui censurado e impedido de participar de entrevistas nas rádios e televisões sustentadas pela milionária verba da mídia.

Se vai cumprir a sua palavra ainda é muito cedo para se dizer, mas o fato é que o governador Gladson Cameli tem declarado que não vai “nomear” chefes de redação e sua equipe de comunicação não terá que ser consultada previamente sobre as matérias a serem publicadas.

Se assim permanecer, Gladson, junto com Nabor Júnior, será o segundo governador pós ditadura militar a respeitar a liberdade de expressão. A diferença é que, nos tempos de redes sociais, tentar controlar a informação é o mesmo que enxugar gelo.

De certa forma a imprensa tradicional deve ter saudades dos tempos da censura porque isso também era rentável, aliás muito rentável.

Basta lembrar que o ultragovernista jornal Página 20, que nunca vendeu nas bancas mais que duas dúzias de exemplares, era financiado exclusivamente para agredir e difamar adversários e bajular aliados.

Aliás, deveria ser disciplina transversal em todas as escolas tópicos sobre a liberdade de expressão.

Se um governo errou, falhou, corrompeu, o instrumento mais eficiente para desbancá-lo é a denúncia e a reclamação, subprodutos da liberdade de expressão.

Não tenho dúvidas de que, se a imprensa acreana não tivesse sido manietada por tanto tempo, o PT não teria permanecido 20 anos consecutivos no poder.

Todavia, os resultados dessa tal liberdade depende muito da credibilidade de quem dela faz uma ferramenta.

Os eleitores que votaram no Gladson têm todo o direito ––aliás têm o dever–– de cobrar as melhorias que lhe foram prometidas durante a campanha.

Aqueles que optaram democraticamente pelos demais candidatos também têm esse mesmo dever, pois foi eleito governador de todos e, segundo o dito popular, quem com a viúva casa assume a responsabilidade pelas crias dela.

O novo governador já cometeu vários erros administrativos e certamente está pagando por isso. Eu mesmo já elenquei um festival de bobagens de assessores, mas que serão contabilizadas na conta de quem os nomeou.

Entretanto, quem teve a oportunidade e o tempo de fazer tem que tomar doses cavalares de “Simancol” antes de usar a bendita liberdade para criticar e cobrar.

Que “moral” terá um dirigente petista, que passou 20 anos atracado nas tetas do governo, para atacar implacavelmente um governador que está há com apenas 75 dias no poder?

O povo pode, o PT não.

O atual governo herdou um caos. Seu maior pecado é que seus secretários se comunicam muito mal e com isso dão margem para aqueles que ajudaram a esculhambar o Acre e agora, sem nem ao menos ficarem com as bochechas coradas, querem aparecer como os salvadores da lavoura.

Se vivemos uma tragédia na Segurança Pública, todos têm razões de sobra para clamar por paz e tranquilidade. Todos, menos o PT.

Todos devem protestar contra o atraso nos repasses para o Hospital Santa Juliana e a Colônia Souza Araújo. Todos, menos o PT.

Todos têm o direito de reclamar das ruas das cidades. Todos, menos o PT.

Na Saúde, a mesma coisa. Todos têm o direito de se expressar contra a situação. Todos, menos o PT.

E por que todos, menos o PT?

Porque o PT passou 20 anos com muito dinheiro e todo acreano sabe que os repasses estão atrasados há muitos meses. O programa Ruas do Povo foi uma porcaria, além de fonte de corrupção.

Na Saúde, que nunca foi de Primeiro Mundo, ao contrário do que prometeram, deixaram o caos.

Os erros e vacilos do novo governo nem de longe são suficientes para transformar a turma do PT nas últimas bolachas da lata.

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Luiz Calixto

O senador da motosserra

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Ex-aliado de Aécio Neves, do qual se autoproclamava “um saldado” ––e o líder tucano ainda estava distante dos escândalos que podem conduzi-lo à cela––, Márcio Bittar se associou ao senador Flavio Bolsonaro, cuja única qualidade é o fato de ser filho do presidente da República, para apresentar o projeto de terra arrasada que prevê o fim a reserva legal. É a união da corrente com o saibro.

Bittar é representante de um grupo de WhatsApp que diz defender as teorias de livre mercado de Adam Smith, mas leva a vida da forma mais Keynesiana possível, e, metaforicamente, prega o calçamento do território acreano com lajotas.

Atualmente, a lei ambiental prevê a proteção de 80% das florestas na Amazônia, 35% na região do cerrado e 20% na Mata Atlântica.

Convidado do programa de Miriam Leitão, na Globo News, Bittar misturou alhos com bugalhos, não soube discernir uma reserva legal de áreas de proteção ambiental e permanentes.

Questionado sobre a razão da paralisia da bancada ruralista, que, em tese, deveria ser o segmento mais animado e engajado com a defesa de seu projeto, o senador acreano foi “pra lá e pra cá” e deixou a jornalista e os assinantes do canal sem a devida resposta.

