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Em protesto, pacientes da Casa de Acolhida Souza Araújo fecham a BR-364

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Desde as 7 horas da manhã desta segunda-feira, 18, que os pacientes da Casa de Acolhimento Souza Araújo manifestam pacificamente na BR-364, em frente à Casa de Acolhimento, fechando a rodovia reivindicando a continuidade dos trabalhos do estabelecimento.

Na semana passada, o ac24horas denunciou a realidade dos portadores de hanseníase que hoje são pacientes da Casa de Acolhida Souza Araújo. Ao longo dos últimos anos, além de todos os infortúnios provocados pela doença, os pacientes convivem com o descaso do poder público.

A casa é administrada pela Diocese de Rio Branco e mantida com repasses do Governo do Estado. Segundo o conteúdo de um vídeo de uma reunião realizada pelos pacientes, há oito meses o poder público estadual não repassa os recursos para manutenção e aquisição de medicamentos. Com isso, segundo os próprios pacientes, a Souza Araújo estaria prestes a fechar as portas.

Os pacientes afirmam que não possuem materiais básicos, como gaze e curativo, além da falta de remédios.

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Acre 01

Artigo de João Correia – A Homilia

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Há um tipo de anedotário popular que trata de questões que jamais ocorreram factualmente, mas que muito bem poderiam ter acontecido no todo ou em parte. Inscreve-se nesse tipo uma historinha quase picaresca que diz que o Bispo Prelado, Dom Moacyr Grechi, numa missa dominical, no rito da palavra, em sua homilia, utilizou passagens dos Evangelhos como base de pregação contrária aos processos de violência e de saque a que estavam submetidas famílias de seringueiros tangidas por grileiros e jagunços pelo Acre. Todos os sofredores estariam ao deus-dará.

Na Catedral de Rio Branco, assistia à missa o Governador Geraldo Mesquita, que, consternado, teria se dirigido para perto do púlpito e pedido ao bispo um aparte em sua fala.

Geraldo Mesquita e Moacyr Grechi já foram para o Reino do Tempo da Memória. Dom Moacyr partiu anteontem. Há uma terceira personagem de proa nos acontecimentos desta época que continua dentre nós, ainda que merecedor de cuidados especiais, que é o João Maia da Silva Filho, da CONTAG. Mesquita, Grechi e Maia são sobrenomes referenciais de atores da história recente do Acre. Cada um deles merece livros e biógrafos.

Voltando ao plano interno, no início dos 70 do século passado, os conflitos pela terra haviam se multiplicado na maioria dos municípios para a formação e funcionamento do mercado de terras. Hordas de seringueiros autônomos e ocupantes dos seringais transacionados foram expulsos de suas colocações e moradias que habitavam e deslocaram-se aos centros urbanos mais próximos, por toda superfície do Acre.

No tratamento desses conflitos, três feixes de ações simultâneas, mas pouco conectadas da Sociedade Política e da Sociedade Civil tiveram lugar. A referência aqui é do papel do Governo do Acre e da Igreja Católica e dos Sindicatos de trabalhadores rurais. Parece óbvio que se os objetivos dessas três forças convergiam para a defesa e proteção dos segmentos populares recém deserdados elas tivessem concorrido para a criação de mecanismos de cooperação mais orgânicos. Não foi isso, todavia, o que aconteceu sistematicamente. N’alguns momentos dialogaram, mais como exceção que como regra. Apresentaram poucos sinais de hierarquia ou mesmo de cooperação explícita.

Será tratado hoje aqui o papel da Sociedade Civil nas estruturas ativas da Igreja Católica da Prelazia do Acre-Purus. Os Sindicatos de Trabalhadores Rurais ligados à CONTAG e o Governo Geraldo Mesquita ficarão para os próximos artigos. A Prelazia do Acre-Purus filiou-se sob o comando de Dom Moacyr Grechi ao movimento conhecido como Teologia da Libertação que desfrutou de grande prestígio criado na Igreja Católica Latino-americana. Dom Moacyr Grechi foi um dos mais importantes representantes dessa linha no Brasil, ombreando com nomes famosos como o de Dom Tomás Balduíno e de Dom Pedro Casaldáliga, presenças marcantes nas sagas das lutas da Amazônia.

