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Arrumação da casa da viúva

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O problema vital dos “pensadores” das estratégias para o desenvolvimento do Acre é que querem resolver os problemas do Estado com “lábia” e “saliva”.

Recentemente, o assunto que tomou conta do noticiário foi a peleja dos “liberais desenvolvimentistas” contra a política de austeridade e de cinturão apertado implementada nesses meses iniciais pelo grupo majoritário do governo Gladson Cameli.

Em seus discursos simpáticos e pegajosos, todos têm na ponta da língua, de cor e salteado, a receita pronta e ideal para o crescimento econômico.

Pregam aquilo que todos os acreanos desejam e sonham: geração de emprego, de renda, de industrialização etc.

Entretanto, ao se distanciarem da antipática e dura realidade, parecem estar, literalmente, no mundo da lua. O mundo deles se restringe ao confortável ambiente dos grupos de WhatsApp.

Segundo os líderes do grupo que se autointitula “liberal na economia e conservador nos costumes”, já está na hora do governo “abrir as torneiras” para injetar recursos em investimentos produtivos. O pensamento predominante é o Estado mínimo.

Todavia, quem se der ao trabalho de fuçar as finanças públicas imediatamente descobrirá que temos apenas uma “torneira” e dela jorra pouca água. E mais: o reservatório de onde os recursos poderiam vir está abaixo da capacidade.

É fato que perdemos a carona quando o bonde do desenvolvimento passou na nossa porta. Hoje o Brasil também atravessa a amargura da crise.

Há muito tempo as disponibilidades orçamentárias do Estado para investimentos são bem próximas de zero.

As receitas correntes mal dão para manter a folha de pagamento em dia, garantir os repasses mensais do Ministério Público, do Tribunal de Justiça, da Assembléia, do TCE e, espremendo, para sobrar um pouquinho para manutenção, ainda que precária, dos serviços públicos essenciais.

Acrescente-se a parcela significativa das receitas correntes desembolsadas para pagar os empréstimos contraídos pelo Estado-empresário. O banco emprestou em troca de garantias reais e de liquidez.

Depois dessa de enxurrada a torneira só pinga.

Não é fácil administrar o Acre diante das inúmeras necessidades e das expectativas geradas durante o processo eleitoral. Só vontade não basta e não há mágicas a fazer. Todo mês é um deus nos acuda para fechar as contas.

Além dos lunáticos, ainda se tem de aturar a postura de fanáticos que destrocaram o Estado e querem, a todo custo, passar a impressão que entregaram um mar de rosas.

Pura bucha é o termo de linguajar mais vulgar para sintetizar a situação herdada pelo atual governo: 13º atrasado, fornecedores no prego, hospitais sucateados etc. e tal.

Óbvio que ao final de cada governo, seja de qual partido fosse, o povo gostaria de ver suas expectativas realizadas e que suas decepções fossem mínimas.

Da minha parte já me contentarei com a arrumação da casa da viúva.

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Luiz Calixto

Sem retorno

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Pode-se falar qualquer coisa dos sete meses do governo Gladson Cameli, menos de uma: que ele tenha movido uma palha para cercear o trabalho da imprensa ou influído na divulgação ou na censura de reportagens contra sua gestão. A se manter nessa toada, Gladson será um dos raros governadores que não pagará por elogios.

São poucos os jornais que não estão cobrando do governador as soluções de graves problemas que os mantiveram “‘cegos e mudos” por muitos e muitos anos.

De certa forma, os milhões de reais despendidos mensalmente com a mídia mantinha o grito de liberdade deles entalado na garganta. Entretanto, a valoração da imprensa está em baixa. As notícias que jornais tradicionais divulgam são café requentado. As incontroláveis e incensuráveis redes sociais, com suas vantagens e irresponsabilidades, assumiram a função de quebrar o monopólio da informação.

Nas repartições o clima é mais respirável.

O medo e o silêncio obsequioso das décadas de outrora cederam lugar a uma multidão que, mesmo sabendo que as soluções não saem de uma cartola, cobram resultados imediatos.

O fundamento dessas cobranças está sustentado tanto na desordem herdada das administrações anteriores quanto da elevadíssima expectativa gerada nas eleições pelo atual governo.

De uma hora para outra o povo despertou. As redes estão em permanente estado de atenção.