O fato mais grave: a agressividade do projeto é tanta que nem os fazendeiros e monocultores ousam sair em defesa dele.

Tentar aumentar a produção agrícola pela via de expansão das áreas de florestas equivale a tentar melhorar a qualidade das comunicações com o ressurgimento do velho e nostálgico “orelhão”.

Se, de fato, o país deseja ampliar sua oferta de alimentos, a via permitida será o aprimoramento tecnológico da produção e a recuperação e incorporação de áreas já degradadas, posto que a tendência do mercado internacional é rejeitar quaisquer commodities cultivadas em terras devastadas.

Bobagem e perda de tempo insistir no modelo de desenvolvimento do Acre que tenha como ponto de partida derrubadas de grandes áreas de terra para implantação de pastagens ou soja. Ninguém em sã consciência ousa sugerir isso à sociedade brasileira.

De pouco adianta se escorar em exemplos de estados e países que não preservaram suas florestas para justificar a necessidade de desmatamentos exagerados. A visão ambiental é outra, dentro e fora do Acre.

Aliás o Acre já teve essa oportunidade: na década de 1970 o governo só garantia a posse da terra, e até reduzia o ITR, para quem botasse metade de sua área no chão. Passou o tempo que a a floresta era encarada como entrave e o desmatamento uma benfeitoria.

Sou partidário da ideia segundo a qual um pequeno agricultor dificilmente terá renda suficiente se em dois hectares preferir criar três vacas a explorar sua área com a variedade de fruticultura, por exemplo.

Não há mistérios a desvendar: ou optamos por incentivar uma variedade de oportunidades de produção ou nos contentemos com a eterna dependência do FPE.


Luiz Calixto escreve às quartas-feiras no ac24horas.

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Luiz Calixto

Chamem o Freud

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Não entendo absolutamente nada de psicanálise, mas sei que tem coisas na política brasileira que ninguém consegue explicar. Nem Freud.

Aliás, se o mais famoso de todos os psicanalistas fosse ainda vivo, morasse no Brasil e atendesse no departamento médico do Congresso Nacional, a fila de parlamentares para atendimentos seria quilométrica.
Qualquer cidadão que esteja gozando de suas faculdades mentais constatará que o país vive sob uma perigosa histeria nacional e a classe política se transformou numa verdadeira gaiola de loucos.

O tema que mais discutido nas rodas econômicas é a reforma da Previdência. Segundo os alarmistas das maiores corporações financeiras do mundo, se a dita cuja não for aprovada para prover a economia nacional com o corte de R$ 1 trilhão em 10 anos, o Brasil fechará para balanço.

Da mesma forma, segundo a propaganda oficial, a reforma é a redenção da classe trabalhadora e, ato continuo à vigência dela, milhões de postos de trabalho serão gerados.

Argumento semelhante também foi usado para aprovar a reforma trabalhista.

O que Freud precisaria explicar é o seguinte: se a reforma é boa para todos, por quais razões o governo tem imensas dificuldades para convencer 308 deputados federais a votar a favor da emenda?

Estranho que deputados e senadores sejam tão vorazes ao exigir cargos e vantagens para votar a favor de algo que é tido como bom para seus eleitores.

Se é, de fato, uma dádiva, por que os governadores fogem dela e querem transferir o peso dos regimes próprios dos Estados para o lombo do governo federal?

Se boa é para a classe trabalhadora, só a burrice levaria o governo a gastar alguns milhões de reais para tentar convencer os trabalhadores a aceitarem o que lhe beneficiará? Em tempo: só o “jabá” do apresentador Ratinho foi de R$ 280 mil.

Durante os 27 anos de deputado federal, Bolsonaro votou contra as reformas propostas por FHC, Lula e Dilma argumentando na ocasião que as mudanças nas regras da Previdência atentavam contra os legítimos interesses da classe trabalhadora.

Alçado à presidência da república galopando nas costas decepção do povo brasileiro com a política, o mito agora é a favor da mudança e questionado sobre essa metamorfose, respondeu em tom mais grosso que papel de embrulhar prego:

–– Vou me arrepender porque fiz xixi na cama aos cinco anos? Saiu, pô.

A reforma não é para combater privilégios. Isso é apenas um álibi criado pela marquetagem pura e simplesmente para estimular as brigas entre as diversas categorias.

Se o fim dos privilégios fosse o objetivo dela, por que não se faz uma reforma focada apenas nisso? Ou um trabalhador rural que trabalha, ininterruptamente, de sol a sol até os 65 anos para poder se aposentar com um salário mínimo é um privilegiado? Ou o Benefício de Prestação Continuada, o tal BPC, de menos de 1/2 salário mínimo também é uma concessão diferenciada?

O fato é que o capital financeiro vai aprovar a reforma, custe o quanto custar, não porque ela é boníssima ou vai combater privilégios, mas porque o imenso buraco cavado pela corrupção no Brasil nas últimas décadas precisa de muitos sócios para tapá-lo.

Falar a verdade seria mais honesto.


Luiz Calixto escreve as quartas-feiras no ac24horas.

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