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Morte S.A

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Por – Francisco Pessanha e Roberto Feres

“Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos” (Marquês de Alorna, sobre o que fazer quando ocorreu o grande terremoto de 1755, em Lisboa).

Usar uma tragédia como palanque ideológico é, no mínimo, falta de respeito e empatia pelas vítimas e seus familiares. Coisa de gente asquerosa e repugnante.

A necessidade de lacração dos internautas e de Ibope da imprensa, em geral, ao publicar os detalhes polêmicos, imagens sórdidas e análises passionais desses episódios, contribuem somente para dar aos criminosos o momento de fama que buscavam com seus atos insanos.

Armamentistas e pacifistas abusaram disso na recente chacina de Suzano, da mesma forma que estatistas e privatistas fizeram no desastre de Brumadinho e os prós e contra o Islam nos atentados pelo mundo afora.

Como profissionais da segurança pública, pretendemos trazer aqui algumas questões para reflexão sobre Suzano.

Vamos aos fatos concretos do que há, até o momento, sobre o ocorrido na escola: houve um crime, que foi praticado por dois ex-alunos, utilizando diversos instrumentos (arma de fogo, machadinha, besta, coquetéis molotov e falso artefato explosivo), que vitimou alunos e servidores e posterior suicídio dos autores. A motivação ainda é objeto da apuração.

O perigo de que ocorra um evento como esse em qualquer escola, ou outro local público, sempre existe. O risco disso acontecer está relacionado a muitos fatores, dentre os quais estão condições de segurança como a facilidade de acesso, existência de sistemas de vigilância (câmeras, detectores de metais, vigilante armado etc). Porém nunca há risco nulo, porque a ocorrência do evento também está relacionada a intenção do autor e o conhecimento que ele tenha do local.

Não cabe aqui dar idéias de quantas outras formas há de causar danos enormes com instrumentos não convencionais.

No caso de uma escola, a mitigação do perigo tem sido muito maior por outros eventos danosos de roubos, violência e vandalismo, que pelo tipo ocorrido em Suzano. É um ambiente acessado por prestadores de serviço, pais, ex-alunos, além dos seus servidores e estudantes. Não há como ser uma fortaleza inexpugnável, mas hoje as escolas já são projetadas de maneira muito melhor compartimentada e com controles de acesso que as que conhecemos no século passado.

A segurança interna de uma escola não pode prescindir do conceito de inteligência usado na segurança pública em geral, nesse caso, como ferramenta importante de conhecimento dos alunos e sua movimentação interna. Professores, inspetores e servidores em geral são fundamentais para monitorar o ambiente e relatar as situações que merecem ajustes a serem providenciados com as ferramentas da psicologia e, principalmente, da pedagogia.

Em situações de bullying, violência e até tráfico, o conhecimento e interferência precoces evitam consequências com potencial de dano muito maiores no médio prazo. O conceito policial do “uso progressivo da força” exige o conhecimento da capacidade de dano que uma determinada situação pode causar. É um preparo que os inspetores escolares não podem prescindir.

Identificar alunos com comportamento anti social, distúrbios de relacionamento é tão importante quanto acompanhar os que sofrem de déficit de atenção ou os que são superdotados intelectualmente. Quanto antes tais casos são diagnosticados, mais cedo podem ser trabalhadas as dificuldades e potencial de cada um.

Algumas escolas, por situações diversas, relatam hoje um estado de insegurança tal que o relacionamento mais próximo com unidades de policiamento é cotidiano. Ter à mão um “botão de pânico” é a reivindicação de muitas.

Ex-alunos fazem parte da história de uma escola e a escola faz parte da história de cada um deles. Como não serem bem vindos?* Conhecer cada um deles faz parte também do que se propõe uma boa administração escolar. Desses também é importante saber como foram em seu tempo na casa quando tocarem a campainha.

Discutir sobre as armas utilizadas num determinado evento, como e onde foram adquiridas, ou sobre o rito usado pelos criminosos, se copiados ou não de um brinquedo de computador, entendemos que não traz nada de produtivo para o ocorrido. Somente camuflam a psicopatia dos autores.

O certo é que cuidamos pouco da prevenção das pessoas contra eventos perigosos. Ou alguém já viu, no Brasil, alguma escola que pratique treinamentos frequentes de evacuação em situações de incêndio ou pânico, por exemplo?

Nos Estados Unidos, onde, com certa frequência, doidos invadem escolas dando rajadas de M16, há procedimentos de autodefesa e proteção que são trabalhados periodicamente com as crianças e adolescentes, assim como são famosos os treinamentos do japoneses para eventuais terremotos.

Já passou da hora de tirarmos esses procedimentos dos manuais e código dos Bombeiros e colocar isso efetivamente em prática. Aqui mesmo em Rio Branco teríamos evitado sequelas do evento de pânico ocorrido das instalações da Uninorte, em 2007.

Nossos cemitérios já são cheios demais para que os Odoricos precisem de um novo morto a ser comemorado. Chega de Ibope para sociopatas. A hora é de cuidar bem dos nossos vivos.

(*) a escola que estudei dos 12 aos 15 anos – 1973 a 1975 – faz encontros anuais dos egressos (R. Feres).

Francisco Pessanha e Roberto Feres são policiais federais.

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Destaque 3

Estudantes que tiveram pedido de isenção da taxa do Enem negado já podem recorrer

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Os candidatos que tiveram o pedido de isenção da taxa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) negado podem recorrer até sexta-feira, 26. O processo pode ser feito exclusivamente pelo site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – enem.inep.gov.br/participante.

Para recorrer é preciso enviar os documentos exigidos no ato da inscrição. O Inep disponibiliza uma série de documentos para cada caso. A lista pode ser consultada no edital do exame e também na página do órgão.

Tem direito a isenção, estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio na rede pública de qualquer parte do país. Além de candidatos que tenham cursado todo o ensino médio em escolas públicas ou como bolsista integral na rede privada.

Podem conseguir o benefício ainda, candidatos com renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio, por pessoa. Cidadãos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal, também têm direito a isenção.

O Enem é a porta de entrada para as universidades públicas brasileiras. Com a nota do exame ao estudantes podem ainda conseguir bolsas para cursar faculdades em instituições particulares, conveniadas em programas federais.

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Destaque 2

Prefeitura de Rio Branco será investigada pelo MPE devido às condições de ramais

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A denúncia de um morador fez com que o Ministério Público do Estado (MPE/AC) instaurasse um inquérito civil público para investigar a suposta omissão da prefeitura do município de Rio Branco para com a manutenção e conservação de dois ramais situados na Estrada do Quixadá.

Trata-se dos ramais do Limoeiro e Colibri. O morador Raimundo Vieira da Silva foi quem formalizou a denúncia através da Promotoria Especializada de Habitação e Urbanismo e Defesa do Patrimônio Histórico cultural.

Ao órgão, o denunciante relatou as péssimas condições de trafegabilidade e falta de conservação por parte do poder público nos ramais e também na Estrada principal.

Além desta denúncia, a promotoria de Justiça, na pessoa de Alekine Lopes dos Santos, ainda se baseou em outras cláusulas para instaurar o inquérito, tendo como base o Estatuto da Cidade, já que a situação destes ramais interfere diretamente em questões como: moradia, trabalho e lazer, quando faz alusão à infraestrutura, transporte, equipamentos urbanos e comunitários.

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