Fico a imaginar se esta ostensiva vigilância tivesse de olhos abertos nos tempos passados.

Com certeza o odor de muito “basculho ” que fora varrido para debaixo do tapete não estaria ofendendo nossas narinas.

Ao atual governo duas difíceis tarefas se apresentam e todas elas exigindo o máximo de empenho dos gestores: primeiro, por ordem na casa; segundo, botar a máquina pra rodar.

Em tempos de profunda crise financeira, nenhum desses intentos é fácil. De minha parte, ainda continuo acreditando que este governo dará certo ou já está a dar certo.

Ainda antes das eleições, sempre que tive oportunidade, falei e escrevi que o “buraco era mais embaixo”. Por mais boa vontade que se tenha, a situação do Acre não permite a solução dos seus problemas na velocidade que desejamos.

Com apressada razão, muitos parlamentares cobram a solução de problemas cuja resolução apenas a saliva não basta.
De mais a mais, ainda é muito latente no meio do povo a antipatia nutrida ao PT.

É muito significativa a parcela da população que reclama do atual governo, mas não quer nem sonhar e sente calafrios quando se conjectura sobre uma possível volta do PT. Voltar ao passado, não.

A Gladson resta segurar firme no timão do motor para controlar a gula de seus aliados que abrem a goela para os bônus, mas não oferecem o lombo para o ônus.

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Luiz Calixto

Crime S/A

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O crime só se organiza nos locais onde o Estado se desorganiza. E, infelizmente, isso é uma triste constatação nos 27 entes federativos. Ao longo dos anos, os Estados brasileiros foram corroídos pela ferrugem da desordem institucional e, via de regra, se tornaram sócios e coniventes com o crime.

Não se trata aqui de vender facilidades ou de minimizar a gravidade dos problemas relacionados à segurança pública. Ao contrário. A situação não é de nenhum “melzinho na chupeta”. No entanto, as melhores e mais exitosas experiências mundiais de combate às organizações criminosas ocorreram exatamente onde o poder público primeiramente se organizou internamente para o enfrentamento da criminalidade. Esses países concentraram suas forças no expurgo dos maus policiais e priorizaram seus investimentos nos serviços de inteligência e perícias. De pouco adianta ter os melhores equipamentos, veículos, armas, helicópteros etc. se no meio de uma tropa de segurança tiver um, apenas um, agente público de segurança que “venda” todo o trabalho de um efetivo honesto através de uma mensagem de WhatsApp para uma facção. Isso é um fato lamentável e incontestável no Brasil, tanto que é praxe da Polícia Federal não utilizar agentes com a mesma lotação funcional nos locais de onde suas operações são realizadas.

O poder executivo, promotor das políticas públicas, não pode se ausentar, se omitir ou fazer corpo mole, de sorte que a permissão para entrar ou não em determinados locais seja prerrogativa de grupo que atua segundo suas próprias “leis”.

A mão do Estado é pesada demais e aqueles que ousam enfrentá-lo sabem disso. Sem prazo fixado para bater em retirada as forças policiais deveriam ocupar esses espaços. Se não dispõe dos meios desejáveis, essa presença tem de ser com os instrumentos que possuem no momento. Esperar por uma utopia inclusiva só adiará a solução da causa e cederá espaço para o avanço da delinquência.

Contra os superpoderes do Estado não há bandidagem que resista. O terreno mais fértil para o crime é a falta de Estado. O policiamento ostensivo é importantíssimo e deve ser reforçado, pois é através dele que a sensação de segurança é transmitida para população. No entanto , quase sempre ele chega quando o fato já está consumado e os corpos já estão estendidos no chão.

Em cada cena de um crime que causa comoção social surgem as soluções mágicas, geralmente oriundas da varinha de condão de parlamentares.

A bola da vez é a demonização das audiências de custódia, apresentadas irresponsável e demagogicamente para uma população cuja carência por segurança permite o oportunismo chulo como “Procons do Crime” e como se o fim destas fosse resolver ou, ao menos, amenizar alguma coisa.

A população que clama por firmeza da justiça no combate ao crime tem de saber que muitos acusados são liberados nestas audiências não por bondade do juiz, mas porque os inquéritos são mal instruídos na origem e com falhas incorrigíveis aos olhos dos advogados de defesas.

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