Próximo de pensadores teológicos como os irmãos Leonardo e Clodovis Boff, que teorizaram a “ opção preferencial pelos pobres “, Dom Moacir fez chegar ao Acre bom número de padres e freiras e diversos leigos, inclusive estrangeiros, que receberam a missão de por para funcionar as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs – na defesa de comunidades pobres e excluídas. Grupos de Estudos, Cursos de Formação Teológica, Publicações de Periódicos, Produções Comunitárias Rurais e Ampliação da Ocupação no Ensino Formal foram instrumentos usados dentro de suas características específicas para a formação de quadros ativos na contestação do “ status quo “ e na proteção das levas de excluídos. É conveniente mencionar a proximidade com as fontes de conhecimento marxistas e a prática de uma pregação anticapitalista.

O núcleo de Padres e leigos católicos em Xapuri foi responsável direto sobre a educação e formação política de diversos líderes sindicais, inclusive de Chico Mendes.

Não havia ainda, à época, a atual pletora de confissões religiosas evangélicas, de modo que o cristianismo majoritário cingia-se ao catolicismo e igrejas evangélicas tradicionais. Por outro lado, é forçoso lembrar, também, que a linha de ação da Igreja Católica calçada na Teologia da Libertação não obteve expressão idêntica na Prelazia do Alto Juruá, considerada de corte “mais conservador”.

Dentre tantos leigos que atenderam o chamado de Dom Moacyr Grechi para acorrerem ao Acre encontravam-se os jornalistas Antônio Marmo e Sílvio Martinello, correspondente dos Jornais Estado de São Paulo e Jornal do Brasil, que acompanharam o cotidiano amiúde dos conflitos locais reportados em âmbito nacional. Posteriormente, Silvio Martinello juntou-se com Elson Martins da Silveira, correspondente da Folha de São Paulo, e alguns nomes locais e fundaram o jornal O Varadouro, muito expressivo na cobertura dos conflitos da época.

O Varadouro tinha o DNA da Prelazia do Acre Purus. Parte da Tendência Popular do PMDB e, especialmente, o PT, também.


João Correia é professor universitário e escreve no ac24horas todas as quintas-feiras.

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Acre 01

O menino Rhuan, a mídia e a ideologia de gênero

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Valterlucio Bessa Campelo

Pesquisei no Google o nome do garoto acreano assassinado pela própria mãe e sua parceira sexual. Ruhan teve 300.000 citações. Pesquisei também Marielle Franco, a vereadora lésbica assassinada no Rio de Janeiro, lá apareceram mais de 9 milhões de citações. Sobre Elisa Samudio, foram 389.000.

Guardadas as devidas proporções, pode-se dizer que a internet não falhou com Rhuan. Foram menos citações do que poderia se determinados “influencers” não se acovardassem, mas muito se falou do crime. O Brasil que soube do caso se entristeceu, se perguntou “como puderam?”. Muitos, como eu, choraram, sentiram no fundo da alma a maldade estendida como uma sombra sobre o ser humano.

Emerge estarrecedor o menosprezo dado ao Rhuan pela grande mídia. Poucos foram os jornais que trataram do crime, além dos de Brasilia (onde ocorreu o fato) e dos daqui do Acre. A regra foi esconder o Rhuan para não mostrar as assassinas e as verdadeiras causas do assassinato.

A TV Globo, que não possui em sua grade programas policiais tipo “Datena”, vez por outra, deparando-se com um crime absurdo, chocante, cede generosos espaço à divulgação e apuração dos fatos. Podemos citar os casos Chico Mendes, Nardoni, Richstoffen, o Maníaco do Parque, Eliza Samudio, o Indio Galdino, Daniella Perez, Gil Rugai, o Menino Bernardo, Liana Friedenbach, Tim Lopes, Dorothy Stang e muitos outros. Foram reportagens extraordinárias, úteis para a própria apuração e para a informação jornalística. Mas desta vez, reina o silêncio.

Em todos os casos anteriores, o telespectador foi atraído para a telinha, tentou saber o andar das apurações, conhecer a face dos acusados, as causas, as consequências, a prisão, o julgamento, a sentença. O enredo, a apuração, o processo, o julgamento e a condenação, de certo modo dão ao brasileiro a esperança de punibilidade de quem comete crimes.

Conforta-nos saber que o maníaco do parque continua preso, assim como nos incomoda que o assassino de Daniella Perez esteja livre. É o cidadão passando a limpo o pacto social.

Mas com Rhuan, cujo sofrimento supera o de todos os outros, foi diferente. Não por que fosse pobre – o Indio Galdino era mais pobre. Não porque fosse garoto – o menino Bernardo tinha apenas onze anos. Então, por quê a grande mídia apenas de leve, an passant, referiu àquele que foi o mais cruel dos assassinatos já cometidos no Brasil?

Arrisco. É que a grande mídia nunca ousa tocar negativamente nos temas que ela mesma cria, potencializa, distribui e massifica. É a sua agenda. Portanto, não se atreveria a associar o martírio do garoto à ideologia de gênero que de modo sistemático propagandeia em seus jornais e canais de TV. Não daria voz aos contrários, não deixaria um fio de meada a ser puxado por cada um de nós, não fomentaria o debate sobre algo que resolveu impor à sociedade como verdade absoluta.

Quem matou o Rhuan não foi apenas uma mãe cruel – isso fazem as abortistas de todo dia. Também não foi o desespero de uma família desestruturada pelo vicio ou pela falta de renda para cuidar dos filhos. Não foi um pai bêbado fora de si, nem foi uma mulher ciumenta. Não foi um padrasto inconformado. Foram duas lésbicas que, extremadas em sua condição e ideologia, quiseram antes alterar o sexo biológico do garoto seccionando seu pênis e, não conseguindo transformá-lo em menina, perderam as condições morais e ideológicas de conviver com ele. Mataram-no.

Como estabelece a ideologia de gênero, elas acreditavam que em determinado momento a pessoa escolhe o próprio sexo, então, porque não dar uma forcinha ao garoto extirpando seus genitais? Daí em diante restaria apenas vestir shortinhos e aprender alguns trejeitos. Mas não é assim que funciona. Não há escolha. Nada fará um garoto virar uma “garota”. As duas estavam mentalmente congestionadas da falácia ideológica, transmitida e reforçada à exaustão pelos canais que hoje negam-se a divulgar o martírio pavoroso do garoto decapitado vivo e desmembrado.

Aliás, também não se viu na Globo a notícia dada pelo Site Televisa News, de que Karol Ramon, um garoto de 7 anos foi assassinado a marteladas por uma dupla de mulheres homossexuais em Juventino Rosas, em Guanajuato, no México, apenas por não aceitar se vestir como menina. O caso aconteceu em março deste ano.

Estamos, portanto, diante de um sinal claro. A chamada ideologia de gênero, que faz a cabeça de tanta gente “progressista” bovinamente embarcada no politicamente correto, às vezes mata. Antes disso, maltrata, sevicia, abusa, violenta, martiriza, faz sofrer. Como nos dois casos citados, crianças inocentes.

No Acre, nenhuma manifestação deveras importante, nenhum “coletivo” a contextualizar o crime. Passa o pano. Foi em Brasília, que a deputada paulista Carla Zambelli, do PSL, elaborou a proposta denominada Lei Rhuan Maycon, em acordo com a Associação MP Pró-Sociedade. O PL amplia a pena para o criminoso, que poderá ser de 30 a 50 anos, principalmente se o crime for imposição de ideologia de gênero. A condenação mínima poderá subir para 40 anos caso o menor esteja sob cuidado, guarda, vigilância ou autoridade. Se a vítima for portador de doença mental ou ser incapaz de se autodeterminar, a pena varia de 40 a 50 anos, se for enquadrado em ideologia de gênero. Por ser a autora, do PSL, talvez haja voto contrário no Acre.

A ideologia de gênero pode até representar um conforto social para gays e lésbicas, uma espécie de liberação intelectual para ser o que deveras é, uma “remição” oferecida à larga para seus comportamentos antes tidos como antissociais. Ocorre que, levada ao clímax revogatório da biologia, solapando a heteronormalidade, vale uma revolução cultural e de costumes inaceitável para uns e incompreendida para outros, entre eles, os próprios gays e lésbicas. Decerto, a homoafetividade, já indiscutível na sociedade, não precisa vir puxando um trem destrambelhado, carregado com ideologia de gênero e suas implicações contrárias à biologia, dando vez a crueldades de toda espécie. Este ímpeto gayzista é apenas estúpido.


Valterlucio Bessa Campelo é Engº Agrº, Mestre em Economia Rural.

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